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Domingo 26.mai.2019

Ano VII - Nº 352

Poder

Quem é e o que pensa o novo ministro da Saúde

Luiz Henrique Mandetta responde a um inquérito sobre sua atuação como secretário de saúde de Campo Grande e é investigado por fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2

Postado em 23 de Novembro de 2018 - Outra Saúde

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O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) confirmou que o novo ministro da Saúde vai ser o ortopedista e deputado estadual Luiz Henrique Mandetta (DEM). Atualmente, ele responde a um inquérito sobre sua atuação como secretário de saúde de Campo Grande, e é investigado por fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2 em contrato para implementar um sistema de informatização. Afirmou já ter conversado com o presidente eleito sobre isso “antes de todos esses anúncios”. Bolsonaro disse à imprensa que “ele nem é réu ainda“; se houver “qualquer denúncia ou acusação robusta, não fará mais parte do nosso governo”.

Mandetta é, por enquanto, o terceiro ministro do DEM. Os outros são a deputada Tereza Cristina, a musa do Veneno, que vai para a Agricultura, e Onyx Lorenzoni (RS), que será ministro da Casa Civil. Bolsonaro nega que o partido seja seu maior aliado. 

O futuro ministro da Saúde já atuou no Hospital Militar e no Hospital Geral do Exército, no Rio. Deu parecer favorável a um projeto que revoga a permissão para o capital estrangeiro na saúde, aprovada no governo Dilma. Também é contra a proposta dos planos de saúde populares de Ricardo Barros e já defendeu mais recursos para a Saúde, ao contrário de Bolsonaro. O professor da USP Mário Scheffer disse ao Estadão que é “um bom nome”. “Resta saber se neste governo e sem recursos conseguirá manter esses compromissos”, ponderou, lembrando que Mandetta foi diretor da Unimed e recebeu financiamento da Amil em sua campanha de 2014.

Mandetta pretende se reunir logo com o atual governo para entender os impactos do fim do convênio com Cuba no Mais Médicos. E nunca escondeu sua rejeição. Integrou um grupo que tentou frear o avanço no Congresso da lei que criava o Programa, argumentando que, sem o Revalida, significaria saúde de segunda categoria para os mais pobres (o que não se confirmou, como mostram os resultados). Propunha então uma carreira de estado para médicos, começando em cidades menores e progredindo para as maiores. Ontem mesmo, disse que o Mais Médicos parecia “um convênio entre Cuba e o PT, e não entre Cuba e o Brasil“.

Há quatro anos, falou algo similar na Rádio Câmara, como lembra Letícia Fernandes, no Globo: “A Opas é uma espécie de gato, ela é só por onde o dinheiro viaja. Eles ficaram com vergonha de fazer direto Brasil-Cuba porque seria questionado em cortes internacionais, na OIT, então usaram a Opas, que é presidida por um cubano, só para passar dinheiro e para se eximir de responsabilidade”. Afirmou sentir “vergonha” da CUT e da imprensa, por não terem repercutido de forma suficiente o caso de uma cubana que desertou do Mais Médicos por conta da retenção dos recursos pelo governo.

O fim da parceria

O Ministério da Saúde publicou ontem o novo edital do Mais Médicos. Foram abertas 8.517 vagas para atuação em 2.824 municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Os 8.322 médicos cubanos devem deixar o país até o dia 12 de dezembro, e quase 200 já saíram. Bolsonaro acredita mesmo que estes não eram apenas médicos, mas “militares e agentes cubanos que estavam aqui dentro”.

Não vai ser fácil. O integrante da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares Thiago Henrique Silva explica as vagas preenchidas pelos profissionais cubanos já haviam seguido o mesmo modelo do novo edital, tendo sido oferecidas aos brasileiros antes.

O futuro ministro criticou o edital. “O Ministério da Saúde anunciou o edital que ficaria aberto 72 horas. Em 72 horas, o profissional médico tem que decidir se vai para algum local do do país. É muita improvisação, é muita gambiarra. Tem que sentar, tem que fazer planejamento correto, e depois ir seguindo as etapas dentro de princípios”, falou à Rádio Câmara.


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