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Ano VII - Nº 328

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Mundo

Colômbia sugere e depois nega aliança com Bolsonaro para derrubar Maduro

Eduardo Bolsonaro se reúne com a extrema direita venezuelana

Postado em 30 de Outubro de 2018   - Redação Semana On

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A Colômbia está disposta a apoiar qualquer ação para derrubar o dirigente venezuelano Nicolás Maduro, segundo fontes diplomáticas colombianas.

“Se [o presidente eleito Jair] Bolsonaro ajudar a derrubar Maduro com uma intervenção militar, terá o apoio da Colômbia”, disse um alto funcionário do governo de Iván Duque.

No último dia 30, o Ministério de Relações Exteriores da Colômbia negou que o país pretenda apoiar uma intervenção militar brasileira na Venezuela.

Segundo ele, a Colômbia não teria assinado o documento do Grupo de Lima que dizia “não” a uma intervenção militar porque Duque não a descarta, embora não queira ser o primeiro a engajar-se nela.

“Se for [o presidente dos EUA, Donald] Trump, ou Bolsonaro, o primeiro a colocar os pés na Venezuela para derrubar Maduro, a Colômbia irá atrás sem vacilar.”

Segundo ele, é o que pensa o presidente Duque e seu padrinho político, Álvaro Uribe.

A mesma fonte disse que conversas no nível consular com Chile e Argentina estariam ocorrendo, mas que estes países se mostravam mais resistentes em apostar nesta opção.

“Duque confia que, estando essa operação em curso, com Brasil, Colômbia e talvez os EUA envolvidos, eles irão participar de alguma maneira. A região não pode mais suportar um agravamento da diáspora venezuelana.”

No o último dia 28, Nicolás Maduro parabenizou a população brasileira pela eleição presidencial, mas não estendeu as felicitações a Bolsonaro, a quem pediu relações de respeito.

“O presidente da República [...], em nome do povo e do governo venezuelano, estende suas sinceras felicitações ao povo [...] devido à celebração cívica do segundo turno [...] no qual resultou eleito o candidato Jair Bolsonaro como presidente deste país”, disse, em nota.

“O governo bolivariano aproveita a oportunidade para exortar o novo presidente eleito do Brasil a retomar, como países vizinhos, o caminho das relações democráticas de respeito, harmonia, progresso e integração regional, pelo bem-estar de nossos povos.”

O regime ainda diz que deseja trabalhar com “o povo brasileiro na luta por um mundo mais justo, multicêntrico e multipolar, no qual prevaleça a livre autodeterminação dos povos e e a não ingerência em assuntos internos”.

Bolsonaro foi parabenizado pela vitória pelos mandatários de centro-direita e de direita da América Latina.

Os primeiros a felicitarem o capitão reformado foram os presidentes do Chile, Sebastián Piñera, e do Paraguai, Mario Abdo Benítez, que já haviam feito elogios públicos e dado seu apoio após o primeiro turno da eleição.

Pressão e negação

O chanceler colombiano, Carlos Holmes Trujillo, afirma que a pressão sobre o regime de Nicolás Maduro e as gestões diplomáticas em relação à crise aguda na Venezuela serão mais enfáticas sob o atual presidente, Iván Duque, do que sob o antecessor, Juan Manuel Santos.

Ainda assim, disse Holmes Trujillo a política colombiana para o país vizinho é a de não intervir. 

O chanceler desautorizou declarações de diplomatas no exterior como o que afirmou que Bogotá apoiaria uma eventual ação de Bolsonaro ou do americano Donald Trump para desestabilizar Maduro com sanções ou ação militar. 

A ideia, que expôs uma cisão no governo de Bogotá, foi prontamente rechaçada pelo futuro ministro da Defesa brasileiro, general Augusto Heleno Pereira.

“O governo colombiano tem uma posição não intervencionista, mas de forte pressão contra a ditadura venezuelana. Quem falar algo diferente disso estará em dissonância com o que pensa o governo”, disse Holmes Trujillo, 67.

O chanceler afirma que, por necessitar de Maduro para concluir o acordo de paz com a então guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colombia), Santos evitou críticas mais duras e sanções ao vizinho. 

Para o uribismo (a corrente política hoje no poder na Colombia, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe), isso fez com que se perdesse tempo na tentativa de reconstruir a democracia na Venezuela.

Conversa

Bolsonaro e o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, conversaram por telefone na segunda-feira sobre a parceria entre Brasil e Estados Unidos diante da crise na Venezuela e outros assuntos.

"Falaram da colaboração em assuntos de política externa prioritários, incluindo a Venezuela, a luta contra o crime transnacional e formas de reforçar as relações econômicas entre os Estados Unidos e o Brasil, as duas maiores economias do hemisfério ocidental", afirmou em comunicado a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.

A nota acrescenta que Pompeo parabenizou Bolsonaro pela vitória eleitoral e ressaltou a aliança entre ambos os países, "baseada no compromisso mútuo para promover a segurança, a democracia, a prosperidade econômica e os direitos humanos".

Bolsonaro, que manifestou em várias ocasiões uma forte oposição ao governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, negou na quinta-feira que vá declarar guerra ao país vizinho.

Trump falou com Bolsonaro por telefone no domingo, pouco depois do resultado da apuração, e hoje informou sobre a conversa entre ambos.

"Tive uma ótima conversa com o recém-eleito presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, quem ganhou as eleições por uma margem substancial. Concordamos Brasil e EUA trabalharão estreitamente em matéria comercial, militar e tudo mais. Excelente conversa, dei os meus parabéns", descreveu Trump no Twitter.

Filho de Bolsonaro conversa com grupo de extrema direita

O filho de Jair Bolsonaro (PSL), Eduardo Bolsonaro, reuniu-se com membros do movimento Rumbo Libertad. Contrário às políticas de Nicolás Maduro (PSUV) e do MUD, principal partido de oposição, o grupo se classifica como "movimento político libertário da resistência venezuelana".

"Acompanhando as eleições e traçando planos junto com membros do grupo venezuelano Rumbo Libertad para a política internacional que podem ser efetivados através de nosso mandato de deputado federal", escreveu Eduardo Bolsonaro em seu Twitter. Segundo a publicação, o encontro foi com os representantes do movimento Roderick Navarro, Eduardo Bittar e Rafael Valera.

Os ativistas apoiaram a campanha de Bolsonaro à presidência. Em suas contas no Twitter é possível ver publicações de apoio ao capitão da reserva, quanto mensagens criticando Fernando Haddad e a candidata à vice Manuela D'Ávila.

O perfil oficial do grupo também publicou um vídeo onde o candidato Jair Bolsonaro defendeu, a milhares de apoiadores na Avenida Paulista, antes do primeiro turno, que o Brasil enviasse forças militares para a Venezuela. "No dia primeiro de janeiro, o general Mourão já disse: a próxima operação de paz do Brasil será na Venezuela", disse o capitão, ovacionado pelos presentes.

"Vamos liberar nossos irmãos da fome e do socialismo, a melhor solução para a crise imigratória na Venezuela é a saída de Maduro do poder. Enquanto o povo passa fome, ele come carne nos melhores restaurantes do mundo. A gente vai dar uma lição para esse narcoditador", disse Bolsonaro. 

O Rumbo Libertad é um movimento relativamente novo, fundado em outubro de 2016, e que se coloca tanto contra os socialistas do PSUV quanto aos oposicionistas liberais do MUD. Entre as propostas do Rumbo estão o fim das urnas eletrônicas, "ajustes" na Constituição de 1999 e a proibição do comunismo na Venezuela.

Em uma entrevista concedida ao veículo "La Patilla", Valera afirmou que a única solução para combater o governo chavista é utilizar a "metodologia da desobediência civil". "O regime e o MUD dirão que qualquer uma de nossas ações é violenta, porque eles construíram um aparato legal e midiático para tentar se proteger contra qualquer um que proteste fortemente contra eles", disse Valera.


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