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Segunda-Feira 15.out.2018

Ano VII - Nº 324

Governo

Comportamento

Temos predisposição para o perdão, afirma estudo

Alguma esperança para a humanidade em tempos difíceis

Postado em 25 de Setembro de 2018   - Galileu

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Quem não vive embaixo de uma pedra em 2018 já percebeu que não estamos no melhor momento da humanidade – mas intolerâncias, crises, desastres e pessimismos à parte, a ciência pode ter encontrado uma luz no fim do túnel. Isso porque, aparentemente, humanos têm predisposição para perdoar.

Foi isso que psicólogos das Universidades de Yale, Oxford, College London e International School for Advanced Studies descobriram em um estudo publicado no último dia 17 no periódico Nature Human Behaviour. “O cérebro forma impressões sociais de uma forma que pode permitir o perdão”, afirmou Molly Crockett, autora principal do paper. “Como pessoas às vezes se comportam mal por acidente, nós precisamos ter a capacidade de atualizar más impressões que se mostram equivocadas. Não fosse por isso, poderíamos acabar relações prematuramente e perder muitos benefícios de conexões sociais”, completou.

Os experimentos envolveram mais de 1,5 mil participantes, que observaram as escolhas de dois estranhos frentes a um dilema moral: infligir choques elétricos em outra pessoa em troca de dinheiro. Enquanto o estranho “bom” se recusava a realizar a tarefa, o “mau” maximizava seus lucros, independente das consequências. Os participantes do teste foram perguntados sobre as impressões formadas em relação ao caráter e nível de confiança daqueles dois estranhos.

Como você deve ter imaginado, as respostas foram positivas em relação a pessoa que não deu os choques – mas as coisas começam a ficar interessantes agora: a maioria dos participantes não tiveram tanta confiança na hora de categorizar o outro indivíduo como “mau”, demonstrando a capacidade de mudarem de opinião rapidamente. Quando ele decidia não realizar o choque elétrico, por exemplo, a impressão das cobaias melhorava significantemente – até, é claro, a próxima descarga elétrica.

Segundo Crockett, este padrão ajuda a entender a insistência de algumas pessoas em relacionamentos ruins. “Acreditamos que nossa descoberta revela uma predisposição básica para dar o benefício da dúvida a outras pessoas, até mesmo estranhos. A mente humana é construída para manter relações sociais, até quando os nossos parceiros se comportam mal”, teorizou.

A pesquisa também pode ajudar a compreender melhor alguns distúrbios psiquiátricos que acarretam em dificuldades sociais, como o Transtorno de personalidade limítrofe (Borderline).


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