Semana On

Segunda-Feira 27.set.2021

Ano X - Nº 461

Coluna Ágora Digital

400 mil motivos para execrar o bolsonarismo

O jornalista Victor Barone resume a semana política, com humor e acidez

Postado em 28 de Abril de 2021 - Victor Barone

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Ontem, o Brasil atingiu a marca de 400 mil mortos por covid. A carga mortal da pandemia no país já supera as baixas de soldados britânicos na Segunda Guerra Mundial. E é galopante: acontece apenas 37 dias depois que registramos 300 mil óbitos. O que Jair Bolsonaro tem a dizer? “Chegou a um número enorme de mortes agora aqui, né?”, constatou, depois de afirmar que ‘lamenta’. E só. 

O presidente preferiu dedicar seu tempo a difamar Araraquara, em São Paulo, caso indiscutível de sucesso do lockdown. Segundo Bolsonaro, o prefeito da cidade, Edinho Silva (PT) iria levar a cidade à miséria. Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi chamado de “ditadorzinho”.

Folha resgatou 22 declarações de Bolsonaro que minimizam a pandemia e influenciam a livre circulação de vírus e pessoas, fator indispensável ao recrudescimento do quadro sanitário no Brasil. As declarações feitas nos grandes marcos da crise já conhecemos, mas não custa lembrar: “Enquanto cruzavam as marcas de 100 mil cadáveres (em 8 de agosto de 2020), 200 mil (em 7 de janeiro deste ano) e de 300 mil (em 24 de março), os brasileiros ouviam da maior autoridade do país que o Sars-Cov-2 é uma ‘fantasia da grande mídia’, uma ‘gripezinha’ e um ‘mimimi’”.

Em nota divulgada ontem, o Conselho Nacional de Saúde foi direto ao ponto: “Não há outra palavra que possa definir o que está ocorrendo no Brasil. O governo federal está promovendo o GENOCÍDIO da população por meio de uma política arbitrária, negacionista e criminosa. O Estado nos abandonou. Fechou os olhos para seu próprio povo, ferindo de morte a nossa Constituição de 1988. O presidente do país, Jair Messias Bolsonaro, e sua cúpula precisam ser responsabilizados criminalmente pelas mais de 400 mil vidas perdidas até aqui, principalmente segmentos populacionais mais vulnerabilizados e historicamente negligenciados.”

Por Outra Saúde

O estágio civilizatório de uma sociedade é o resultado da análise de tudo o que sobra para ser desenterrado na posteridade. No futuro, quando a arqueologia fizer suas escavações à procura de sinais que ajudem a entender a decadência do Brasil, encontrará em meio aos ossos dos mortos por Covid-19 evidências de que não foram apenas os erros que produziram uma tragédia sanitária no Brasil, mas o modo como o país agiu depois de cometer esses erros.

A pandemia do coronavírus é uma tragédia planetária. No Brasil, o vírus produziria cadáveres em qualquer circunstância. Mas nenhum país chega à marca de mais de 400 mil mortos por acaso. Há método na insanidade brasileira. O país parece ter feito uma opção preferencial pelo erro. Bolsonaro, porém, declarou na terça-feira, em frente ao Palácio da Alvorada: "Eu não errei em nada." Algo de muito errado acontece quando um administrador público acha que está sempre certo.

Para o presidente, a pandemia era uma "gripezinha" que estava no "finzinho". E a segunda onda não passava de "conversinha". Em função desse negacionismo, o Brasil convive com dois flagelos: a escassez de vacinas e o excesso de cloroquina. Imaginou-se que a livre circulação do vírus conduziria à imunidade coletiva. O que se verificou foi o surgimento de uma nova cepa do vírus, mais letal do que a primeira.

A despeito de tudo, Bolsonaro continua desprezando a máscara e enaltecendo a cloroquina. O presidente rejeita a ideia de se vacinar sob holofotes, para dar o exemplo. Com a sinceridade de quem não sabia que estava sendo gravado, o general Luiz Eduardo Ramos, chefe da Casa Civil, disse ter tomado a vacina escondido, tamanho é o receio de desagradar o capitão.

Num ambiente assim, o pior não são os erros que levaram o Brasil à marca dos 400 mil mortos, mas a perspectiva de chegar aos 500 mil cadáveres sem perceber que há um remédio infalível para cada culpa: reconhecê-la.

Por Josias de Souza

NINGUÉM CRÊ EM BOLSONARO

"Ninguém acredita em Bolsonaro", disse o líder parlamentar europeu Miguel Urbán Crespo. Ele chacoalhou o Parlamento Europeu quando, no início do mês, subiu à tribuna e declarou: “Jair Bolsonaro está cometendo um crime de lesa-humanidade no Brasil diante de sua gestão da pandemia da covid-19”.

GENERAL REBELDE

O general Luiz Eduardo Ramos não mudou apenas da Secretaria de Governo para a Casa Civil da Presidência. Há um ano, vivendo entre dois mundos —o País das Maravilhas e o País do Espelho—, o general pedia aos jornalistas um noticiário de Alice, livre de cadáveres. Sem alarde, ingressou no Brasil real pela porta dos fundos, vacinando-se às escondidas. "Porra, eu quero viver!" Tenta agora arrastar Bolsonaro para a realidade: "A vida dele corre risco".

Em abril de 2020, quando ainda cuidava da articulação política do Planalto, o general Ramos estava abespinhado com a imprensa. Achava que o noticiário trazia "uma cobertura maciça dos fatos negativos." Incomodava-se especialmente com o excesso de cadáveres e de esquifes. "No jornal da manhã, é caixão, é corpo. Na hora do almoço, é caixão novamente, é corpo. No jornal da noite, é caixão e é corpo." Nessa ocasião, os mortos por Covid eram contados na casa dos 3 mil. E o general rogava aos meios de comunicação que pendurassem fatos positivos nas manchetes.

Coisa digna de Lewis Carroll e do País das Maravilhas criado por ele para sua personagem Alice. Nos telejornais do ministro Ramos, haveria um vácuo no qual a realidade deixaria de existir. Restaria apenas a fantasia. No universo criativo de Carroll, Alice, depois de visitar o País das Maravilhas, decidiu atravessar o espelho de sua casa. Entrou no País do Espelho, onde enxergou tudo ao contrário. Era nesse país que vivia o general Ramos. Atrás do espelho do Planalto, havia um presidente que chamava pandemia de "gripezinha" e fechava os olhos para os mortos: "Eu não sou coveiro!"

No Brasil maravilhoso que o general Ramos havia idealizado, o noticiário refletia a realidade invertida do país do espelho, onde brilhavam Bolsonaro e a cloroquina. Quem ousasse mostrar o mundo real passaria por impatriótico. Como não foi possível esconder os caixões e os corpos, agora roçando a casa dos 400 mil, a ficha do general caiu. Sem saber que sua voz era transmitida pela internet, o general confessou ter estendido o braço para uma vacina em segredo. Seguiu o protocolo de ocultação do Planalto. "Tomei escondido, né?, porque a orientação era para não criar caso, mas vazou."

Observado pelos ministros Paulo Guedes (Economia) e Marcelo Queiroga (Saúde), o general abriu o coração: "Não tenho vergonha, não. Eu tomei e vou ser sincero, porque, porra, eu, como qualquer ser humano, eu quero viver. E se a ciência e a medicina estão dizendo que é a vacina, né, Guedes, quem sou eu para me contrapor?"

O general revelou o seu esforço para transportar Bolsonaro do país das maravilhas para o Brasil real, onde a sub-vacinação faz surgir variantes novas do coronavírus. Ramos quer vacinar o amigo: "Estou envolvido pessoalmente, tentando convencer o nosso presidente, independente de todos os posicionamentos, que nós não podemos perder o presidente para um vírus desse. A vida dele, no momento, corre risco." Bolsonaro tem 66 anos.

Num país em que um ministro palaciano toma vacina contra Covid escondido e o presidente da República precisa ser convencido do óbvio, só há duas alternativas possíveis: ou está todo mundo meio doido no governo, ou o brasileiro está completamente maluco.

Por Josias de Souza

O senador Otto Alencar (PSD-BA), que faz parte do G7 da CPI da Covid, deve usar o episódio da confissão de Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil) sobre tomar vacina escondido e tentar convencer o presidente a se imunizar para fazer um “apelo” a Bolsonaro. Na CPI, pedirá que o chefe do Executivo tome a vacina como forma de “dar o exemplo”.

Mas exemplo, para Jair Bolsonaro, é um conceito que está de cabeça para baixo: “Sou chefe de Estado, tenho que dar o exemplo, meu exemplo é esse, deixar, já que não tem para todo mundo, o mundo todo não tem vacina ainda, que tome na minha frente”, disse em conversa com apoiadores ontem, ocasião em que aproveitou para comparar a CPI a um “Carnaval fora de época”. 

Em tempo: Segundo o Valor, Bolsonaro pediu ontem a Ramos e a outros auxiliares que parem de tentar convencê-lo a se vacinar

FALANDO EM TOMAR VACINA

A reunião do Consu foi palco para uma confissão do ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos. Ele afirmou que tomou “escondido” a vacina contra a covid-19. “Tomei escondido, né, porque era a orientação, mas vazou (…). Não tenho vergonha, não. Vou ser sincero: eu, como qualquer ser humano, quero viver. Tenho dois netos maravilhosos, uma mulher linda. Tenho sonhos ainda. Quero viver, porra! Se a ciência, a medicina, está dizendo que é vacina, quem sou eu para me contrapor?”

Não ficou só aí. Ramos usou o espaço institucional para desabafar sobre seus esforços de convencer Bolsonaro a se vacinar. “Estou envolvido pessoalmente, tentando convencer o nosso presidente, independente de todos os posicionamentos. E nós não podemos perder o presidente para um vírus desse. A vida dele no momento corre risco. Ele tem 65 anos”.

Quase 400 mil mortes depois, o ministro reconheceu que a pandemia é grave, pois chegou a conhecidos dele: “E tenho tentado convencer o presidente de que essa cepa – eu tive covid em outubro do ano passado – ela é uma variante muito violenta que está ceifando vidas e próximas da gente. Na outra leva, isso não acontecia. Eu tenho um coronel que trabalha comigo na reserva, um homem de 38 anos, saudável, fazia maratona, tudo. Pegou covid e em dez dias morreu”, disse.

Pois é… E se Ramos “quer viver”, seu colega de Esplanada reeditou a lógica daquele discurso de que “todo mundo queria ir a Disney” – até empregadas domésticas – para reclamar da longevidade conquistada pela população brasileira. “Todo mundo quer viver cem anos, 120, 130 [anos]”, declarou Guedes. Segundo ele, “não há capacidade de investimento para que o Estado consiga acompanhar” as demandas de atenção à saúde dos brasileiros na medida em que envelhecem. De acordo com o ministro, não foi a pandemia que “tirou a capacidade de atendimento do setor público” mas sim “o avanço na medicina” e “o direito à vida”.

Em 2020, a expectativa de vida ao nascer caiu um ano, caindo a 75,4 anos. Quem ouve Guedes falar pensa que faz parte de um projeto de governo em prol das contas públicas… Lembra outra integrante do governo, a superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, que segundo múltiplos relatos afirmou em uma reunião no ministério da Saúde em maio do ano passado que era “bom” que as mortes se concentrassem “entre os idosos”. “Isso vai melhorar nosso desempenho econômico, pois reduzirá nosso déficit previdenciário”.

Por fim, Paulo Guedes voltou a defender a criticada ideia de que o Estado banque vouchers para atendimento privado de saúde. “Você é pobre, você tá doente, tá aqui seu ‘voucher’. Vai no [hospital Albert] Einstein, se você quiser. Vai aonde você quiser, tá aqui o ‘voucher’. Se quiser, você vai no SUS”. Segundo o ministro, no futuro, o setor privado vai responder pela maior parte do atendimento de saúde no país.

A reunião do Consu contou com a presença do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, do secretário-executivo da pasta, Rodrigo Cruz; do assessor especial, Daniel Pereira; e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres.

REINSCIDENTE

De passagem pela cidade baiana de Feira de Santana, Bolsonaro chamou uma repórter de "idiota" ao ser questionado sobre uma foto que tirou segurando um cartaz com a réplica aumentada de um CPF com a tarja de "cancelado". O cancelamento de CPFs ocorre quando as pessoas morrem. A expressão "CPF cancelado" é usualmente utilizada por integrantes de grupos de extermínio, para se referir a pessoas assassinadas. "O senhor foi criticado, presidente, sobre uma foto postada dizendo CPF cancelado em um momento de tantas pessoas morrendo", disse a repórter Driele Veiga, da TV Aratu. E Bolsonaro: "Você não tem o que perguntar não? Deixa de ser idiota".

PAU NELES

O Pastor da Assembleia de Deus conhecido como Jabson, de Cabrobó (PE), resolveu zombar durante um culto da crença dos indígenas Trukás, que vivem na Ilha de Assunção, no meio do Rio São Francisco. Entre outras coisas, diante da queixa do Pajé de que o Espírito de Luz não descia mais na aldeia, o pastor afirmou: “vai ver cortaram a energia dele lá”.

Ao tomar conhecimento da atitude do pastor, os Trukás derrubaram o início de uma obra de um templo da Assembleia de Deus na Ilha de Assunção, onde vivem os indígenas. Por trás da atitude dos indígenas, que parece mera vingança, há uma questão agrária, que seria a construção sem permissão do templo que foi derrubado.

O cacique Bertinho divulgou uma nota onde chamou atenção para a revolta na tribo. No comunicado, ele afirma que os Trukás nunca foram comunicados sobre obra alguma dentro do território indígena. Bertinho lembra também que “nós não fomos às redes sociais difamar a religião de ninguém, pelo contrário, fomos nós que tivemos nosso sagrado desrespeitado pelo pastor”. Veja abaixo:

SARAIVA DESCEU A LENHA

Governistas Tentaram calar o delegado da Polícia Federal, que havia sido convidado a prestar esclarecimentos sobre uma notícia-crime apresentada por ele ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. No dia em que ele apresentou a notícia-crime, a PF anunciou a sua saída da superintendência da PF no Amazonas.

MAINARDI TOMA UMA DE KAKAY

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, destruiu os argumentos do apresentador Diogo Mainardi durante entrevista ao programa Manhattan Connection. Após rebater uma série de provocações durante a entrevista, Kakay foi indagado por Lucas Mendes se “absolvia ou condenava o programa” e deu uma alfinetada em Mainardi.

AS DERROTAS DO GOVERNO

No front jurídico, o ministro Ricardo Lewandowski negou o pedido de senadores governistas que buscavam anular o ‘fator’ Renan Calheiros (MDB-AL), pedindo seu afastamento do colegiado ou a anulação da sua indicação como relator da comissão. Segundo o ministro do STF, o que o Senado definir está definido, não cabendo atuação do Judiciário neste caso.

Na primeira reunião da comissão, como já era esperado, o G7 conseguiu acelerar o ritmo dos trabalhos e convocar, já para a semana que vem, os ex-ministros da Saúde, o atual titular da pasta e o diretor-presidente da Anvisa. Eles serão ouvidos na condição de testemunhas, estratégia do grupo para que não usem a prerrogativa de quem é convocado como investigado e, por isso, pode permanecer calado para não produzir provas contra si mesmo. 

A única coisa que a base aliada conseguiu foi adiar a convocação de Fabio Wajngarten, ex-secretário de comunicação da Presidência que botou a boca no trombone na semana passada sobre o caso da vacina da Pfizer em entrevista à Veja. Mas isso não chega a representar uma vitória: o acordo prevê que apenas os requerimentos referentes aos depoimentos da próxima semana sejam aprovados. E, de acordo com o cronograma do G7, a ideia era ouvi-lo na segunda semana de maio, então o pedido será aprovado na próxima terça-feira. Segundo a colunista Bela Megale, o Planalto teme o estilo “estourado” e “encrenqueiro” de Wajngarten.

Houve, de novo, confusão no colegiado. Os governistas queriam votar um a um os mais de 300 requerimentos apresentados – que acabaram sendo aprovados em bloco. Houve bate-boca entre senadores e a sessão teve que ser suspensa por meia hora.  “O foco da CPI não pode ser aquele dado pelo relator”, reclamou Marcos Rogério (DEM-RO), aliado de Bolsonaro. “Também não pode ser o que veio do Palácio do Planalto”, retrucou o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), fazendo referência à revelação de que uma assessora do Planalto redigiu sete requerimentos da base aliada. E, aliás, não qualquer assessora: segundo o blog de Malu Gaspar, Thais Amaral Moura é namorada de Fred Wassef, o advogado da família Bolsonaro que escondeu Fabrício Queiroz em Atibaia. Ela ganha DAS-5, menor apenas do que o dos ministros do governo. 

Os governistas também tentaram arrastar as coisas se recusando a votar o plano de trabalho de Renan, sob alegação de que ainda não tinham tido contato com o documento. Foram tratorados: o plano foi apresentado horas depois da sessão pelo emedebista e por Randolfe em uma coletiva de imprensa – e, de acordo com o relator, não será votado. “O plano é definitivo, não tem espaço para contestações nem será enviado para apreciação. Ele é objetivo e trata das fases da investigação”, disse Renan. 

E o plano de trabalho instala o governo federal no centro das atenções prevendo, por exemplo, que sejam investigados os critérios usados pela União para o repasse de recursos a governos estaduais e municipais – e deixando de fora o que governadores e prefeitos fizeram com o dinheiro. “A tentativa é evitar que eles sejam investigados, como quer o presidente Jair Bolsonaro”, resume a Folha. As assembleias estaduais e câmaras de vereadores podem se encarregar disso, afinal. 

Entre as centenas de requerimentos de informação aprovados ontem, dois receberam destaque na mídia. O primeiro é o pedido para que o Tribunal de Contas da União (TCU) compartilhe 244 processos abertos para acompanhar as ações de combate à pandemia, e também o plano de acompanhamento de 27 ações do governo Jair Bolsonaro que teve como desdobramento o pedido de abertura de processo contra Eduardo Pazuello e alguns de seus correligionários no Ministério da Saúde – e só não foi à frente porque os aliados do Planalto pediram vistas.  

O outro pedido tem como destinatário o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, que conduz o inquérito que investiga a disseminação de notícias falsas contra integrantes da Corte e relata o que apura o envolvimento de empresários e políticos bolsonaristas em atos que pregaram o fechamento do STF, do Congresso e intervenção militar no país. Nesse sentido, como já mencionamos, a ideia é saber se há dedo do Planalto na disseminação de fake news sobre cloroquina, contra o isolamento social e afins.

E os grupos bolsonaristas no WhatsApp já começaram a atacar os integrantes do G7, começando pelo presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), e por Renan. 

A CPI também animou o presidente do Clube Militar, o general da reserva Eduardo José Barbosa, a pedir golpe. Ele publicou ontem um texto que tem o singelo título “O poder das trevas no Brasil“, e insta Jair Bolsonaro a usar as Forças Armadas para garantir “a lei e a ordem”.

Na entrevista coletiva, Renan renovou a sinalização que já tinha feito aos fardados quando a CPI foi instalada: “Nós não vamos investigar os militares, essa narrativa do governo está completamente errada, equivocada, e objetiva apenas uma propaganda”. 

Para completar o quadro, Lula chegará a Brasília na próxima semana para uma série de conversas reservadas sobre os movimentos da CPI e as alianças possíveis para as eleições de 2022. O petista tem encontro marcado com o ex-presidente José Sarney (MDB), por exemplo. 

Diante de tudo isso, ontem o presidente repetiu seu novo mantra: “Nós não estamos preocupados com essa CPI”, disse na transmissão ao vivo das quintas-feiras.

COISA DA CHINA

Paulo Guedes foi flagrado dando endosso à teoria da conspiração, difundida nos meios bolsonaristas, de que o governo chinês criou o SARS-CoV-2 em laboratório. Segundo o ministro da Economia, “o chinês inventou o vírus e a vacina dele é menos efetiva que a do americano”. O “argumento” continua: “O americano tem cem anos de investimento em pesquisa. Os caras falam: qual é o vírus? É esse? Tá bom. Decodifica. Tá aqui a vacina da Pfizer. É melhor que as outras. Então vamos acreditar no setor privado”. Como bem lembrou o G1, o titular da Economia se engana no geral e no detalhe: “a vacina da Pfizer não foi desenvolvida por americanos, mas por um casal de cientistas alemães de origem turca, dono da empresa BioNTech”.

O embaixador da China não perdeu tempo: no Twitter, Yang Wanming lembrou que o país asiático forneceu, até agora, 95% das vacinas e insumos para fabricação de imunizantes usados pelo Brasil – e que 84% das doses aplicadas por aqui são de CoronaVac

Paulo Guedes se viu obrigado a fazer uma retratação: “Eu usei uma imagem infeliz. Nós estávamos em uma reunião interna nossa e falávamos sobre a necessidade do setor privado de saúde complementar nos ajudar no combate à pandemia e como é importante que esse setor privado possa colaborar. E, tratando disso, elogiando o setor privado, usei uma imagem que é o seguinte: veja só, esse vírus que veio de fora e atinge uma economia de mercado forte, como são os EUA e encontra empresas como Pfizer e Roche, como ele consegue produzir respostas”. E emendou: “Eu tomei a CoronaVac”. 

O ministro de Relações Exteriores, Carlos Alberto Françafalou por telefone com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming.

Durante a sua primeira audiência no Congresso, França relatou parte da conversa. Segundo o chanceler, a China se mostrou disposta a exportar uma cota maior de insumos para a fabricação tanto da CoronaVac quanto da vacina da AstraZeneca por aqui. Mas não fica claro quando isso vai acontecer. Ele relatou que os chineses pretender aumentar a produção dos ingredientes farmacêuticos ativos (IFAs) a partir de maio – mas também afirmou que isso acontece no contexto do esforço do país de imunizar 40% de sua população até junho.

Antes, França já havia pedido ao governo chinês que apoiasse a aquisição pelo Brasil de 30 milhões de doses da vacina da estatal Sinopharm e ajudasse no fornecimento de insumos para a produção de 60 milhões de doses da vacina da AstraZeneca. Não há resposta até o momento.

O ministro das Relações Exteriores também falou sobre as pendências com a Índia, que barrou as exportações por conta do recrudescimento da pandemia. Pelo contrato com a AstraZeneca, teríamos direito a oito milhões de doses produzidas pelo Instituto Serum. França se limitou a dizer que está agindo “pelos canais adequados” para que a exportação seja autorizada.

Segundo o brasileiro, não há “passes de mágica” para conseguir vacinas e outros produtos usados no combate à covid-19 de outros países. Ele não quis comentar outros números de circo, como o quanto falas como a de Paulo Guedes atrapalham as negociações.

JOGADA ENSAIADA?

“Incompetência e ineficiência”. Assim o ex-titular da Secretaria de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, resumiu a atuação do Ministério da Saúde na negociação para a compra da vacina da Pfizer. Em entrevista à Veja, o publicitário tentou imputar toda a culpa ao “time” do ex-ministro Eduardo Pazuello – eximindo Jair Bolsonaro de responsabilidade. “Se as coisas não aconteceram, não foi por culpa do Planalto. Ele era abastecido com informações erradas, não sei se por dolo, incompetência ou as duas coisas”, afirmou.

Wajngarten disse que foi procurado por “um dono de veículo de comunicação” que informou que a farmacêutica tinha enviado uma carta ao governo oferecendo milhões de doses de vacinas. “Liguei para a sede e me apresentei. No mesmo dia, o CEO da empresa me retornou. Foi uma conversa surpreendente. Ele relatou o que havia acontecido – ou melhor, o que não havia acontecido. O Ministério da Saúde nem sequer havia respondido à carta”. 

A partir daí, o ex-secretário de comunicação afirma ter aberto “as portas do Palácio do Planalto” à Pfizer. “Convidei os diretores da empresa a vir a Brasília. Fizemos várias reuniões. Fui o primeiro a ver a caixa que armazenava as vacinas a menos 70 graus. Eu também levei a caixa para o presidente Bolsonaro ver”, conta, acrescentando que a empresa estava disposta a “antecipar entregas, aumentar os volumes” e cobrar menos de US$ 10 por dose, bem abaixo dos US$ 30 cobrados de Israel. “Infelizmente, as coisas travavam no Ministério da Saúde”. Segundo ele, por conta das “três famosas cláusulas leoninas do contrato”. 

A Pfizer queria que o foro para a solução de eventuais conflitos fosse baseado em Nova York, também a isenção de responsabilização por eventos adversos causados pelo imunizante e que o Brasil apontasse ativos que cobrissem potenciais danos financeiros com indenização. “Houve várias reuniões para discutir e tentar superar esses obstáculos”, disse à revista. “Quando você tem um laboratório americano com cinco escritórios de advocacia apoiando uma negociação que envolve cifras milionárias e do outro lado um time pequeno, tímido, sem experiência, é isso que acontece”, criticou. 

Wajngarten tenta pintar um quadro em que Bolsonaro e Paulo Guedes estavam de acordo com a compra, mas no meio do caminho havia “a equipe que gerenciava o Ministério da Saúde”. 

A Pfizer ofereceu ao governo brasileiro no dia 15 de agosto a opção de comprar 70 milhões de doses, com entrega prevista a partir de dezembro passado. Quase um mês depois, em 12 de setembro, o CEO mundial da farmacêutica, Abert Boula, enviou uma carta não só a Pazuello, mas também ao presidente brasileiro e ao ministro da Economia, pedindo celeridade nas negociações.  

Há duas interpretações da entrevista circulando na imprensa. Alguns “por integrantes da equipe de Jair Bolsonaro”, teriam recebido a jogada de Wajngarten “como um gesto de canalhice e covardia”. “As palavras foram usadas por um dos ministros do governo, que afirma que, ao atirar no ex-ministro Eduardo Pazuello, Wajngarten fatalmente atinge Bolsonaro, ainda que pareça poupá-lo”, informa a coluna de Mônica Bergamo.

Mas entre deputados “prevalece a leitura de que as declarações de Wajngarten buscam tentar jogar a responsabilidade do agravamento da crise sanitária no colo de Pazuello e foram uma jogada ensaiada entre o ex-chefe da Secom e Bolsonaro”, apurou o Valor. Segundo o jornal, na leitura dos parlamentares a estratégia não foi “bem amarrada”, já que há vários registros oficiais que mostram a ausência de autonomia do ex-ministro da Saúde em relação ao presidente. “Nos bastidores, até mesmo aliados do Centrão falam em ‘jogo duplo de Bolsonaro’, que, na avaliação deles, deu aval para que o ex-secretário fizesse as declarações, enquanto prepara o terreno para acomodar Pazuello em um cargo dentro do Palácio do Planalto”. 

Como efeito concreto, Wajngarten – que já seria ouvido – agora deve ser um dos primeiros convocados pela CPI da Covid. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) já escreveu o requerimento em que o ex-secretário de comunicação falará na condição de testemunha, e pede para que ele disponibilize “e-mails, registros telefônicos, cópias de minutas do contrato, dentre outras provas para confirmar sua afirmação”.

Wajngarten também tem muito a explicar pela sua atuação na Secretaria de Comunicação. Para ficar em um exemplo: foi na sua gestão que foi veiculada a campanha publicitária “O Brasil não pode parar”, que estimulava a livre circulação de pessoas e vírus e só foi tirada do ar porque a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do MPF ameaçou processá-lo por improbidade administrativa. 

Wajngarten foi indicado ao governo por Meyer Nigri, dono da construtora Tecnisa – que também teria sido responsável pela indicação de Ricardo Salles e de Nelson Teich. 

TREINE SEU GENERAL

O governo teme que Eduardo Pazuello se descontrole na CPI da Covid da mesma forma como perdeu as estribeiras na despedida do Ministério da Saúde, quando afirmou que existe um esquema de distribuição de verbas – ou “pixulé” – para favorecer políticos na pasta.

Para evitar mais ‘revelações’, o general da ativa usará seu tempo para se “debruçar sobre uma série de documentos, dados e informações oficiais que reforcem a narrativa de que o governo não foi omisso na pandemia nem na crise do oxigênio em Manaus”, diz O Globo.  

É sempre bom lembrar que esse intensivo de Pazuello será pago pela Viúva, já que o militar está para receber um cargo na Secretaria-Geral da Presidência. E o melhor de tudo é que o chefe do general, ministro Onyx Lorenzoni, foi escalado para treiná-lo e “evitar que o ex-ministro se desestabilize diante da pressão”.

Não é só. Segundo o jornal, Pazuello terá à sua disposição um grupo de trabalho formado por integrantes de diferentes ministérios. E quem vai reunir as informações necessárias para responder aos questionamentos da CPI é outro investigado em potencial: o coronel Élcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, nomeado assessor especial da Casa Civil na última sexta-feira. 

O GT é uma ideia do ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, e deve se reunir semanalmente no Planalto, para elaborar um roteiro que será utilizado para integrantes do governo se defenderem na CPI. Dentre os participantes, estão servidores da Saúde, Defesa, Economia, do Itamaraty, Comunicações, da Advocacia-Geral da União (AGU), Controladoria-Geral da União (CGU) e Secretaria de Governo, entre outros. 

Nesse sentido, a Casa Civil pediu a vários ministérios um relatório de todas as ações tomadas no combate à pandemia, principalmente em relação a 23 acusações mapeadas pelo próprio governo. Estão na lista a negligência na compra de vacinas, a promoção do mentiroso “tratamento precoce” contra a covid-19, a militarização do Ministério da Saúde, a minimização da gravidade da pandemia, a ausência de incentivo à adoção de medidas restritivas para reduzir o contágio pela doença, etc.

REAFIRMAÇÃO COMO ESTRATÉGIA

Além do cargo e do treinamento, Eduardo Pazuello também tem recebido convites para viagens e elogios de Jair Bolsonaro. Além da ida ao interior de Goiás semana retrasada, na sexta-feira o general da ativa foi levado a… Manaus. 

No epicentro de uma das piores crises do governo durante a pandemia, o presidente recebeu uma homenagem da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas: o título de cidadão amazonense

Bolsonaro afirmou que a homenagem “é sinal” de que seu trabalho e o de Pazuello “foi muito bem feito”. Simpatizantes de Bolsonaro, que se aglomeraram com permissão dos organizadores do evento, gritavam “Pazuello governador”. 

Mais tarde, já sob o efeito da entrevista de Fábio Wajngarten, o presidente afirmou que o general não teve culpa pelo atraso na compra da vacina da Pfizer. “Seria uma irresponsabilidade do governo despender recursos para algo que ninguém sabia o que era ainda porque não estava ainda no mercado”. É claro que ele se esquece que o contrato com a AstraZeneca foi assinado muito antes de a vacina ter seu uso emergencial aprovado pela Anvisa… 

Em Manaus, afirmou que o Exército pode ir “para a rua” para, segundo ele, reestabelecer o “direito de ir e vir e acabar com essa covardia de toque de recolher”.

E na quinta-feira, durante a transmissão ao vivo, Bolsonaro voltou a falar em hidroxicloroquina – ou melhor, de “um negócio” que tomou que serve para tratar malária, artrite e lúpus, numa referência clara ao medicamento. 

Ligando todos esses pontos, senadores que compõem a CPI da Covid enxergam que está em curso uma tentativa de Bolsonaro de mobilizar a sua base para compensar a vulnerabilidade no colegiado. “Em caráter reservado, parlamentares que preferem não se identificar afirmam que a posição de Bolsonaro provavelmente reflete uma nova estratégia, a de partir para o confronto fora do ambiente da CPI, uma vez que não terá controle sobre o andamento das investigações”, informa a Folha.

Por Outra Saúde

TORTURA

Rodrigo Pilha, preso no dia 18 de março por estender uma faixa chamando o presidente Jair Bolsonaro de genocida, foi espancado e torturado na prisão e tem dormido no chão desde quando foi privado de sua liberdade. Ou seja, há exatos 41 dias. Enquanto esteve na Polícia Federal prestando depoimento, Pilha foi tratado de forma respeitosa, mas ao chegar no Centro de Detenção Provisória II, área conhecida como Covidão, em Brasília, alguns agentes já o esperavam perguntando quem era o petista.

A recepção de Pilha foi realizada com crueldade. Ele recebeu chutes, pontapés e murros enquanto ficava no chão sentado com as mãos na cabeça. Enquanto Pilha estava praticamente desmaiado, o agente que o agredia, e do qual a família e advogados têm a identificação, perguntava se ele com 43 anos não tinha vergonha de ser um vagabundo petista. E dizia que Bolsonaro tinha vindo para que gente como ele tomasse vergonha na cara.

Na cela, Pilha foi recebido pelos outros presidiários com solidariedade e respeito. Mas durante à noite esses mesmos agentes foram fazer uma blitz na cela e deixaram todos pelados e os agrediram a todos com chutes e pontapés. Com Pilha, foram mais cruéis. Esparramaram um saco de sabão em pó na sua cabeça, jogaram água e depois o sufocaram com um balde. Todos foram avisados que estavam sendo agredidos por culpa de Pilha. Do petista que não era bem-vindo na cadeia.

A tentativa dos agentes que se diziam bolsonaristas de estimular a violência dos colegas de cela contra Pilha não deu resultado. Pelo contrário, Pilha ficou 22 dias só com uma bermuda, uma cueca e uma camiseta que lhe foram doados por colegas de cela. Não lhe foi oferecida nenhuma roupa.

Como também ficou sem contato com a família neste período inicial, era na camaradagem com outros presos que Pilha conseguia comer uma bolacha, uma fruta ou outros produtos que podem ser comprados.

Atualmente, Pilha está trabalhando por 6 horas todos os dias e com isso consegue ficar fora do presídio das 14h30 às 20h30. Mas tem que voltar para a cela todas as noites, onde convive com outros colegas, com baratas e escorpiões, por exemplo. Seus advogados estão tentando conseguir progressão de pena com base em leituras e cursos, mas têm tido dificuldade.

Sem essa progressão, Pilha permanecerá como preso político até o dia 4 de julho e sua vida continuará em risco até esta data.

O humorista, escritor e ator, Gregório Duvivier, comentou em sua conta do Twitter as denúncias de tortura na cadeia contra o ativista Rodrigo Pilha. Para Duvivier, “o que aconteceu lá dentro é hediondo”.

GENTE DE BEM

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o Fies, programa federal para estudantes de baixa renda financiarem mensalidades do ensino superior, é "bolsa para todo mundo" e "um desastre". Em reunião do Conselho de Saúde Complementar na última terça (27), Guedes contou de forma anedótica que "o filho do porteiro do prédio" tirou zero em todas as provas e conseguiu financiamento.

"Teve uma bolsa do governo, o Fies, uma bolsa pra todo mundo. [....] O porteiro do meu prédio virou pra mim e falou: 'Eu tô muito preocupado'. Eu disse: 'O que houve?' Ele disse: 'Meu filho passou na universidade'. Eu: 'Ué, mas vc não tá feliz por quê? Ele: '[Meu filho] tirou 0 na prova. Tirou 0 em todas as provas. Recebi um negócio financiado escrito 'parabéns seu filho tirou...' Aí tinha um espaço pra preencher... e lá 0. Seu filho tirou 0 e acaba de se ingressar na nossa escola. Estamos muito felizes."

O Fies é um programa de financiamento para estudantes cursarem o ensino superior em universidades privadas. Oferece vagas com juro zero para estudantes com renda mensal familiar de um a três salários mínimos e com juros variáveis para alunos com renda mensal familiar de até cinco salários mínimos.

GENTE DE BEM 2

O presidente do Clube Militar, general Eduardo José Barbosa, publicou um texto em defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e contra a CPI da Covid, que investigará omissões do atual governo diante da crise sanitária. Na nota, intitulada Pensamento do Clube Militar: o Poder das Trevas no Brasil, Barbosa critica o Supremo Tribunal Federal (STF) e diz que o ex-presidente Lula (PT) representa "as trevas".

O general ainda ironiza o uso de máscaras contra a covid-19, afirmando que o objetivo da CPI é culpar Bolsonaro. "O resultado dessa 'investigação' todos já sabemos: culpar o Presidente por aquilo que não o deixaram fazer. Ou por não usar as máscaras utilizadas por alguns para se esconder da população", diz o texto, pedindo em seguida que Bolsonaro tome medidas contra os demais poderes.

"Se neste cenário atual, o Poder Executivo, único dos três poderes que está sendo obrigado a seguir a constituição a risca, que utilize o Art. 142 da Constituição Federal (vigente) para restabelecer a Lei e a Ordem. Que as algemas voltem a ser utilizadas, mas não nos trabalhadores que querem ganhar o sustento dos seus lares, e sim nos verdadeiros criminosos que estão a serviço do Poder das Trevas", finaliza.

O Clube Militar é formado por oficiais da reserva, ou seja, não tem comando de tropas. Membros do Clube se posicionaram recentemente em defesa de uma "ruptura" após decisão do STF que anulou os processos contra Lula na Lava Jato. Um ano e meio antes das eleições presidenciais de 2022, o petista desponta como favorito.

FRASES DA SEMANA

“Sempre falei que as pessoas mais vulneráveis, as pessoas que têm comorbidades, têm idade, têm excesso de peso, esse pessoal tem que tomar um cuidado especial. Se o vírus pega, complica a situação deles. Lamentamos as mortes”. (Bolsonaro, no dia dos 400 mil mortos pela Covid)

“Crianças com 9, 10 anos, não sabem ler, sabem tudo, com todo respeito às senhoras aqui presentes, sabem até colocar uma camisinha, mas não sabe que ‘b’ mais ‘a’ é ‘ba’, está na hora de dar um basta nisso”. (Milton Ribeiro, ministro da Educação)

“Eu não errei em nada [ao falar sobre a covid]. Eu não tenho bola de cristal nem chuto. Eu converso com as pessoas. Quem frequenta a praia, [por exemplo], tem menos chances de ter problema”. (Jair Bolsonaro, no encontro diário com seus devotos nos jardins do Palácio da Alvorada)

“É interferência indevida que subtrai a liberdade do Senado. Medida orquestrada pelo governo Bolsonaro. A CPI é investigação constitucional do Legislativo e não uma atividade jurisdicional.” (Renan Calheirosalvo de decisão judicial para barrá-lo como relator da CPI da Covid)

“Errei ao votar em Bolsonaro e assumo isso. Como eu, milhões de outros brasileiros também votaram em Bolsonaro, contra o projeto do PT, e cometemos um grave equívoco. Eu assumo tacitamente isso. Mas não vou errar novamente”. (João Doria, PSDB, governador de São Paulo)

“Pesquisa não é uma coisa que você pode ligar e desligar a chave assim. Coisas essenciais como vacina e remédios nacionais dependem de orçamento. Não dá para fazer isso sem orçamento.” (Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia, sem dinheiro para fazer grandes coisas)

“Quem tem que julgar a conduta das pessoas é a História. Não sou eu. Minha função não é ficar vigiando as atitudes do presidente da República”. (Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, sem dizer o motivo pelo qual nem sempre Bolsonaro usa máscara contra o vírus)


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Colunista

Victor Barone

Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


Saiba mais sobre Victor Barone...