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Sábado 21.set.2019

Ano VIII - Nº 364

Poder

Puxado por Bolsonaro, PSL quadruplica deputados em Assembleias do país

Partido pula de nanico a 2ª bancada da Câmara, atrás apenas do PT

Postado em 12 de Outubro de 2018 - Folha de SP

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Puxado pelo desempenho de Jair Bolsonaro na campanha à Presidência, o PSL viu quase quadruplicar o número de deputados eleitos nas Assembleias Legislativas estaduais. Neste ano, elegeu 96 deputados, 60 a mais que em 2014, quando conquistou 16 assentos.

O estado onde o partido mais cresceu foi São Paulo. Em 2019, terá a maior bancada da Alesp, com 15 deputados. Entre eles está Janaina Paschoal, que angariou um recorde de 2 milhões de votos. Em 2014, apenas um candidato do partido conseguiu se eleger.

O PSL também teve crescimento expressivo em Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Em todos eles, Bolsonaro teve mais votos que Fernando Haddad (PT). Ambos disputarão o segundo turno para presidente.

No Rio de Janeiro, o PSL saiu de dois deputados eleitos em 2014 para 13. A votação indica o desgaste do MDB, partido do atual governador, Luiz Fernando Pezão, e do ex-governador e condenado por corrupção Sérgio Cabral. O Rio passa por grave crise financeira e está sob intervenção federal na segurança pública desde fevereiro.

Em 2014, o MDB conquistou a maior bancada da Alerj, com 15 assentos. Agora, elegeu apenas cinco.

No total de cadeiras nas assembleias do país, o partido perdeu 49. Ainda assim, é a legenda com mais deputados estaduais: dentre os 1.059, tem 93, cerca de 9%.

Também é notável a perda de terreno do PT, que viu 24 cadeiras irem embora. Em relação à eleição passada, a sigla perdeu a liderança nas assembleias do Acre e do Distrito Federal.

No estado do Norte, Gladson Cameli (PP) desbancou 20 anos de governo petista e ganhou a eleição para governador no primeiro turno.

O PT ainda é líder na Bahia, com 10 deputados (um a menos que em 2014). Lá, Rui Costa, reeleito com 75% dos votos, deve governar com facilidade: sua coligação conta com 60% dos assentos da Alba.

A legenda também tem a maior bancada em Minas Gerais, com 10 deputados. Fernando Pimentel (PT), contudo, teve apenas 23,2% dos votos e a disputa no segundo turno para o governo ficará entre Novo e PSDB.

Já no Rio Grande do Sul os petistas perderam três cadeiras e agora dividem a liderança com o MDB (têm oito deputados cada).

O mesmo se pode dizer do PSDB, que perdeu 24 deputados, 14 deles só em São Paulo. Por outro lado, elegeu cinco no Rio Grande do Norte, onde não tinha nenhum em 2014.

Curiosamente, o segundo turno no estado será disputado por candidatos de oposição à sigla: Fatima Bezerra (PT) e Carlos Eduardo (PDT).

Quanto às mulheres eleitas, houve aumento de 37% —eram 119, agora são 163. É o maior número já registrado. Proporcionalmente, são 15,4% das cadeiras nas assembleias.

O estado com maior representatividade feminina é o Amapá, onde elas ocupam um terço dos assentos. Já em Mato Grosso do Sul não houve nenhuma mulher eleita.

Quantitativamente, quem está a frente é São Paulo, com 18 eleitas (19% da Alesp). Em relação ao ano passado, são oito a mais.

Na média, as candidaturas de mulheres ficaram em torno de 30%, o mínimo exigido por lei.

Em relação à renovação dos assentos, Piauí teve a menor taxa (só 23% das vagas serão ocupadas por novos deputados). A maior foi no Distrito Federal —75%. A média do Brasil foi de 49,5%.

Números das eleições para as Assembleias Legislativas

•             33% é a proporção de mulheres eleitas no AP, a maior do Brasil. Em segundo lugar ficam RR e SE (25% cada)

•             0 mulheres foram eleitas em MS, e MT terá só 4% dos assentos ocupados por elas, a 2ª menor taxa

•             163 mulheres foram eleitas no país. Isso equivale a 15,4% das 1.059 vagas

•             49,5% é a taxa média de renovação (vagas ocupadas por novos deputados) nesta eleição. Em 2014, foi de 48,9%

•             23% é a taxa de renovação no Piauí, a menor do país. A maior é no DF: 70%

•             80% das vagas da Assembleia do Piauí foram conquistadas pela coligação do governador reeleito Wellignton Dias (PT). É o maior percentual do país

Partido pula de nanico a 2ª bancada da Câmara Federal

A onda a favor d e Bolsonaro emplacou diversos nomes na lista dos candidatos a deputado federal mais votados país afora.

O partido do presidenciável terá a segunda maior bancada na Câmara, com 52 das 513 cadeiras da Câmara. O número só é menor que o do PT, cuja bancada será de 56 integrantes.

Legenda nanica até o ingresso de Bolsonaro —o deputado entrou na legenda neste ano, após negociar sem sucesso com outras—, o PSL havia eleito apenas 1 deputado em 2014. Atualmente tem 8. Já o PT verá seu agrupamento diminuir. Elegeu 68 em 2014 e tem hoje 61 vagas.

MDB e PSDB, hoje segunda e quarta maiores bancadas da Câmara, também tiveram expressiva redução e vão integrar o pelotão de siglas médias na próxima legislatura.

O Novo, partido que surgiu recentemente, elegeu oito deputados.

O estado de São Paulo deu votação absoluta recorde para um dos filhos de Bolsonaro, Eduardo (PSL), que conseguiu a reeleição com mais de 1,8 milhão de votos.

Ele bateu a marca nacional de Enéas Carneiro (Prona), que nas eleições de 2002 havia obtido 1,5 milhão de votos devido à popularidade adquirida quando participou, anos antes, das eleições presidenciais.

Outra aliada de Bolsonaro, a jornalista Joice Hasselmann (PSL) foi a segunda mais votada no Estado, com mais de 1 milhão de votos. Celso Russomanno (PRB) e o líder do MBL (Movimento Brasil Livre), Kim Kataguiri (DEM), vieram logo em seguida.

O palhaço Tiririca (PR) teve cerca de 450 mil votos, um terço do que obteve em 2010 quando se elegeu pela primeira vez para a Câmara.

O nome de esquerda mais bem votado em São Paulo foi Sâmia Bomfim (PSOL), que ficou na oitava posição.

Outros exemplos de campeões de votos bolsonaristas eram Minas e Rio. Um dos principais rivais de Bolsonaro na Câmara, o deputado Jean Wyllys (PSOL) se elegeu com 24,3 mil votos na esteira da grande votação do colega de partido Marcelo Freixo (342 mil).

Aliado de primeira hora de Bolsonaro, o deputado Onyx Lorenzony (DEM) foi o segundo mais votado no Rio Grande do Sul.

O placar deste domingo mostra um cenário bem melhor para o candidato a presidente do PSL em uma eventual gestão sua, diante da perspectiva de apoio na Câmara do PSL e de parlamentares da bancada antipetista. O PRTB, partido que se uniu a Bolsonaro na eleição não elegeu nenhum deputado.

Apesar disso, os partidos de esquerda conseguiram bom desempenho em alguns casos, em especial no Nordeste. Presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR) se elegeu no Paraná com a terceira maior votação (212 mil votos). O ex-presidente do PT Rui Falcão também foi eleito em São Paulo, ficando entre os 20 mais votados.

Em Minas o deputado federal petista Reginaldo Lopes (194 mil) e a vereadora em Belo Horizonte Áurea Carolina (PSOL), com 162 mil, tiveram expressiva votação. Eles apareciam como o segundo e o quarto melhores colocados.

No Rio, 2 dos 6 primeiros colocados são do partido de Bolsonaro.

Em Pernambuco, João Campos (PSB) —filho do ex-governador Eduardo Campos, morto em 2014 num acidente de avião— estava na dianteira, com 460 mil votos, seguido pela vereadora no Recife Marília Arraes (PT), com 193 mil votos. No Piauí, Rejane Dias (PT) era a mais bem-sucedida, com 131 mil votos.

Candidato à Presidência em 2014, o tucano Aécio Neves era o 18º deputado mais votado em Minas Gerais, com pouco mais de 100 mil votos. Hoje senador, ele perdeu capital político ao ter o nome envolvido no escândalo da JBS. Ao votar neste domingo, chegou a ser hostilizado em Belo Horizonte.

O partido da presidenciável Marina Silva seguiu o pífio desempenho de sua líder nas eleições para a Câmara. Elegeu apenas uma deputada.


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