Semana On

Quinta-Feira 22.ago.2019

Ano VII - Nº 359

Coluna

O Pinóquio Digital

A política, no que ela tem de surreal, com o jornalista Victor Barone

Postado em 17 de Outubro de 2018 - Victor Barone

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Na terça-feira, a Folha de S.Paulo publicou uma reportagem revelando que empresários pagaram milhões de reais para disparar mensagens em massa a favor de Jair Bolsonaro (PSL) e contra Fernando Haddad (PT) no WhatsApp. A prática é ilegal, já que consiste em doação de empresas para campanha, algo que é proibido pela Justiça Eleitoral. Pouco depois da publicação da matéria, a hashtag #CaixaDoisdeBolsonaro se tornou a mais citada em todo mundo pelo Twitter.

De acordo com o texto assinado pela jornalista Patrícia Campos Mello, o valor de cada contrato seria de R$ 12 milhões. Um dos doadores seria Luciano Hang, o dono da Havan, o mesmo que, conforme coagia seus funcionários a votarem a favor do presidenciável pelo PSL.

A expectativa no meio jurídico é sobre o ritmo que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai imprimir na investigação. Ninguém aposta em um desfecho precoce – nem tampouco que a corte enterre o assunto. No entanto, antes do início da campanha de 2018, o TSE trombeteou a notícia de que não toleraria o uso das redes sociais para a difusão de notícias falsas. Presidente do tribunal na época, o ministro Luiz Fux chegou a dizer que seriam expurgados do processo eleitoral candidatos que jogassem sujo na internet. Hoje, verifica-se que a ameaça do ministro era, ela própria, uma notícia falsa.

A Justiça eleitoral não conseguiu coibir nem mesmo a difusão de falácias sobre supostas violações de urnas eletrônicas. O TSE e seus ministros limitaram-se a emitir declarações protocolares sobre a segurança do processo eletrônico de votação. Nem sinal de punições. O próprio Jair Bolsonaro chamou de fraude a votação que resultou no segundo turno. E ficou por isso mesmo.

Sem controle, celulares transformaram-se em disseminadores de desinformação, mistificação e notícias falsas. Bolsonaro é o grande protagonista desta lambança.

Constrangidos

O escândalo do disparo de mensagens anti-PT nas redes bancado por empresas de forma ilegal, está causando constrangimento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que não consegue responder ao fenômeno. Em meio à confusão, magistrados acusam a presidente do Tribunal, Rosa Weber, de pouco jogo de cintura ao lidar com a situação e com os próprios colegas.

Na quarta (17), Rosa fez reunião com os representantes das campanhas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) e convidou apenas dois ministros para o encontro: Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, que são também, como ela, integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Os outros magistrados, que integram também outros tribunais ou que representam a advocacia, foram preteridos. Juizes ficaram perplexos com o fato de ela nem sequer convidar os magistrados responsáveis por analisar processos de propaganda eleitoral para o encontro.

Pode ser responsabilizado?

Um candidato pode ser responsabilizado caso se beneficie de apoio ilegal de empresários, dizem especialistas no tema. A prática pode envolver ao menos três irregularidades: 1) são proibidas doações de pessoas jurídicas; 2) todo dinheiro gasto de alguma forma na campanha precisa ser declarado; 3) não é permitido usar listas de contatos compradas para espalhar conteúdos. Se houver indício de que a chapa foi favorecida por abuso de poder econômico que promoveu desequilíbrio na disputa, titular da candidatura e vice podem ter que responder.

Bloqueados

O WhatsApp enviou notificação extrajudicial para as agências Quickmobile, Yacows, Croc services e SMS Market, que ofereceram um serviço de disparo de mensagens a outras empresas para fazer propaganda anti-PT com o objetivo de favorecer Jair Bolsonaro, candidato do PSL ao Planalto. A notificação determina que elas parem de fazer envio de mensagens em massa e de utilizar números de celulares obtidos pela internet, que elas usavam para aumentar o alcance dos grupos na rede social. A empresa também baniu as contas do WhatsApp associadas a essas agências. Em seu Twitter, o senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do presidenciável reclamou no Twitter. A agência AM4 e outras também estão sob investigação e serão notificados caso sejam comprovadas as irregularidades. 

Artistas

Um grupo de artistas gravou vídeos para as redes sociais cobrando uma posição oficial da ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sobre a atuação de empresários pró-Jair Bolsonaro (PSL) que compraram pacotes para disparar mensagens em massa, via WhatsApp, contra o PT. Nomes como os de Caetano Veloso, Sonia Braga, Zezé Polessa, Sophie Charlotte, Vladimir Brichta e Letícia Sabatella pedem que a ministra se pronuncie sobre o uso de fake news na corrida eleitoral deste ano.

Haddad mete a boca

Após matéria do jornal "Folha de S.Paulo" afirmar que existe um esquema ilegal de caixa dois de propaganda contra o PT no WhatsApp, o presidenciável Fernando Haddad (PT) pediu que empresários envolvidos no caso sejam presos. O petista também acusou o adversário Jair Bolsonaro (PSL) de envolvimento com o caso e que o segundo turno deveria acontecer entre ele e Ciro Gomes (PDT).

De volta ao passado

Em entrevista à Rádio Jornal, de Barretos, Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que o objetivo de seu governo é fazer o Brasil "ser igual como era há 40, 50 anos".  Se fosse possível enfiar o Brasil numa máquina do tempo, um recuo de 50 anos transportaria o país para 1968. Nessa época, a população brasileira era de 93,1 milhões de pessoas. Não havia telefone celular nem facções criminosas dentro dos presídios. O regime era militar. E o general de plantão, Costa e Silva, editou o AI-5, que autorizava o Estado a recorrer a todas as arbitrariedades que uma ditadura é tentada a adotar.

Merda no ventilador

Em evento de apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT), no dia 15, o senador eleito Cid Gomes (PDT-CE) fez dura crítica ao PT. Convidado a discursar, o irmão de Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado na disputa presidencial deste ano, cobrou da direção da legenda que faça um "mea culpa" dos erros que cometeu. Sob vaias de militantes petistas, Cid chamou de "babacas" aqueles que protestavam contra seu discurso e disse que o partido "merece perder" caso não fala uma autocrítica.

O que todos pensam

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, respaldou o desabafo feito pelo senador eleito Cid Gomes (leia acima) e disse que as críticas feitas pelo irmão de Ciro Gomes "representam majoritariamente o sentimento da sigla". "Não tem autocrítica no PT. O que o Cid Gomes está falando é verdade. Que autocrítica eles fizeram? Ele desabafou sentimento majoritário no partido", disse.

Panos quentes

O ex-governador do Ceará Cid Gomes (PDT) gravou e divulgou para a campanha do PT um vídeo (veja abaixo) em que tenta desfazer o mal estar causado com suas declarações sobre o partido de Fernando Haddad (leia as duas notas acima). “Que não fique nenhuma dúvida: nesse segundo turno, Haddad é o melhor para o Brasil. Votarei no Haddad no dia 28”, disse.

Sinal vermelho

Integrantes da campanha de Fernando Haddad (PT) admitem que o duro discurso que Cid Gomes (PDT), irmão de Ciro Gomes, fez contra o PT pode ter colocado um ponto final no plano petista de formar com o ex-adversário uma frente democrática para se contrapor a Jair Bolsonaro (PSL).

Nadando de braçada

O programa eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) vai explorar as falas do senador eleito Cid Gomes (PDT-CE) contra o PT em sua propaganda eleitoral (leia as notas acima).  "Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes, fala a verdade que o PT não aceita", diz o locutor na abertura do programa, exibindo em seguida o filme em que o pedetista faz uma saraivada de críticas ao partido de Lula.

Sem chão

O vice da chapa de Jair Bolsonaro (PSL), general Hamilton Mourão, disse que o PT "perdeu o chão" ao comentar as críticas feitas pelo ex-ministro Cid Gomes ao partido (leia as notas acima). "O pessoal perdeu o chão já, né? Eles não conseguiram construir uma liderança, não fizeram a autocrítica", diz o vice.

Reclamona

Sob o impacto do avanço de Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas, a presidente do PT lamentou a baixa adesão à ideia de formar uma “frente democrática” contra o capitão. Gleisi Hoffmann manifestou-se sobre o tema em nota veiculada na noite desta segunda-feira (15), no Twitter. Afirmou que o PT não se omitiria se o adversário de Bolsonaro fosse outro.

Farrista

O candidato do PSC ao governo do Estado do Rio, Wilson Witzel, foi um dos organizadores de evento em 2010 que ficou conhecido como a "farra dos juízes federais".  O evento, ocorrido em resort de luxo em Comandatuba, sul da Bahia, foi patrocinado por estatais como Caixa, Banco do Brasil e Eletrobras, além de empresas privadas como Souza Cruz.  Na ocasião, cada juiz pagou R$ 750 para participar do evento de quatro dias no resort cujas diárias giravam entre R$ 900 a R$ 4 mil. Juntos, Caixa e Banco do Brasil investiram R$ 380 mil no evento para 700 pessoas.

Apoio de peso

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB), disse que votará em Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno da eleição, em 28 de outubro. Para Marun, há semelhanças entre a agenda de Bolsonaro e as medidas do governo Temer. “É uma agenda mais liberalista, uma agenda que defende privatizações [...] É uma agenda que defende a reforma trabalhista. Tem vários aspectos de sinergia conosco, com relação ao que é pleiteado pelo governo”, disse.

Poderoso Huck

Passou despercebido o artigo publicado pelo apresentador de TV e empresário Luciano Huck no jornal Folha de S.Paulo no último sábado (13). Huck, que ensaiou ser candidato a presidente este ano, comemorou o alto índice de renovação na Câmara e no Senado e criticou o PT e o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro. “Bolsonaro se tornou conhecido propagando ideias retrógradas, sectárias, preconceituosas e belicistas. Tudo aquilo de que não precisamos na atual conjuntura. Um postulante ao cargo máximo da República definitivamente não pode pensar e muito menos dizer o que ele já disse ao longo dos seus 27 anos de vida pública”, afirma o apresentador sobre o militar. Leia a íntegra do artigo de Luciano Huck.

Distopia

O general Aléssio Ribeiro Souto, um dos responsáveis pelo plano de educação em um eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL), disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que deve ser feita uma revisão nos currículos e bibliografias das escolas. Ele defendeu que deve ser dita a "verdade" sobre o regime militar de 1964, expondo as mortes dos dois lados. “Quando você trata dos problemas e das mortes – e a guerra traz mortes – tem de tratar dos dois lados”, disse. Em entrevista ao portal Uol no mês passado, o general disse que os livros de história que não trazem “a verdade” sobre o 64 devem ser eliminados. Leia a entrevista completa no Estadão. 

Revisionistas

O atual presidente do Superior Tribunal Federal Dias Toffoli afirmou, enquanto palestrava na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), que prefere se referir ao golpe militar de 1964 como “movimento de 1964”. A declaração gerou polêmica uma vez que naturaliza e ameniza o autoritarismo e os efeitos deste sobre o País, sentidos até hoje principalmente pela população negra e periférica.

Diante do ocorrido, professores da Faculdade de Direito da USP lançaram um manifesto contra o que chamaram de “revisionismo histórico” refletido na fala do ministro. Entre os mais de 20 docentes que assinam o documento, estão o professor doutor do Departamento de Direito do Estado Conrado Hubner Mendes e o chefe do Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social Jorge Luiz Souto Maior.

Na nota, afirmam que o reconhecimento da ditadura militar enquanto golpe e período autoritário é essencial para “não naturalizar ou mesmo minimizar o sofrimento de todos aqueles que foram vitimados, quanto para que não se admita, sob nenhum pretexto, a repetição de mais uma experiência de Estado de Exceção no País.”

Nazis

Um símbolo adotado por extremistas nos Estados Unidos foi reconhecido e registrado em manifestação de apoiadores do candidato de extrema-direita à presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), no último dia 14. O símbolo do reino imaginário “Kekistan”, que surgiu em fóruns na internet, passou a integrar manifestações da extrema-direita especialmente depois da ascensão de Donald Trump à Casa Branca. A bandeira foi erguida em manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, ao lado de apoiadores de Bolsonaro. É a primeira vez que a bandeira é detectada e fotografada em uma manifestação brasileira.

KKK

Ex-líder da Ku Klux Klan, grupo racista que defende a supremacia branca nos Estados Unidos, o político e historiador norte-americano David Duke elogiou o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante seu programa de rádio. "Ele soa como nós. E também é um candidato muito forte. É um nacionalista", disse Duke.

A única objeção feita pelo ex-líder da Ku Klux Klan a Bolsonaro foi a proximidade do deputado brasileiro com o Estado de Israel. Bolsonaro já declarou que, se eleito, vai transferir a sede da Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. Além disso, tem apoio declarado de algumas associações de representação judaica no

David Duke foi um dos organizadores dos protestos em defesa da supremacia branca em Charlottesville, na Virgínia, em agosto do ano passado. A marcha "Unite the Right" [Unir a Direita] reuniu racistas da Ku Klux Klan e da chamada "alt-right", a "direita alternativa", que repudia os rótulos atribuídos aos antigos conservadores, mas é radicalmente contra a imigração e o multiculturalismo. Houve confronto que deixou dezenas de feridos e três pessoas mortas.

Falando em nazis

O advogado Mike Godwin ficou famoso no mundo todo após ter criado, em 1990, a chamada Lei de Godwin, uma crítica a quem banaliza analogias nazistas ao encerrar discussões dizendo que o outro lado é Adolf Hitler, ponto final. O texano diz que sua máxima "certamente se aplica a Jair Bolsonaro, porque ele prova que é verdade. Qualquer discussão sobre ele cedo ou tarde leva a comparações com Hitler e o nazismo". E, nesse caso, é aceitável taxá-lo assim, segundo o advogado, que no Twitter havia dito na no dia 16, que é ok suspender suas próprias palavras ao falar do presidenciável do PSL.

Não seria leviano, portanto, traçar o paralelo entre o bolsonarismo e o nazismo, segundo Godwin. "Espero que os brasileiros escolham um caminho de maior cooperação, em vez de maior violência. Parece certo, dado o que vemos acontecer em outras partes do mundo, notadamente na Filipinas e em Myanmar, que qualquer sanção de violência ou ódio contra as minorias gera mais violência, e jamais mais democracia e prosperidade."

Abaixo assinado

Os cineastas Walter Salles e Arnaldo Jabor, o banqueiro Fernão Bracher, o ator Wagner Moura, o economista Eduardo Gianetti, o editor Luiz Schwarcz e o historiador Boris Fausto estão entre as mais de 15 mil pessoas que assinam um manifesto suprapartidário contra a eleição de Bolsonaro e que será divulgado nos próximos dias.  O objetivo do grupo é cobrar das “lideranças políticas democráticas e da sociedade civil que se empenhem num entendimento mais amplo para enfrentar o risco” que a eleição do capitão reformado representaria. 

Eurodeputados

Um manifesto contra a eleição do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, à Presidência da República começou a circular na terça-feira (16) no Parlamento Europeu, em busca de assinaturas dos eurodeputados. Representantes de cinco das sete bancadas se reuniram para defender uma posição contrária clara diante do candidato, que alcançou 46% dos votos no primeiro turno em 7 de outubro.

Pomba Gira

Os deputados Cabo Daciolo (Patri-RJ) e Marco Feliciano (Pode-SP) bateram-boca durante a sessão da Câmara. A discussão filmada por pessoas no plenário aconteceu quando Feliciano foi tirar satisfações com Daciolo por ter dito em um vídeo na campanha que ele, que é evangélico, tem ligações com a maçonaria. Nas imagens, Feliciano repete "seja homem" e diz que o colega terá de responder no Conselho de Ética da Casa. Daciolo retruca e avisa: " Tem Pomba aí. Tem Pombagira aí". Veja o vídeo do bafafá de Deus.

Bom de números

Às vésperas do segundo turno e já oficializado como futuro ministro-chefe da Casa Civil de um eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL), o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) defende uma drástica redução de cargos de confiança e em comissão, como uma das medidas prioritárias para desinchar o Estado. Ao GLOBO, o parlamentar gaúcho, que se projetou como articulador político do capitão da reserva do Exército, propôs extinguir 25 mil deles logo “no primeiro dia” de governo. O número, no entanto, é superior aos atuais 23.070 cargos comissionados do Poder Executivo, segundo dados do Ministério do Planejamento relativos ao mês de agosto. Informado, depois, pela reportagem, de que sua promessa excedia o número de cargos existentes, ele deu um novo número, de 20 mil, como meta de cortes.


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