Semana On

Quinta-Feira 27.jan.2022

Ano X - Nº 475

Coluna Agromundo

Supermercados europeus boicotam carne brasileira

China retomou importação do produto

Postado em 16 de Dezembro de 2021 - DW, Sandy Oliveira (O Estado de S.Paulo) – Edição Semana On

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Varejistas anunciam que vão deixar de vender carne bovina com origem no Brasil ou produtos de carne associados à JBS em resposta a desmatamento e esquema conhecido como "lavagem de gado".

Cinco redes europeias de supermercados e uma fabricante de alimentos comunicaram no último dia 15 que não vão mais vender carne bovina com origem no Brasil ou produtos de carne ligados à empresa brasileira JBS por causa de recentes denúncias de destruição da Floresta Amazônica.

As seis redes são o grupo holandês Ahold Delhaize (que inclui as marcas Delhaize e Albert Heijn), a também holandesa Lidl Netherlands (que pertence ao grupo alemão Lidl), a belga Carrefour Belgium (subsidiária do grupo francês de mesmo nome), a francesa Auchan e a britânica Sainsbury's. A elas une-se a empresa alimentícia britânica Princes Group.

Os compromissos assumidos variam de uma empresa para a outra. A Lidl se comprometeu a não vender mais carne com origem na América do Sul a partir de 2022. A Albert Heijn, maior rede de supermercados da Holanda, comunicou que vai parar de vender carne brasileira. Já a Delhaize e a Carrefour Belgium não vão mais vender salgadinhos de charque e outros produtos da marca Jack Link's, associada à JBS.

A Albert Heijn esclareceu que tem em suas prateleiras apenas alguns poucos salgadinhos feitos com carne brasileira. A Sainsbury's afirmou que pretende eliminar a carne brasileira da sua marca própria de corned-beef, mas acrescentou que 90% da sua carne já vêm do Reino Unido e da Irlanda.

"Lavagem de gado"

Os boicotes foram anunciados depois de uma investigação das ONGs Repórter Brasil e Mighty Earth acusar a JBS de adquirir reses criadas em áreas desmatadas, dentro de um esquema conhecido como "lavagem de gado".

Por esse esquema, gado criado em áreas desmatadas é transferido para uma fazenda regularizada e depois vendido para o abate. Dessa forma, a origem da rês é mascarada.

"Esses não são compromissos vagos ou anúncios bonitinhos que ficam bem em comunicados de imprensa, mas uma série de ações comerciais concretas adotadas por algumas das maiores redes de supermercado da Europa para parar de comprar e vender carne bovina de uma empresa e de um país que fizeram muitas promessas, mas apresentaram poucos resultados", afirmou o diretor para a Europa da Mighty Earth, Nico Muzi.

JBS promete tolerância zero

A JBS declarou à agência de notícias Reuters que mantém tolerância zero com o desmatamento ilegal e que bloqueou mais de 14 mil fornecedores por descumprirem suas normas. A empresa acrescentou que monitorar fornecedores indiretos (que fornecem ao fornecedor final) é um desafio para todo o setor, mas que pretende criar um sistema para isso até 2025.

O desmatamento na Amazônia subiu no governo do presidente Jair Bolsonaro. Entre agosto de 2020 e julho de 2021, atingiu 13.235 km², segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Número equivale a mais do dobro da área do Distrito Federal e é o maior desde 2006.

China

A Administração-Geral de Alfândegas da China (Gacc, na sigla em inglês) anunciou no último da 15 que liberou a importação de carne bovina do Brasil. Em nota, o Ministério da Agricultura brasileiro informou que a certificação do produto e os embarques serão retomados já a partir desta quarta.

No início de setembro, o Brasil suspendeu voluntariamente os embarques para os chineses, por causa de dois casos atípicos do "mal da vaca louca", identificados em frigoríficos de Nova Canaã do Norte (MT) e de Belo Horizonte (MG). A suspensão seguiu o protocolo sanitário que consta no acordo comercial entre os dois países. Entretanto, a carne que já estava nos portos em direção à Ásia continuou a ser exportada, até parte dela ser barrada pela alfândega chinesa. 

O protocolo sanitário prevê a normalidade das negociações após investigação dos casos por um laboratório internacional, como foi feito pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) no Canadá.

O Brasil é o principal fornecedor de carne bovina para a China, atendendo cerca de 40% de suas importações, e os compradores esperavam inicialmente que o comércio fosse retomado em algumas semanas.

No mês passado, a Gacc anunciou que aceitaria pedidos de importação de carne bovina brasileira que tivessem certificado sanitário anterior a 4 de setembro, ou seja, antes do embargo voluntário do Brasil.

Os governos dos dois países estavam em negociações para resolver o assunto, uma vez que o embargo reduziu praticamente pela metade os embarques do Brasil. As importações de carne bovina da China aumentaram nos últimos anos, alimentadas pela crescente demanda por carne de uma classe média cada vez mais abastada. 

A Minerva, líder na América do Sul na exportação de carne bovina, informou, por meio de comunicado ao mercado, que a retomada das operações de abate e produção de carne bovina dedicada ao mercado chinês tem início imediato. "Considerando as nossas plantas estrategicamente diversificadas na América do Sul, nossa exposição para o mercado chinês alcança 7 unidades produtivas com capacidade de abate de aproximadamente 10 mil cabeças de gado/dia, sendo 3 plantas no Brasil, 3 plantas no Uruguai e 1 planta na Argentina", dise a companhia.


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