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Pesquisa Vox Populi que mostra Haddad na liderança gera polêmica nas redes

No levantamento, o petista foi identificado como Fernando Haddad (PT), apoiado por Lula. Os demais eram citados da maneira com que são conhecidos do eleitorado

Postado em 14 de Setembro de 2018   - Congresso em Foco

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Pesquisa divulgada na quinta-feira (13) pelo Vox Populi causou polêmica nas redes sociais e chegou a ser, momentaneamente, o assunto mais comentado do Twitter no Brasil. A divergência foi causada pela principal novidade do levantamento, que trouxe de maneira inédita o recém-lançado candidato do PT a presidente, Fernando Haddad, na liderança, com 22% das intenções de voto. Jair Bolsonaro (PSL), que lidera nas sondagens dos demais institutos, ficou na segunda colocação, com 18%.

Também suscitou debate a informação de que a pesquisa foi encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), tradicional aliada do PT e integrante do movimento que defende a libertação do ex-presidente e seu direito de disputar a eleição. No Vox Populi, Ciro Gomes (PDT) aparece em terceiro lugar (10%), seguido de Marina Silva (Rede), com 5%, e Geraldo Alckmin (PSDB), com 4%.

Durante algumas horas, o Twitter foi invadido por tuítes (veja exemplos mais abaixo) que comemoravam ou refutavam o levantamento. Nas pesquisas realizadas pelos outros institutos, o entrevistado é questionado sobre em qual candidato vai votar. Na estimulada, os nomes são apresentados de forma individual. O Vox Populi usou metodologia diferente. O petista era identificado como “Fernando Haddad (PT), apoiado por Lula”. Os demais eram citados da maneira com que são conhecidos do eleitorado.

Discrepâncias

Segundo o Datafolha divulgado no último dia 10, Bolsonaro tem 24% das intenções de votos, enquanto Haddad alcança 9%, atrás numericamente – mas em empate técnico – com Ciro, Marina e Alckmin. No levantamento do Ibope divulgado no dia 11. O deputado fluminense também desponta na liderança, com 26%, enquanto o petista somava 8% das intenções de votos. Haddad, que era vice de Lula, assumiu a candidatura presidencial na última terça-feira porque o ex-presidente foi barrado pela Justiça eleitoral.

Em entrevista à revista Carta Capital, o diretor do instituto, Marcos Coimbra, disse que não vê problema em associar o nome de Haddad a Lula. Segundo ele, não se trata de uma “indução”, mas de “fornecer o máximo de informação ao eleitor”.

“Esconder o fato de que o ex-prefeito foi indicado e tem o apoio do ex-presidente tornaria irreal o resultado de qualquer levantamento. É uma referência relevante para uma parcela significativa dos cidadãos. Chega perto de 40% a porção do eleitorado que afirma votar ou poder votar em um nome apoiado por Lula”, alegou Marcos Coimbra.

Metodologia

“A piada que contam é que a pesquisa não é do Vox Populi porque, se fosse, mostraria o Haddad ganhando a eleição no primeiro turno”, respondeu rindo o cientista político Paulo Kramer ao ser questionado sobre os números do instituto de pesquisas mineiro.

Para o professor da Universidade de Brasília (UnB), é fundamental observar a metodologia utilizada em cada levantamento. “Nas pesquisas qualitativas, o problema está na formulação da pergunta, ou seja, na forma como a conversa com um determinado grupo de pessoas é conduzida. Dependendo de como isso é feito, pode haver alguma indução, até involuntária. Nas pesquisas quantitativas, como é o caso, você pode ter problema em razão da formulação da pergunta e do desenho da amostra de entrevistados”, disse.

Kramer chama a atenção para outros aspectos que podem afetar o resultado de uma pesquisa eleitoral. “Se o Datafolha vestir todos os seus entrevistadores de mórmons, provavelmente ele vai ter como resultado um voto mais conservador. Alguns eleitores de esquerda darão um voto mais próprio de um eleitor de direita. Porque, por alguma razão de difícil compreensão, as pessoas, ao responderem entrevistas presenciais, sempre tendem a aproximar sua opinião da opinião que elas imaginam que o entrevistador tem”, afirmou.

O professor da UnB defende que se dê mais atenção às pesquisas realizadas por telefone, que têm ganhado espaço no Brasil. “Estudos realizados em vários países têm demonstrado que as pesquisas telefônicas, nas quais o respondente obviamente não vê o entrevistador, são mais eficientes para mostrar o ‘closet vote’, isto é, o voto de armário ou voto envergonhado”.


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