Semana On

Quinta-Feira 21.mar.2019

Ano VII - Nº 342

Coluna

Militares e direitopatas dão suporte ao führer do Bananistão

A semana política, do jeito que eu vi. Com o jornalista Victor Barone

Postado em 14 de Novembro de 2018 - Victor Barone

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O Exército está preocupado com o risco de politização dos quartéis na esteira da eleição do capitão reformado Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência. Seu comandante, general Eduardo Villas Bôas, quer estabelecer uma linha divisória entre instituição e governo. “A imagem dele como militar vem de fora. Ele é muito mais um político. Estamos tratando com muito cuidado essa interpretação de que a eleição dele representa uma volta dos militares ao poder. Absolutamente não é”, disse, em entrevista ao jornal Folha de SP no Quartel-General do Exército.

Mourão acha que não

O general Hamilton Mourão, vice-presidente eleito na chapa de Bolsonaro, descartou por sua vez qualquer risco de politização dos quartéis durante o novo governo. Villas Bôas disse que sempre é possível que “interesses pessoais venham a penetrar” no ambiente militar, o que seria um “risco sério”. “Não concordo”, diz Mourão. “As Forças Armadas vão continuar como sempre estiveram”.

Azevedo e Silva também deu pitaco

Também em entrevista ao jornal Folha de SP, o futuro ministro da Defesa, o general da reserva Fernando Azevedo e Silva, 64, diz que as Forças Armadas estão vacinadas em relação à política. Assessor do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, o general considera que a imagem do Exército não está "colada" à de Bolsonaro, que é um capitão reformado e tem um general da reserva como vice.

Lula solto seria risco

O comandante do Exército, general Villas Bôas se manifestou publicamente pela primeira vez depois que fez advertências, em redes sociais, na véspera do julgamento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) negou habeas corpus ao ex-presidente Lula. Na ocasião, o militar escreveu uma mensagem de "repúdio à impunidade" e que o Exército brasileiro "se mantém atento às suas missões institucionais". A mensagem, linda no final do Jornal Nacional (TV Globo) daquele 3 de abril, soou como uma ameaça de ação militar em caso de soltura do presidente, que viria a ser preso quatro dias depois, em 7 de abril.

"Eu reconheço que houve um episódio em que nós estivemos realmente no limite, que foi aquele tuíte da véspera da votação no Supremo da questão do Lula. Ali, nós conscientemente trabalhamos sabendo que estávamos no limite. Mas sentimos que a coisa poderia fugir ao nosso controle se eu não me expressasse. Porque outras pessoas, militares da reserva e civis identificados conosco, estavam se pronunciando de maneira mais enfática. Me lembro, a gente soltou [postagem no Twitter às] 20h20, no fim do Jornal Nacional, o William Bonner leu a nossa nota", recorda o militar.

Na ocasião, internautas interagiram com o militar e alguns até o apoiaram, mas houve forte reação de outros seguidores e de grupos da sociedade civil organizada. Mas Villas Bôas minimiza as críticas que recebeu.

"Do pessoal de sempre, mas a relação custo-benefício foi positiva. Alguns me acusaram... de os militares estarem interferindo numa área que não lhes dizia respeito. Mas aí temos a preocupação com a estabilidade, porque o agravamento da situação depois cai no nosso colo. É melhor prevenir do que remediar", acrescentou o general.

STF incomodado

As declarações do general Villas Bôas (leia acima) incomodaram o Supremo Tribunal Federal (STF). As frases foram entendidas como uma insinuação de que o Exército poderia ter feito algum tipo de intervenção se Lula ficasse solto. Alguns magistrados trocaram mensagens entre si lembrando a manifestação do decano do tribunal, Celso de Mello, no julgamento do habeas corpus, em que repeliu o pronunciamento do general.

Sem citar Villas Bôas, ele então disse que, em situações graves, “costumam insinuar-se” pronunciamentos “que parecem prenunciar a retomada, de todo inadmissível, de práticas estranhas (e lesivas) à ortodoxia constitucional, típicas de um pretorianismo que cumpre repelir”.

Mello disse ainda que as declarações lembravam a de Floriano Peixoto, no século 19: “Se os juízes concederem habeas corpus aos políticos, eu não sei quem amanhã lhes dará o habeas corpus de que, por sua vez, necessitarão”.

Questionado, o general Mourão também comentou o fato. Se Lula seguisse solto, diz ele, “seria um ato unilateral do STF. Haveria uma revolta no conjunto da nação. Mas a decisão teria que ser aceita”.

PT incomodado

O Partido dos Trabalhadores (PT) reagiu às declarações do comandante do Exército, general Villas Bôas (leia acima), e considera que o militar admitiu ter interferido diretamente para impedir o STF de conceder habeas corpus ao ex-presidente Lula. 

A comissão executiva nacional do PT divulgou uma nota de repúdio à tutela militar no Twitter, rede usada também para as manifestações individuais da presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, dos deputados federais Paulo Pimenta e Wadih Damous (PT), e Ivan Valente (PSOL).

Preocupação

A sucessão de entrevistas e de outras presenças de generais no jornalismo comprova, por si só, a relevância preocupante dada pela opinião pública ao retorno dos militares à superfície política, afirma o jornalista Jânio de Freitas. Alguns deles, em especial o comandante do Exército e o vice-presidente eleito, esforçam-se para negar riscos inquietantes. Sem maior êxito. E não é provável que a desconfiança arrefeça no futuro governo.

A advertência do comandante do Exército contra a possibilidade de decisão favorável a Lula —ou não haveria motivo para a nota— não ficou "realmente no limite". Foi pressão explícita sobre os julgadores.

A coragem cívica não é, historicamente, uma qualidade do alto Judiciário brasileiro. Foi com isso que a decisão da nota contra "a impunidade" contou. Muito além do limite. E este é, em síntese, o grande problema: a noção de limite é diferente para os civis e para os militares.

“Os limites civis estão demarcados na Constituição e nas leis. As quais não admitem indução, não importa o seu sentido, de autoridade militar em decisão da Justiça civil. Os limites de militares, em sua noção ainda vigente, estão sujeitos a fatores diversos, dependentes sobretudo da presença ou ausência de desenvolvimento político e consciência institucional”, alerta Jânio.

Eu não

Apesar de ter sido fotografado durante uma autuação do Ibama, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), omitiu que foi flagrado pescando em área de proteção ambiental, em 2012. “Eu fui multado em R$ 10 mil na baía de Angra. Data, se não me engano, foi 12 de março de 2012. Mas o que eu me lembro perfeitamente é que foi numa terça-feira, 12h20. Só que, às 15h30, apareceu a primeira digital minha no painel de presença na Câmara. Então, eu não estava lá”, disse Bolsonaro, em live (ao vivo) do Facebook. 

Troca de farpas

Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) trocaram farpas pelas redes sociais após uma declaração do tucano de que retórica do novo governo pode prejudicar a imagem do Brasil, principalmente em relação à China, maior parceiro comercial do país. Bolsonaro, em resposta, publicou em sua página no Twitter uma foto do ex-presidente deitado numa poltrona, com as pernas erguidas, segurando um livro, legendado apenas com o nome do tucano.

Após a repercussão, FHC respondeu ao tuíte do presidente eleito: "A desinformação é péssima conselheira. Na foto do Twitter do presidente eleito, eu apareço lendo um livro de ex-premiê da China, deposto e preso, que critica o regime. Isso aparece como 'prova' de que sou comunista. Só faltava essa. Cruz, credo!"

Razoáveis

Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse que não se apresentaria novamente como candidato a presidente do Brasil porque é “um homem razoável e as pessoas razoáveis já não têm espaço num país polarizado.”

Fascista

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse que Bolsonaro não é um fascista. “O fascismo é algo organizado. Ele representa um autoritarismo que pode ter qualquer tipo de base ideológica.”  Disse que é preciso esperar e que faria resistência se houvesse “qualquer tentativa autoritária, a isso é preciso colocar freio.”

Socialista

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) voltou a classificar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) como socialista. "O socialismo não deu certo em lugar nenhum. E o FHC fazia aquele joguinho com o PT como se ele fosse oposição. E essa máscara caiu com a minha chegada", disse Bolsonaro após ser perguntado por Datena "sobre uma coisa engraçada que havia feito hoje". 

Acordos ameaçados

O presidente Michel Temer (MDB) recebeu o embaixador de um país do Oriente Médio em seu gabinete há alguns dias. Na despedida, o emissário elogiou avanços da gestão emedebista, disse ter ficado feliz em ampliar parcerias e arrematou: “Lamento que todo o trabalho do sr. agora esteja ameaçado”. Houve constrangimento no Planalto. Foi após o aceno de Bolsonaro a Israel.

Política externa começa torta

A indicação de Ernesto Araújo para o Ministério das Relações Exteriores dividiu o Itamaraty. Para fazer a mudança radical na política externa que Bolsonaro tem pregado, dizem diplomatas, ele era a opção lógica. Há temor, porém, pelo fato de o escolhido ter sido promovido há pouco tempo e nunca ter chefiado embaixada no exterior. No universo político, a decisão de Bolsonaro para a pasta causou preocupação. Quem lida com o cotidiano do governo diz que o blog de Araújo, prato feito para polêmicas, será esquadrinhado com lupa pela imprensa estrangeira, que já torce o nariz para o presidente eleito.

O Guru

O novo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, foi uma indicação pessoal do escritor Olavo de Carvalho, pensador conservador que é um dos gurus do bolsonarismo. Olavo, que vive nos Estados Unidos e tem milhares de seguidores na internet, recomendou em suas redes sociais o artigo “Trump e o Ocidente”, que Araújo escreveu para a revista de Política Externa do Itamaraty no segundo semestre de 2017. No artigo, o diplomata celebra o “pan-nacionalismo” do presidente americano, Donald Trump, que compara a Ronald Reagan e Winston Churchill. E prega um resgate aos valores fundamentais do Ocidente, com a revalorização da pátria, da família e de Deus, contra o chamado “globalismo”.

Menos Araújo, menos...

Em nota, o futuro chanceler, Ernesto Araújo, celebrou o presidente eleito, Jair Bolsonaro. “Bolsonaro com amor e com coragem! - Este é o lema do candidato em quem sempre acreditei, junto com milhões de brasileiros”. E acrescenta: “A mão firme do presidente Bolsonaro nos guiará”. Ele diz que irá proclamar “Itamaraty com amor e com coragem. Amor pelo Brasil. Amor infinito por esta nação gigante. Amor a Deus, para aqueles que creem”. 

Frigideira

Diplomatas cacifados dizem que a escolha de Ernesto Araújo foi ponto marcado para os Estados Unidos. “De vantajoso, apenas o fato de que o novo chanceler brasileiro não será convidado a tirar os sapatos para uma revista no aeroporto de Washington, como fez Celso Lafer na era FHC. Imaginam que, para poupar a saliva dos agentes da imigração americana, Ernesto Araújo já '’pisará o solo americano descalço'’. No mais, tudo seria desvantajoso”, analisa o jornalista Josias de Souza.

Vai dar ruim

Senador eleito pelo PDT do Ceará, o ex-governador Cid Gomes até diz torcer para que o governo Jair Bolsonaro (PSL) dê certo, mas demonstra um pessimismo decorrente do realismo ao falar sobre o ministro escolhido para capitanear a política econômica a partir de 1º de janeiro de 2019, o economista e empresário Paulo Guedes. Para Cid, o estilo "truculento" do futuro superministro – ele abarcará as pastas da Fazenda e do Planejamento, no que será chamado de Ministério da Economia – o levará à queda prematura.

Fiscal de prova

Em vídeo, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse que vai vistoriar a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) antes que seu conteúdo seja submetido aos alunos nos locais de teste. Bolsonaro criticou algumas questões oferecidas na edição deste ano do Enem, especialmente a relativa à espécie de dialeto falado por gays e travestis, o pajubá.

Vai fiscalizar não...

Presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia responsável pela aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a educadora Maria Inês Fini foi taxativa ao comentar a natureza do exame. "Não é o Governo que manda na prova", disse a doutora em Ciência, à frente do Inep desde maio de 2016.

Doidão

Um ano e meio depois de ter sido filmado pela Polícia Federal recebendo uma mala com propina de R$ 500 mil da J&F, Rodrigo Rocha Loures, ex-deputado e ex-assessor de Michel Temer, prestou depoimento na Justiça Federal pela primeira vez. Adotou uma linha de defesa sui generis. Para refutar a acusação que o mantém em prisão domiciliar, o personagem se esforçou para provar que é apenas um débil mental, não um corrupto.

Problema seu

Jair Bolsonaro divulgou nas redes sociais trecho de entrevista que concedeu à Record. Falou sobre o reajuste salarial de 16,38% para os ministros do Supremo, cujos vencimentos passaram de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. Transferiu a batata quente integralmente para o colo de Michel Temer. “Está nas mãos do Temer”, disse, referindo-se ao projeto aprovado na última quarta-feira pelo Senado. “Não sou o Temer, se fosse, você sabe qual seria minha posição.” O repórter quis saber se Bolsonaro vetaria o reajuste. Ele respondeu afirmativamente: “Não tem outro caminho no meu entender, até pela questão de dar exemplo. Falei antes da votação que é inopoturno, o momento não é esse para discutir esse assunto.” Temer dispõe de um prazo 15 dias para vetar ou sancionar o texto aprovado de supresa pelos senadores, após permanecer no freezer desde 2016, quando havia sido aprovado na Câmara.

Santinho

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, disse que Sergio Moro será mais importante em Brasília do que na capital paranaense. Em Curitiba, disse Deltan, Moro lutou contra as “engrenagens” de um sistema ajustado “para não funcionar contra corruptos poderosos.” Acredita que, em Brasília, o juiz irá “mudar as engrenagens desse sistema.”

Tá bom...

O juiz federal Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça e da Segurança Pública, defendeu que membros do alto escalão do novo governo que sofrerem denúncias "consistentes" de corrupção sejam afastados. Em entrevista ao programa Fantástico da Rede Globo, Moro também se mostrou favorável à flexibilização do porte de armas e à proposta de redução da maioridade penal, duas promessas de campanha do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Ao ser questionado se ele seria encarregado de fazer esse juízo de valor para aconselhar Bolsonaro, Moro respondeu que "provavelmente" sim. Ele disse que "não assumiria um papel de ministro da Justiça com o risco de comprometer minha biografia" e que Bolsonaro lhe assegurou que "ninguém será protegido" se vierem a surgir casos de corrupção dentro do governo.

Povo da rede social

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), não teve exatamente uma boa impressão do economista Paulo Guedes em seu primeiro contato com o "guru econômico" de Jair Bolsonaro (PSL) já na condição de ministro do próximo governo. O senador fez um relato sobre a conversa que teve com Paulo, na presença de outros senadores. Dizendo que seus colegas ficaram "horrorizados" com a postura do economista, Eunício saiu dessa conversa com uma certeza: "Esse povo que vem aí não é da política; é da rede social". A conversa foi relatada por Eunício ao site Buzzfeed. 

Prendo e arrebento

O deputado federal e líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro, defende a tipificação como terrorismo dos atos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). "Se fosse necessário prender 100 mil pessoas, qual o problema nisso?" Também disse querer criminalizar o comunismo no País, a exemplo da Polônia, da Ucrânia e da Indonésia.

Divididos

A proposta de “criminalização da apologia ao comunismo” somava na segunda (12) 167,9 mil votos a favor e 167.020 contrários numa consulta pela internet feita pelo Senado Federal. Ela tramita na casa como sugestão legislativa popular apoiada por mais de 20 mil pessoas.

Medida preventiva 

Líderes de movimentos sociais estão estudando medidas judiciais para tentar conter o avanço do projeto que endurece a Lei Antiterrorismo no Congresso. A ideia é questionar a constitucionalidade da proposta. Apontado como prioridade por Bolsonaro desde a campanha eleitoral, o projeto caracteriza como terrorismo atos com motivação política, ideológica ou social que ponham em risco a liberdade individual, o que incluiria ocupações de terra e imóveis.

Briga de inocentes

Aliados na Câmara até as eleições deste ano, os deputados Alberto Fraga (DEM-DF) e Laerte Bessa (PR-DF) quase saíram no tapa em plenário. O motivo foi um discurso que Fraga fez na tribuna contra o governador eleito do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), porque o emedebista resolveu criar um Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para substituir a Casa Militar nas atribuições de cuidar da segurança da governadoria. Caberá a Fraga comandar o GSI.

Veja o  discurso de Fraga contra Ibaneis.

E o momento da agressão.

Nem um nem outro se elegeu no pleito local deste ano. Fraga tentou se eleger governador, mas sequer passou do primeiro turno. Laerte tentou a reeleição, mas acabou com o prêmio de consolação de comandar o GSI. Ambos são membros da chamada bancada da bala e têm feroz discurso conservador, defensores que são da revogação do Estatuto do Desarmamento e da redução da maioridade penal. Ambos compunham a base parlamentar de Michel Temer (MDB) e votaram contra as duas denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República, no ano passado, contra o presidente por corrupção, organização criminosa e obstrução de Justiça.

Ditadura da maioria

Em palestra proferida na capital paulista, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes disse que a Justiça no Brasil tem o papel de exercer a chamada competência “contra majoritária”. Segundo ele, o Poder Judiciário obteve instrumentos na Constituição Federal de 1988 para moderar os demais poderes e, também, evitar o que ele chamou de ditaduras da maioria.

No bolso dos outros é refresco

Uma semana depois de o Senado ter retirado do freezer o projeto que elevou em 16,39% os vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal e da procuradora-geral da República, uma comissão especial de deputados e senadores quer congelamento de reajustes que seriam pagos a diversas categorias do funcionalismo público a partir de janeiro de 2019.

Anta sulista

Ministro extraordinário da transição e futuro chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni abespinhou-se com perguntas de jornalistas sobre meio ambiente. De repente, a pretexto de criticar ONGs estrangeiras que recebem parte das multas aplicadas pelo Ibama, o ministro atacou a Noruega. Deu de ombros para o fato de que o país é o principal financiador do Fundo Amazônia, o maior projeto de cooperação internacional para preservar a floresta amazônica.

Outro nível

O embaixador da Noruega no Brasil, Nils Martin Gunneng, usou as redes sociais para responder às críticas do ministro da transição, Onyx Lorenzoni, ao programa de proteção ambiental da Amazônia (leia acima).

Mandetta

O próximo ministro da Saúde pode ser o deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS). Semana passada, o parlamentar declarou a uma rádio que “lhe encantaria” o cargo. Ontem, Bolsonaro sinalizou: disse que ele “poderá assumir”. Estão conversando. Nome ligado às movimentações dos agentes comunitários de saúde no Congresso, Mandetta é médico ortopedista de formação (cursou a Universidade Gama Filho). E… foi conselheiro do plano de saúde Unimed. Além de secretário de saúde de Campo Grande. Mandetta colaborou na elaboração do programa de governo do capitão reformado.

Investigado

Nome mais cotado para assumir o Ministério da Saúde (leias acma), o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) está sob investigação. Ele é suspeito de fraude em licitação, tráfico de influência e caixa dois na implementação de um sistema de informatização quando foi secretário municipal de saúde de Campo Grande. Teria favorecido empresas para, em troca, receber favores na campanha eleitoral de 2010, como o pagamento de viagens.

Assinei não

Uma “Carta dos Médicos Brasileiros ao presidente eleito Jair Bolsonaro” criou uma crise na comunidade médica. Assinada por 80 presidentes de entidades, ela indica Lincoln Lopes Ferreira, presidente da Associação Médica Brasileira, para assumir o Ministério da Saúde. “A Fenam jamais assinaria um documento com essa característica”, afirma Jorge Sale Darze, presidente da Federação Nacional dos Médicos. A Federação Médica Brasileira também diz que não endossa o documento. A AMB não se pronunciou.

Previdência

Se preparem para uma informação nada surpresa: depois de toda a onda da semana passada, Jair Bolsonaro e Onyx Lorenzoni acham que “dificilmente” aprovam “alguma coisa” da reforma da Previdência em 2018. Era, como cogitamos, uma marolinha, aceno de boas intenções para o mercado. Ontem, Lorenzoni chegou a dizer que tem que “olhar o social também” quando a reforma foi feita. Por isso, entende-se começar pela Previdência pública e estabelecer idades diferentes de aposentadora para ocupações braçais e intelectuais. (Assim como sinalizou ontem também Eduardo Bolsonaro, em entrevista ao Estadão – em que afirma querer prender lideranças e militantes do MST e criminalizar totalmente o aborto).

Bora rir pra não chorar

Eis a explicação de Maitê Proença para que seu nome tenha passado a circular como possibilidade para comandar o Ministério do Meio Ambiente: “A ideia é tirar o viés ideológico a que o setor ambiental ficou associado. Trazer um nome que possa abrir as portas que se fecham para os ecologistas. Um nome ligado às causas ambientais, mas que circule nos diversos meios de forma isenta. E que possa colocar a pasta acima de picuinhas políticas. Concordo com tudo. Mas o meu nome é apenas uma ideia”. A atriz é ex-mulher e mãe do filho de Paulo Marinho, empresário do círculo próximo do presidente eleito que emprestou a casa para que Bolsonaro gravasse programas de televisão na campanha e que ocupa a suplência de Flávio Bolsonaro no Senado.

Tristinho

Dr. Rey não ficou nada satisfeito por não ter sido recebido por Jair Bolsonaro no último dia 9. Um dia depois de dar com a cara na porta, o cirurgião plástico postou um desabafo nas redes sociais, garantindo que não vai desistir de sua “luta”. “Trago ideias de saúde do primeiro mundo! Pode rir, vou lutar pelo Brasil até meu último suspiro””, disse o eterno Dr. Hollywood. Dr. Rey esteve no condomínio onde mora o presidente eleito para se ofececer ao cargo de Ministro da Saúde, mas não foi recebido. O cirugião plástico, porém, promete não desistir. Dr. Rey continua no Rio, à espera de uma oportunidade para conversar com o político do PSL.

Cacholinio

O cachorro de Michelzinho, filho de Michel Temer, foi parar no médico porque mordeu um sapo. “Por pouco Piculy não morre”, anuncia o perfil do cãozinho no Instagram, que é atualizado sempre por Norma Tedeschi, sogra do presidente. A vida de Piculy, que é da raça jack russell, tem sido uma aventura. Em abril, ele caiu no lago Paranoá. A primeira-dama, Marcela, pulou na água de roupa para salvá-lo.

Deputados presidiários

Condenado por corrupção passiva a 6 anos, 10 meses e 6 dias em regime semiaberto, o deputado Nilton Capixaba (PTB-RO), foi autorizado a trabalhar na Câmara dos Deputados durante o dia e voltar à noite para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes atendeu ao pedido da defesa do deputado para continuar trabalhando na Câmara durante o dia. É o terceiro deputado preso e autorizado a trabalhar na Câmara desde 2017. O mesmo já aconteceu com Celso Jacob (MDB-RJ) e João Rodrigues (PSD-SC).

Escola sem partido, deputados sem noção

A reunião da comissão especial que analisa o projeto de lei da chamada Escola sem Partido (PL 7180/14) foi encerrada sem que o relatório fosse analisado. Ela havia sido suspensa devido ao início da Ordem do Dia no Plenário do Congresso. Dentro do plenário, o clima entre os manifestantes foi tranquilo por boa parte da reunião, com poucas palavras de ordem e muitos cartazes contra e a favor da medida. Já com a segunda suspensão, houve bate-boca. Do lado de fora, estudantes gritavam “mordaça não” para contestar a medida.

Cabeçadas

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), voltou atrás em mais um anúncio e disse que o Trabalho manterá status de ministério, sendo reunido com outra pasta, ainda indefinida. Na semana passada, ele havia dito que a o ministério seria incorporado a outro, também sem detalhar qual. A ideia de concentrar as atuais atribuições da pasta em uma secretaria foi abandonada, segundo anunciou Bolsonaro.

Creio, mas não muito

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, negou-se a dizer que confia 100% em seu futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. "100% [da minha confiança] ninguém tem, ta ok? 100% eu só confio no meu pai e na minha mãe", afirmou ao ser questionado sobre a suspeita de que Onyx recebeu dinheiro via caixa dois da JBS. Reportagem publicada pela Folha na quarta-feira (14) mostrou que uma planilha entregue por delatores da JBS à Procuradoria-Geral da República sugere que Onyx tenha recebido R$ 100 mil via caixa dois naquele ano.

Menos que uma passagem de ônibus

Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) revela que o Brasil gasta R$ 3,48 per capita por dia para cobrir as despesas com saúde de seus mais de 207 milhões de habitantes. O valor, segundo o estudo, inclui ações e serviços prestados pelo governo em seus três níveis de gestão – federal, estadual e municipal – ao longo da última década.

Depiment de Lula sobre o sítio em Atibaia


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