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Quarta-Feira 21.ago.2019

Ano VII - Nº 359

Poder

Agronegócio teme radicalismo e falta de experiência em equipe de Bolsonaro

Menos da metade da bancada ruralista se reelegeu

Postado em 12 de Outubro de 2018 - Redação Semana On

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O agronegócio foi um dos responsáveis pela colocação de Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial. O setor promete repetir a dose no dia 28, quando será decidido o futuro presidente do país.

Há preocupações, porém, nas lideranças do setor. Uma delas é com a inexperiência do candidato em cargos do Executivo. Ele se cercou de um pequeno grupo, e as diretrizes de governo ainda não estão claras.

Um eventual fracasso de Bolsonaro na Presidência, se for eleito, como mostram as pesquisas, será o caminho mais rápido para a saí

Um dos temores é a instalação de um radicalismo no governo, que poderá vir de uma aura de autossuficiência.

 Um exemplo citado por uma das lideranças: a possível fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, como sugerida, só traria mais radicalismos no setor, gerando discussões desnecessárias.

 O caminho do ambiente e do bem-estar dos animais passou a ser uma questão universal e, se não for adiante no Brasil, colocará o país na contramão das exigências internas e externas.

 São necessários equilíbrio e sensatez nesses temas, segundo essa liderança.

 O setor espera que, em uma futura formação de governo, o responsável pela agricultura tenha visão moderna e de longo prazo. Há um temor de que seja indicado alguém fora desse perfil.

Para um representante da pecuária, o voto no candidato tem sido por exclusão. Há uma frustração contra tudo e contra todos, e não apenas contra o PT.

O agronegócio, porém, tem de ficar atento aos próximos passos de Bolsonaro, se eleito. Parte das pessoas que o cercam gera preocupações, acrescenta.

Quem comandar o Ministério da Agricultura vai lidar não só com problemas internos, como a defesa sanitária, mas também com demandas externas crescentes. 

E os problemas externos se tornam cada vez mais complexos. Vão desde o aumento do protecionismo à guerra comercial entre os líderes da economia mundial.

O agronegócio não está sozinho em uma composição de governo. Deve estar ligado a outros ministérios, como Fazenda, Desenvolvimento e  Relações Exteriores.

O governo deve ter uma visão comercial conjunta, voltada tanto para os problemas internos como para os externos. Um governo sem esse enfoque pode ser um desastre para o campo.

Segundo o setor, será um período difícil, que exigirá diálogo e negociações. A atitude menos recomendável será a de trazer novos conflitos nas discussões.

Daí a recomendação de um ex-participante do governo federal de que o setor tem de oferecer apoio a quem for eleito, mas exigir que ele zele pelo que já foi conquistado.

Se o eleito não tiver condições de gerir os problemas, o agronegócio tem de ser orientador e mentor dele, segundo uma das fontes.

O vocabulário agrícola não aceita a palavra erros. O setor tem de se mobilizar para evitar uma situação de insegurança, diz um ex-ocupante de um cargo executivo.

É o que o agronegócio começa a fazer. Membros da bancada ruralista já iniciaram, nesta semana, um diálogo com o líder das pesquisas para a formação mais apropriada de governo para o setor.

A conjugação da inexperiência do candidato no Executivo e uma eventual proximidade de pessoas despreparadas para as funções seria um caminho certo para um potencial desastre no campo, segundo eles.

Menos da metade da bancada ruralista se reelegeu

Fechada desde a semana passada com Bolsonaro, a chamada bancada ruralista passará por reformulação na próxima legislatura. Mais da metade de seus atuais integrantes não renovou o mandato e estará fora do Congresso a partir de fevereiro de 2019. Dos atuais 245 integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária, 117 (47,7%) foram reeleitos. A bancada, uma das mais poderosas da Câmara e do Senado, ainda não sabe estimar quantos dos novos parlamentares vão participar de sua composição no próximo ano.

Entre aqueles que não voltarão ao Parlamento estão dois dos principais líderes do grupo no Senado, Ana Amélia (PP-RS), que desistiu da reeleição para concorrer como candidata a vice-presidente de Geraldo Alckmin (PSDB), e Ronaldo Caiado (DEM-GO), eleito governador.

“Perdemos nomes importantes, mas tivemos relativo sucesso pela grande renovação que terá a Casa e principalmente o Senado”, avalia a presidente da frente, deputada Tereza Cristina (DEM-MS). Para ela, o alto índice de renovação na Casa é resultado da “massificação” da mensagem de que o atual Congresso é “muito ruim”.

Entre os ruralistas que fracassaram nas urnas estão os deputados Osmar Serraglio (MDB-PR), Beto Mansur (MDB-SP), Mauro Pereira (MDB-RS), Nelson Marquezelli (PTB-SP) e Valdir Colatto (MDB-SC), além dos senadores Romero Jucá (MDB-RR), Valdir Raupp (MDB-RO), Waldemir Moka (MDB-MS) e Benedito de Lira (PP-AL). Todos perderam a reeleição.

Velhos conhecidos

Na Câmara, dos 218 integrantes da frente parlamentar, 100 se reelegeram. No Senado, dos 27 representantes da bancada, 18 seguirão no próximo ano. Entre os parlamentares eleitos domingo que farão parte do grupo estão o ex-ministro da Agricultura Neri Geller (PP-MT), o ex-secretário estadual da Agricultura e Pecuária José Mário Schreiner (DEM-GO) e o deputado estadual Pedro Lupion (DEM-PR), filho do ex-deputado Alberto Lupion (DEM-PR), ex-coordenador da frente.

“Muitos são desconhecidos, não eram agentes públicos e nunca estiveram na política, então agora a gente vai ter que saber quem é quem que está chegando nesta Casa”, ressalta Tereza Cristina. A parlamentar e outros 17 integrantes da frente entregaram uma pauta de reivindicações com dez itens a Jair Bolsonaro no Rio.

Hoje a FPA é formada majoritariamente pelo MDB, que representa 20% da frente, seguido por DEM e PP com 12% cada um, PR com 11%, PSD, com 8%, e PDT, com 6%. O PSDB e o Solidariedade também compõem a frente, contribuindo com 5% cada um. Também participam da frente parlamentar PSC, PSL, PPL, PTB, PRB, Pros, PHS, Podemos, PPS e PT.


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