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Quarta-Feira 29.set.2021

Ano X - Nº 461

Coluna Zapping Visual

Ficar dependente da nuvem não é seguro; saiba como armazenar seus dados

Nova ferramenta da Apple é um lembrete de quanto o armazenamento de dados digitais mudou ao longo do tempo; backup híbrido é a melhor opção para proteção

Postado em 08 de Setembro de 2021 - Por Brian X. Chen - The New York Times

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Estamos armazenando cada vez mais fotos, documentos e vídeos online. Mas quanto desses arquivos ainda nos pertencem de verdade? Esta é a questão que veio à tona nas últimas semanas, por causa de uma mudança que está chegando aos iPhones: a Apple anunciou uma ferramenta para vasculhar arquivos salvos em nuvem e sinalizar casos de abuso sexual infantil.

O debate tem implicações para a privacidade online e a vigilância governamental e também destaca como o armazenamento de nossos dados digitais mudou ao longo do tempo, levantando preocupações sobre as maneiras como devemos nos conduzir em termos tecnológicos.

Em um primeiro momento, a nova ferramenta da Apple, que será incluída na próxima atualização de software para os iPhones, até parece uma boa ideia. O sistema funciona escaneando determinado iPhone em busca de um código vinculado a um banco de dados conhecido pela pornografia infantil quando as fotos do dispositivo são carregadas para o iCloud, o serviço de armazenamento em nuvem da Apple. Quando houver um determinado número de correspondências, um funcionário da Apple analisará as fotos antes de fazer a denúncia para autoridades. 

Porém, alguns especialistas em segurança cibernética argumentaram que o sistema de sinalização de conteúdo era invasivo e infringia a privacidade das pessoas. Eles alertaram que a Apple estava criando um precedente que facilitaria para países com forte vigilância, como a China, aprovar leis que poderiam exigir que a empresa usasse a tecnologia para outros fins, como identificação de imagens políticas desfavoráveis a um governo autoritário.

“Eles disseram que não têm planos de fazer coisas piores com essa tecnologia, mas, neste momento, essa posição parece ingenuamente otimista”, disse Erica Portnoy, da Electronic Frontier Foundation, organização sem fins lucrativos de direitos digitais.

Em resposta à reação, a Apple publicou na semana passada um documento explicando que o novo sistema não fará a varredura nas galerias de fotos do iPhone das pessoas. Além disso, a tecnologia de identificação deixará de funcionar se as pessoas desativarem a biblioteca de fotos de seu iPhone para fazer backup de imagens no iCloud, disse um porta-voz da empresa.

Mas, independentemente de como se desenrole, este episódio da Apple é um lembrete de quanto nosso armazenamento de dados digitais mudou. No passado, a maioria de nós armazenava nossas fotos digitais em drives de computadores pessoais e em pen drives de USB – ou seja, elas ficavam sob nossa posse. Agora, cada vez mais armazenamos nossos documentos e outras informações na “nuvem”, onde grandes empresas como Apple, Google e Microsoft hospedam os dados em seus servidores. No processo, essas empresas ganharam muito mais poder sobre nossas informações.

Por isso, é aconselhável ter uma estratégia de saída para puxar seus dados da nuvem caso você queira sair desse sistema. Basta ter um pouco de planejamento.

Nos últimos anos, adotei uma abordagem híbrida de armazenamento de cópias de meus dados online e offline, para que possa colher os benefícios da nuvem, mas também manter a propriedade independente de meus dados. Meus esforços culminaram na criação de um servidor online em casa, que é essencialmente uma nuvem privada.

Confira abaixo um passo a passo de como fiz tudo isso, junto com outras medidas para uma abordagem híbrida de armazenamento de dados.

Backup híbrido

Muita gente se acostumou a fazer backup automático de dados nos servidores online da Apple, do Google e da Microsoft. Esses serviços em nuvem são convenientes e seu uso garante que seus dados sejam armazenados em um backup na internet periodicamente.

Mas a melhor prática é a híbrida. A empresa de proteção de dados Acronis recomenda que você armazene cópias locais em unidades físicas também. É bom ter um backup local para quando você não tiver conexão com a internet e precisar de acesso imediato a determinado arquivo.

Felizmente, não é difícil criar um backup local. A primeira etapa é fazer o backup seguro de todas as suas informações digitais em outro dispositivo.

Para fotos do iPhone, a opção mais simples é fazer backup das imagens em um computador. Em um Mac, você precisa conectar seu iPhone, abrir o aplicativo Fotos da Apple e importar todas as suas fotos. No Windows, você pode usar o aplicativo Windows Photos para fazer o mesmo. E, se quiser ser mais minucioso, você pode fazer um backup de todos os dados do seu iPhone com a ferramenta Finder no Mac ou o aplicativo iTunes no Windows.

A partir daí, você pode criar um backup dos dados do seu computador em uma unidade externa que se conecte ao seu computador. Aplicativos como Time Machine da Apple para Macs ou File History para Windows cuidarão disso para você.

Agora que retirou as fotos do celular, você pode decidir o que fazer a partir daí, como excluí-las da nuvem e transferi-las para outro serviço de nuvem, como o Google Fotos. Apenas lembre-se de não ficar totalmente dependente da nuvem.

Configuração extrema: uma nuvem pessoal

Também existe uma versão extrema do backup híbrido, que é o que eu faço, mas não recomendo para todo mundo. A ideia é configurar um dispositivo de armazenamento conectado à rede, que é um servidor em miniatura que se conecta ao seu roteador de internet e fornece acesso remoto aos seus dados. É como ter uma “nuvem privada” em sua casa.

Construir um servidor não é simples. Primeiro, porque não é fácil usar o software. Segundo, porque não é barato. Um dispositivo de armazenamento conectado à internet, como o Synology DS220+, custa cerca de US$ 300 e os discos rígidos devem ser comprados separadamente.

Mas descobri que valeu a pena o tempo e o investimento. Conecto meu telefone ao meu Mac semanalmente, para fazer o backup de dados do celular para o computador. E, quando estou dormindo, o Mac faz o backup de seus dados no meu miniservidor.

Não é tão perfeito quanto o armazenamento na nuvem de uma empresa, mas é bem conveniente – além disso, eu estava cansado de pagar por várias assinaturas de serviços em nuvem.

TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU


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