Semana On

Segunda-Feira 16.dez.2019

Ano VIII - Nº 375

Coluna

Sob as botinas da violência

A política, no que ela tem de surreal, com o jornalista Victor Barone

Postado em 10 de Outubro de 2018 - Victor Barone

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Nos últimos dias, inúmeros relatos de violência promovida por apoiadores do candidato Jair Bolsonaro (PSL) surgiram nas redes sociais e na mídia. São depoimentos chocantes, que vão da violência moral à física, e até a um assassinato (do capoeirista Moa do Katendê). Ainda não há estatísticas sobre o número de ocorrências. À imprensa, quando questionado, Bolsonaro disse que lamenta, mas não se responsabiliza. “Quem levou a facada fui eu, pô. O cara lá que tem uma camisa minha e comete um excesso, o que é que eu tenho a ver com isso?”.

Tem responsabilidade sim

O jurista Henrique Abel discorda da tese de Jair Bolsonaro (PSL) de que não teria responsabilidade sobre atos de agressão cometidos por seus correligionários em seu nome (veja o vídeo acima). “Sim, há uma responsabilidade. Não diretamente, mas ele é considerado um símbolo e legitima práticas e condutas ilícitas ou abertamente criminosas, como dizer que ele iria ‘fuzilar a petralhada’ do Acre”. Abel completa: “Mesmo que em um eventual governo ele não chegue a dar uma ordem de matar ou torturar alguém, o simples fato de simbolicamente legitimar essas práticas representa, aos olhos de quem será governado por ele, uma interpretação de que passam a ser permitidas. E de que não há nada de errado com elas”.

Mapa da violência

Um mapa com os episódios de violência dessas eleições está sendo organizado. Está lá, por exemplo, o registro da jovem de 19 anos que foi espancada e teve uma suástica gravada na barriga. Aliás, acredite se quiser, o delegado responsável, Paulo Cesar Jardim, afirmou que não é a suástica nazista, mas a budista. É que o desenho está invertido. “Tenho absoluta convicção. O que temos é um símbolo milenar religioso budista. Símbolo de amor, paz e harmonia”, disse ele à Rádio Guaíba. Em Recife, uma jornalista foi agredida e ameaçada de estupro, ouvindo dos agressores que “quando o comandante ganhasse, a imprensa toda ia morrer”.

E a cabeça?

Diante da violência, está difícil manter a saúde mental nesse período. O El País traz essa matéria com relatos de psicanalistas que recebem pessoas apavoradas, com razão, pelas situações de ameaça e violência que têm vivido. Profissionais estão usando as redes sociais para, ocultando o nome dos pacientes, levar a debate público o que escutam no consultório. Há também o posicionamento de várias instituições de psicanálise contra a opressão representada pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL).

Surreal

Uma médica rasgou uma receita dada a um idoso. O motivo? Ele declarou ter votado em Fernando Haddad (PT) no último domingo. O caso aconteceu no Hospital Estadual Giselda Trigueiro, em Natal. José Alvez de Menezes, de 72 anos, registrou queixa na delegacia. “Me senti ofendido. Passei vergonha na frente de todo mundo”, disse ao G1. A médica Tereza Dantas confirmou ao portal o ocorrido: “Eu realmente rasguei [a receita], porque ele não votou no meu candidato”. Ela diz estar arrependida.

Não é a primeira vez que ouvimos casos assim. Nas eleições de 2014, em um grupo do Facebook chamado Dignidade Médica, profissionais compartilhavam táticas de intimidação a pacientes que declarassem voto em Dilma Rousseff. O caso ficou público quando uma postagem chegou ao ponto de pregar “holocausto e castração química a nordestinos”. O PT denunciou ao Ministério Público Federal.

Jornalistas

Levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo mostra que em 2018 se registraram mais de 120 agressões a jornalistas em contexto político-eleitoral. Foram 64 ocorrências de assédio em meios digitais e 59 vítimas de atentados físicos. 

Desabafo

O músico e compositor Arnaldo Antunes divulgou nas suas redes sociais um manifesto sobre o clima de tensão e de violência que acomete o país às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.

"Isto Não é um Poema", como foi intitulado, é um vídeo de quase 12 minutos. Sobre um fundo preto, sucedem-se versos escritos em fonte branca dando conta de casos recentes de agressão atribuídos a eleitores de Jair Bolsonaro (PSL), como o assassinato do mestre de capoeira Moa do Catendê. 

"Aqui / hoje / eu vi / aterrorizado / um artista assassinado / Moa do Catendê, /mestre de capoeira, / autor do Badauê — / por conta de uma divergência política num bar / da Bahia", escreve. Há também referências a outros momentos traumáticos da história recente do Brasil, como o assassinato de Marielle Franco e o incêndio do Museu Nacional.

Antunes também usa frases de Jair Bolsonaro, como “eu apoio a tortura” e “não te estupro porque você não merece". Em pouco mais de 15 horas, o vídeo já teve cerca de 40 mil visualizações no YouTube do músico, que está atualmente em turnê com o grupo os Tribalistas.

Recentemente, o rapper Criolo fez um vídeo cheio de alusões a episódios marcantes no rastro dos atos de junho de 2013. 

Extrema direita avança

Jair Bolsonaro (PSL) conseguiu 46,03% dos votos válidos. Fernando Haddad (PT), 29,28%. Se enfrentarão no segundo turno, daqui a 20 dias. O problema do campo popular progressista, até lá, será tirar votos do capitão reformado do Exército. Isso porque eleitores de candidatos do campo conservador – Geraldo Alckmin (PSDB), com 4,7%; João Amoêdo (Novo), com 2,5%; Cabo Daciolo (Patriota), com 1,26%; Henrique Meirelles (MDB), com 1,2%; Álvaro Dias (Pode), com 0,8% – tendem a migrar para a candidatura do PSL, e não para Haddad.

Varrer o comunismo e apostar no misticismo

Mantendo a aposta no extremismo, Jair Bolsonaro (PSL) afirmou logo após o primeiro turno que pretende varrer o “comunismo” do país e voltou a colocar em xeque a lisura do processo eleitoral: “Se tivéssemos confiança no voto eletrônico, já teríamos o nome do futuro presidente da República decidido no dia de hoje.” O primeiro turno contou com foi de avalanche de notícias falsas sobre as urnas eletrônicas nas redes de seus apoiadores. A começar por um de seus filhos, eleito senador pelo Rio. Flávio Bolsonaro divulgou vídeo em que a urna completava o voto para Haddad – mentira rebatida por perícia do TRE-MG que provou que o vídeo foi editado.

De nanico a gigante

Piauí resumiu a performance do desconhecido e antes nanico PSL, que segundo pesquisa Datafolha, já está empatado com o PSDB como segundo partido na preferência do eleitor brasileiro (com 4%), só perdendo para o PT (isolado na liderança, com 21%):

“Foi a maior vitória eleitoral da direita desde o fim da ditadura. O ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro recebeu quase 50 milhões de votos e ficou a pouco mais de um João Amoêdo e meio de ser eleito presidente da República no primeiro turno. Seu partido, que elegera um único deputado federal há quatro anos, montou a segunda maior bancada da Câmara (…) O PSL elegeu ainda quatro senadores e levou seu candidato ao segundo turno nas disputas pelos governos de três estados.”

Show de horrores

A galeria de eleitos para integrar a bancada paulista na Câmara dos Deputados tem general, palhaço, príncipe e astro de filme pornô. O comediante Tiririca (PR) avisou que não tentaria a reeleição, se dizendo “decepcionado com a política”, mas recuou da decisão e conseguiu se manter no Legislativo. O ator Alexandre Frota (PSL), de filmes pornográficos, surfou na onda de Jair Bolsonaro, também de seu partido, e obteve 152 mil votos. Cogitado para vice na chapa do presidenciável do PSL, Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL), descendente da família real brasileira, acabou não emplacando na vaga, mas concorreu a uma cadeira na Câmara e teve sucesso, com 116 mil votos. Outro eleito, também do partido de Bolsonaro, o general Sebastião Peternelli também vai integrar a bancada paulista. Teve 73 mil votos. Indicado para presidir a Funai (Fundação Nacional do Índio), ele acabou sendo desconvidado após protestos de movimentos indígenas. O campeão de votos em São Paulo foi Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do candidato à Presidência. Ele teve 1,8 milhão de votos. Em segundo lugar, também do mesmo partido, aparece Joice Hasselmann, com 1 milhão de votos.  Líder do MBL (Movimento Brasil Livre), Kim Kataguiri foi o quarto mais votado, com 465 mil votos, atrás de Celso Russomano, o terceiro do ranking, com 521 mil. 

Começou bem

Eleito deputado federal pelo PSL com mais de 155 mil votos, Alexandre Frota diz estar preparado para ocupar o seu lugar no Congresso Nacional a partir de janeiro do ano que vem. Ex-ator de filmes pornôs, Frota, que se define como alguém de "alma conservadora" e com ideias liberais, acredita que os parlamentares não terão dificuldade em aceitá-lo. "Eles não vão ter dificuldade porque lá dentro já é a putaria. Os maiores atores e atrizes pornôs já estão lá dentro. Eu só vou me colocar junto ao elenco", ironiza.

Só falta queimar 

Cinco livros sobre direitos humanos do acervo da Biblioteca Central (BCE) da Universidade de Brasília (UnB) foram propositalmente danificados, tendo algumas páginas rasgadas e riscadas. A instituição divulgou nota informando que está fazendo uma varredura em outros títulos que tratam do mesmo assunto para verificar se há mais obras vandalizadas.

Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos lamentou o episódio e ressaltou que a coexistência de ideias e leituras distintas sobre fatos históricos é essencial para a construção de uma sociedade plural, pacífica e tolerante.

“Rasgar obras literárias que veiculam narrativas sobre as conquistas em direitos humanos é, em última análise, impedir a formação de uma visão crítica e democrática do mundo que nos cerca”, destacou o ministro Gustavo Rocha.

Santo Agostinho

No Rio de Janeiro, por pressão de pais de alunos, o colégio Santo Agostinho suspendeu a adoção do livro “Meninos sem Pátria”, de Luiz Puntel, inspirado na história do jornalista José Maria Rabêlo, perseguido pela ditadura militar. Um grupo de estudantes —a maioria meninas— protestou em frente à escola, mas a censura continua.

Preconceito na África

A agência Africa suspendeu seu diretor de negócios, José Boralli, depois que ele compartilhou um post preconceituoso, na noite do dia 7, em seu perfil no Instagram. Diante dos resultados do primeiro turno, que mostraram vitória de Fernando Haddad no Nordeste, Boralli reproduziu na plataforma: "Nordeste vota em peso no PT. Depois vem pro Sul e Sudeste procurar emprego!". Acrescentou em seguida o comentário "Se liga aí Nordeste!!!". Posteriormente, escreveu: "Fiz um post no calor do momento e peço sinceras desculpas a todos que se sentiram ofendidos. Não reflete minha opinião. Eu errei [...] Peço desculpas. Em especial aos nordestinos, tantos [com] que eu inclusive trabalho, minha eterna admiração e respeito".

Na segunda-feira (8), os dois copresidentes da agência, Sergio Gordilho e Márcio Santoro, assinaram comunicado interno, dizendo que "um funcionário da Africa postou um comentário infeliz e preconceituoso" e que a empresa "tomará as medidas cabíveis em relação a esse caso, que fere o código de conduta”. À tarde, Boralli já não compareceu aos compromissos na agência.

Gordilho e o fundador da Africa, o publicitário e colunista da Folha Nizan Guanaes, são baianos. Na nota, a agência acrescenta: "Nascemos da diversidade. Acreditamos nela e a defendemos, acima de tudo. Não respeitá-la seria arranhar nossa biografia e nossos RGs, na maioria nordestinos. O comentário desse funcionário não coincide com nossa crença, não está à altura da nossa história". O comunicado encerra dizendo: "Continuaremos vigilantes em relação a qualquer atitude, seja ela de quem for ou onde for, que venha a ferir os nossos valores".

Jornal Nacional

Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) concederam entrevista de cerca de cinco minutos cada ao Jornal Nacional (TV Globo). Ambos foram questionados sobre declarações polêmicas de correligionários e, cada um ao seu modo, desautorizaram-nos (veja os vídeos abaixo).

Veja a entrevista com Haddad:

Veja a entrevista de Bolsonaro:

Arianos

'Meu neto é um cara bonito, viu ali? Branqueamento da raça'', afirmou o general da reserva Hamilton Mourão, candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro, no aeroporto de Brasília, no último dia 6. O comentário vai ao encontro de outra declaração polêmica dada por Mourão, em agosto: ''Temos uma certa herança da indolência [vagabundagem, preguiça], que vem da cultura indígena. Eu sou indígena. Meu pai é amazonense. E a malandragem, Edson Rosa [vereador negro, presente na mesa], nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, esse é o nosso caldinho cultural''.]

Chama-se eugenia o estudo de formas de melhorar a espécie humana pela genética, pelo controle da reprodução e outros fatores sociais. Essa ideia de criar ''seres humanos melhores'' acabou, claro, sendo usada para validar a segregação e justificar o extermínio de pessoas. Governos na Alemanha, Suécia, Finlândia, Noruega, Estados Unidos, Japão acabaram adotando um viés da eugenia que acreditava que não havia solução para determinados grupos de indivíduos por conta de sua origem. E foi registrada castração forçada de negros, indígenas, criminosos (onde foi que ouvimos isso nessa campanha, aliás?), pessoas com deficiências e doentes crônicos. No limite, tivemos o holocausto de judeus, o extermínio de homossexuais e da população roma (ciganos).

A eugenia como instrumento de ''limpeza racial'' vê esperança no avanço da extrema direita em todo o mundo, com a volta do fantasma do discurso da supremacia de pessoas de determinada origem, cor e etnia em detrimento às outras. Quem quiser ler sobre a eugenia no Brasil, uma sugestão é o livro ''A hora da eugenia: raça, gênero e nação na América Latina'', de Nancy Leys Stepan, da Editora Fiocruz.

Briga de bico grande

Expulso por suposta infidelidade do PSDB paulistano comandado por um aliado de João Doria, o secretário estadual Saulo de Castro afirmou que “o seu partido não é o dos oportunistas, dos mentirosos, dos que não têm palavra”. Castro e o ex-governador e ex-presidente nacional do PSDB Alberto Goldman foram sumariamente expulsos pelo diretório municipal no último dia 8. A expulsão faz parte da ofensiva de Doria para tomar o controle do partido depois da derrota de Geraldo Alckmin na eleição presidencial. O tucano comanda o PSDB nacional. A executiva nacional desautorizou as expulsões.

Na terça (9), o prefeito de Ribeirão Preto (SP), Duarte Nogueira, revoltou-se com o pedido público do correligionário Orlando Morando, prefeito de São Bernardo Campo (SP), pela saída de Geraldo Alckmin da presidência nacional do partido depois de sua derrota na eleição. Para Nogueira, "Geraldo não é causa ou problema, Geraldo é vítima desse tipo de conduta dentro do PSDB. É gente que fica ciscando para fora e segregando, ao invés de ciscar para dentro e agregar".

Em reunião fechada da executiva, em Brasília, Alckmin enfrentou Doria. Segundo relato de três diferentes fontes presentes ao encontro, Alckmin interrompeu Doria e disse que não era um traidor e covarde.

Maridão

A artista Bia Doria, mulher do candidato a governador de São Paulo João Doria (PSDB), rebateu a insinuação de Geraldo Alckmin (PSDB) de que o marido o traiu (leia acima). "João ficou totalmente engajado na campanha do Geraldo, o tempo inteiro. Quem não ficou engajado foi ele, que ficou do lado do Márcio França (PSB)", afirmou. "Se tem alguém traidor não é o João, é o Alckmin, o Alckmin que não ficou do lado do PSDB. João é que foi traído."

Bom cristão

O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, disse que não perdoa Adélio Bispo de Oliveira que o atacou com uma faca no dia 6 de setembro, em Juiz de Fora, em Minas Gerais. “Eu não perdoo ele (sic) não. Se depender de mim, ele mofa na cadeia", afirmou. "Bandido tem que apodrecer na cadeia. Se cadeia é lugar ruim, é só não fazer a besteira que não vai para lá. Vamos acabar com essa história de ficar com pena de encarcerado. Quem está lá fez por merecer”, acrescentou.

Um gentleman

Jair Bolsonaro (PSL) repassou aos seus seguidores nas redes sociais post veiculado pelo filho Carlos Bolsonaro. Lê-se no texto o seguinte: “Aí surge o pau mandado do cachaceiro corrupto preso dizendo que quer combater fakenews! Isso é um vagabundo!”

Carlos respondia a uma postagem veiculada por Fernando Haddad. Nela, o presidenciável petista trombeteia um quadro comparando suas posições com as de Bolsonaro em relação a dez itens —do 13º salário à tributação de ricos. Os Bolsonaro sustentam que se trata de notícia falsa.

Na véspera, Haddad havia proposto ao adversário a celebração de um pacto contra a difusão de inverdades na internet. Bolsonaro reagira assim: ''O pau mandado de corrupto me propôs assinar 'carta de compromisso contra mentiras na internet'. O mesmo que está inventando que vou aumentar imposto de renda para pobre. É um canalha! Desde o início propomos isenção a quem ganha até R$ 5.000. O PT quer roubar até essa proposta''.

Deu ruim no muro

Em seu primeiro show no Brasil, o eterno líder do Pink Floyd, Roger Waters, fez jus a quem esperava dele um posicionamento político, marca que sempre caracterizou aquela que é considerada uma das maiores bandas de todos os tempos.

Na apresentação da turnê "Us+them", nessa terça-feira (9) à noite, na Arena Palmeiras, em São Paulo, o músico arrancou aplausos e vaias ao se manifestar contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência. Crítico do presidente norte-americano, Donald Trump, Roger Waters fez referências diretas e indiretas ao político brasileiro.

Em um intervalo após a execução da clássica "Another brick in the Wall", foram exibidas imagens de macacões de cor laranja, típicos de prisioneiros norte-americanos, com a inscrição "Resist" (resista, em inglês) nas costas.

Em outro momento, o telão exibiu vários slides com exemplos de personagens e tendências que merecem resistência, como o “neofascismo". Na sequência foram mostrados países e líderes políticos onde o neofascismo estaria em ascensão. O Brasil aparece ao lado do nome de Jair Bolsonaro.

Depois da apresentação de “Eclipse”, o telão exibiu pela primeira vez a inscrição #Ele não, em referência à campanha iniciada por mulheres nas redes sociais contra o candidato do PSL. Roger Water recebeu vaias e aplausos do público durante pelo menos três minutos.

Cheio de opinião

O general da reserva Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente pela chapa do PSL encabeçada por Jair Bolsonaro (PSL), disse ter "suas opiniões", em relação a desautorização que sofreu por parte de seu cabeça de chapa após declarações polêmicas. "Falei para ele proceder com sua visão. Tenho minhas críticas (a Constituição). Agora, o presidente, como ele disse, é ele. Só não sou um vice anencéfalo. Tenho minhas opiniões", disse Mourão.  Bolsonaro desautorizou as declarações de Mourão sobre um possível "autogolpe" e reafirmou que pretende respeitar a Constituição caso venha a ser eleito presidente. Mourão também minimizou o fato de Bolsonaro ter errado seu nome duas vezes. "Foi um ato falho. Mas falei para ele: ‘Vê se acerta nossos nomes! Eu sou o Hamilton, o Heleno é o Augusto", disse. 

Ativismo

Organizações como a Conectas, o Intervozes e o Greenpeace se juntaram a outras mais de 4.000 assinaturas em uma nota de repúdio à declaração de Jair Bolsonaro (PSL) de que irá “botar um ponto final em todos os ativismos no Brasil”. O documento afirma que “além de uma afronta à Constituição Federal, que garante os direitos de associação e assembleia no Brasil, a declaração reforça uma postura de excluir a sociedade civil organizada dos debates públicos. Trata-se de uma ameaça inaceitável à nossa liberdade de atuação”. Leia a coluna completa aqui.

Lá fora, só pau

Em artigo publicado na quinta-feira (11), a revista The Economist afirmou que Jair Bolsonaro (PSL) representa uma ameaça para o Brasil e para América Latina.  "Em vez de um flashback para 1964 [ano em que os militares tomaram o poder no poder], Bolsonaro representa uma ameaça mais insidiosa ['traiçoeira']. Ele expressa visões extremas. Ele disse que a ditadura errou em 'torturar em vez de matar'. Ele quer que a polícia mate mais 'criminosos', e quer liberar a posse de armas", diz trecho do texto.  Há poucas semanas, a publicação classificou o candidato do PSL como "a mais recente ameaça da América Latina". No editorial que repetia a manchete, a publicação afirmou que "ele seria um presidente desastroso".

Coisa de doido

O ex-presidente Lula recebeu visitantes que perguntaram a ele se tinha visto os apelos para que Fernando Haddad renunciasse, deixando o terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT-CE), disputar o segundo turno com Jair Bolsonaro (PSL-RJ). “Isso é uma maluquice”, respondeu. Na quarta (10), a ideia foi explicitada pela senadora Kátia Abreu (MDB-GO), que postou no Twitter uma mensagem pedindo: “Haddad renuncie e mostre que o Brasil é mais importante que o poder”. Lula estaria tranquilo. Aos interlocutores, teria dito que a vitória é difícil, mas não impossível. Caso frustrada, o importante seria o PT “qualificar a derrota”, apontando “a tragédia que virá”. “O tsunami vai e volta”, e a disputa política não se encerra em uma eleição, teria dito ele aos visitantes.

Desagradável

A líder do partido francês Rassemblement National (Agrupamento ou Comício Nacional), Marine Le Pen, afirmou na quinta-feira (11) "não ver o que" possa fazer do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) um candidato de extrema direita, argumentando que a cultura brasileira é diferente e que é difícil transpor as propostas dele para a França. "De qualquer forma, basta alguém dizer algo desagradável para ser de extrema direita para as mídias francesas", comentou Le Pen em entrevista à emissora France 2, quando questionada sobre declarações de Bolsonaro sobre as mulheres e os homossexuais. "Mas ele certamente fez declarações que são extremamente desagradáveis, que não são de forma alguma transferível para o nosso país, é uma cultura diferente", ressalvou a líder populista de direita.


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