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Terça-Feira 19.out.2021

Ano X - Nº 463

Coluna Zapping Visual

Com poucas novidades diante do antecessor, iPhone 13 deveria se chamar 'iPhone 12S'; veja mudanças

Melhorias discretas aconteceram na bateria e na câmera, reduzindo o apelo para quem deseja trocar de smartphone

Postado em 16 de Setembro de 2021 - Giovanna Wolf e Guilherme Guerra - O Estado de S. Paulo

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Usualmente, na família iPhone, atualizações com "S" tendem a ser menos empolgantes e apresentam caráter de atualização, como no iPhone 3GS (2009), iPhone 4S (2011), 6S (2015) e XS (2018). A nomenclatura foi abandonada entre o iPhone 11 e o iPhone 12. Mas, dada a ausência de grandes novidades, o iPhone 13, lançado nesta terça, 14, poderia retomar a tradição e ser batizado de "iPhone 12S".

De modo geral, o iPhone 13 traz o mesmo design quadrangular e de bordas achatadas do antecessor, inspirado no clássico iPhone 4 (2010). E também está disponível em quatro tamanhos (iPhone 13 mini, iPhone 13, iPhone 13 Pro e iPhone 13 Pro Max). Ainda, traz o mesmo conjunto de lentes: grande-angular, angular e telefoto (esta apenas nos modelos Pro), sem grandes saltos na qualidade de um sistema reconhecido por apresentar bons resultados. Por fim, segue mantida a possibilidade de conexão móvel 5G (sem previsão de habilitação no Brasil, no entanto).

"Este ano foi basicamente uma atualização do que foi revelado no ano passado, mais focada em câmeras e baterias", resume o professor Eduardo Pellanda, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). "São mudanças bacanas para quem tinha iPhones mais antigos, porque a Apple geralmente imagina um ciclo de troca de no mínimo dois anos para as pessoas." 

Veja o que muda de uma geração para a outra.

Bateria

Principal dor para os usuários da marca, a bateria do iPhone 13 ficou maior, o que pode parecer uma boa notícia. Isso acontece devido à maior eficiência do novo chip (A15 Bionic, de 5 nanômetros) e a ganhos de espaço interno do aparelho, permitindo que fosse inserida uma maior placa de bateria.

Porém, o ganho é frustrante: o iPhone 13 Pro vai durar apenas 1,5 hora a mais que o antecessor e o Pro Max, 2,5 horas. São os mesmos números do mini e do modelo tradicional, na comparação com seus antecessores. Assim, os smartphones ainda ficam abaixo da concorrência em independência da tomada.

Câmera

Agora posicionadas na diagonal, as câmeras duplas do iPhone 13 melhoram a qualidade da imagem em ambientes com pouca luz. Em outras palavras, as fotos ficam melhor iluminadas, principalmente naquelas tiradas com a lente ultra-angular. 

Já o conjunto triplo de câmeras do iPhone 13 Pro (e Pro Max) também traz visualização "macro", podendo fazer aproximação em objetos a até 2 centímetros de distância da lente — modo ideal para fotografias de insetos e flores, por exemplo. É algo já usado no Android e que não costuma fazer sucesso. 

Os modelos mais profissionais também têm outro recurso exclusivo, em que é possível pré-editar a foto, como alterar o contraste e tom da imagem antes de capturar a imagem.

A grande novidade alardeada pela Apple é o "modo cinemático": durante a gravação do vídeo, o smartphone pode ajustar o foco da imagem automaticamente, dando profundidade às cenas. É uma melhoria de software com cara de atualização já vista em outros Androids. 

Apesar dos rumores nos últimos meses, ficou de fora a chegada do sensor de realidade aumentada LiDAR no iPhone 13 mini e iPhone 13 — até então, o recurso segue como exclusivo dos modelos "Pro". 

Armazenamento

Mais armazenamento foi uma das grandes novidades do dia. Conforme as fotos e vídeos vão ficando mais potentes, mais espaço no celular esses arquivos ocupam. Essa é a principal razão pela qual a Apple vem investindo em expandir o armazenamento do iPhone.

Neste ano, o iPhone 13 e iPhone 13 mini podem ser encontrados com capacidade de memória a partir de 128 GB, o dobro dos antigos 64 GB mínimos vistos em 2020. Outras possibilidades são 256 GB e 512 GB.

Já o Pro e Pro Max vêm em quatro opções: 128 GB, 256 GB, 512 GB e, pela primeira vez, 1 TB, tamanho que é quase o dobro dos 512 GB.

"A grande manchete de hoje é a introdução da opção de 1 terabyte, o que é um potencial divisor de águas para o mercado", aponta o analista da consultoria americana WedBush, Dan Ives. 

Tela

Disponível em celulares Android há anos, a taxa de atualização de tela do iPhone 13 Pro e iPhone 13 Pro Max agora atinge o limite de 120 Hz. Na prática, isso significa que animações, vídeos e jogos rodam melhor na tela, com mais suavidade e menos engasgos. Chamado de ProMotion, a tecnologia já estava disponível no iPad Pro desde 2017. É um detalhe que nem todo mundo vai perceber. 

O professor Eduardo Pellanda, da PUC-RS, aponta que a taxa de atualização a 120 Hz costuma consumir mais bateria dos aparelhos, como é visto em em smartphones Android. "Mas o iPhone 13 promete bateria melhor, inclusive com essa função ativada", diz. "Por isso a Apple demorou para adotar o recurso, porque não queria sacrificar a bateria por essa função, que é mais discreta para o usuário."

Desapontando muitos usuários, a Apple não levou para o iPhone um recurso muito comum nos celulares Android: a tela sempre ativa, algo já visto no Apple Watch Series 6 (2020). Na prática, a função permitiria deixar o aparelho com o relógio à mostra, sem precisar interagir com o dispositivo para acender a tela.

Entalhe

A Apple tornou menor o "entalhe" no topo da tela do iPhone, ocupando menos espaço na tela. Como se fosse uma "franjinha" no topo do aparelho, o entalhe foi apresentado em 2017, no iPhone X, para acomodar o leitor de reconhecimento facial (Face ID) e a câmera de selfie. Apesar da tecnologia, isso incomoda alguns usuários, que reclamam que a solução atrapalha a navegação. A redução dele, porém, foi quase imperceptível - muitos ainda esperam por soluções mais próximas das adotadas por nomes como Samsung e Xiaomi, que conseguem mais espaço com apenas um "furo" na tela, ou com as lentes escondidas acima do painel. 

Nova cor

Pode parecer bobo, mas muita gente escolhe o smartphone pela cor do aparelho. Neste ano, o iPhone 13 mini e iPhone 13 são encontrados em cinco cores: preto, branco, azul-marinho, vermelho e a estrante lilás.

Para o iPhone 13 Pro e iPhone 13 Pro Max, as cores são cinza espacial, prateado, dourado e azul, todas com revestimento em aço escovado, dando um aspecto mais luxuoso.

Mais barato

Apesar da alta do dólar, que tem impactado o mercado de tecnologia, os smartphones da Apple ficaram ligeiramente mais baratos na comparação com os lançamentos de 2020.

O iPhone 12 Pro de 128 GB de armazenamento de memória, por exemplo, foi lançado à época com preço de R$ 10 mil, enquanto a versão equivalente de 2021 sai por R$ 9,5 mil. O mesmo vale para o iPhone 13 Pro Max de 512 GB, que sai hoje por R$ 13,5 mil – enquanto o “irmão” mais antigo, com a mesma capacidade, foi vendido por R$ 14 mil no momento do lançamento.

O que é seu está guardado

Talvez a própria Apple saiba que o smartphone deste ano não traz grandes novidades. Antes mesmo do lançamento desta terça, já havia rumores para 2022, quando deve ser lançado o que pode ser o iPhone 14, como a retirada por completo da entrada Lightning (que permite o carregamento na tomada), o fim da "franjinha" ou a inclusão do leitor biométrico Touch ID por debaixo da tela. Mas isso é outra história.


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