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Terça-Feira 20.nov.2018

Ano VII - Nº 328

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Poder

Ministro do STF dá 15 dias para PGR decidir se denuncia Michel Temer

Áudios reforçam indícios de propinas para o presidente

Postado em 14 de Setembro de 2018   - Redação Semana On

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O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de 15 dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se denuncia o presidente Michel Temer em investigação que apura se o emedebista recebeu vantagem indevida da Odrebecht.

A Polícia Federal concluiu na semana passada o relatório do inquérito. O documento aponta indícios de que o presidente recebeu R$ 1.438.000,00, por intermédio do coronel João Baptista Lima Filho. Segundo o relatório, os repasses foram solicitados por Moreira Franco a executivos da Odebrecht.

O relatório foi encaminhado pelo STF à procuradora-geral da República, Raquel Dodge. No prazo de 15 dias, Dodge decide se apresenta denúncia contra Temer, se pede o arquivamento do processo, ou se toma outras medidas.

Indícios fortes

O inquérito em que a Polícia Federal colecionou evidências de repasse de propinas da Odebrecht para Michel Temer contém indícios sonoros que complicam a defesa do presidente da República. Os investigadores anexaram ao processo quatro gravações. Nelas, a voz do coronel João Baptista Lima Filho, amigo e operador de Temer, soa em diálogos com entregadores de propinas.

Em notícia veiculada no seu site, O Globo revela o conteúdo de quatro áudios. Foram gravados por funcionários da Hoya Corretora de Valores. A empresa pertence ao doleito Álvaro Novis, contratado pela Odebrecht para realizar as entregas de dinheiro sujo a políticos. O material foi entregue à PF como parte do acordo de colaboração judicial celebrado pela empreiteira.

O inquérito que envolve Temer corre no Supremo Tribunal Federal. Apura a destinação de R$ 10 milhões do departamento de propinas da Odebrecht para caciques do MDB. Coisa alinhavada num jantar no Palácio do Jaburu, em 2014, quando Temer ainda era vice-presidente. Entre os presentes estava Marcelo Odebrecht. A PF sustenta que a parte do bolo que coube a Temer somou R$ 1,4 milhão.

Procurado, o Planalto informou que Temer não comentaria interpretações policiais que se baseiam apenas em “fantasias”. Nos áudios, porém, o operador do presidente fala de coisas reais. Acerta o recebimento de “encomenda”, eufemismo para a verba de má origem. Reclama do valor de uma das “atas”, outro apelido para propina. “Tem alguma previsão pra mais alguma coisa?”, indaga o coronel Lima numa das fitas. Leia abaixo as transcrições:

– Áudio Um: gravado em 19 de março de 2014, às 10h25. Ouvem-se na conversa as vozes de João Baptista Lima e Edimar Moreira Dantas, funcionário da Hoya Corretora de Valores. De acordo com a PF, o entregador combinava com o operador do presidente o horário da entrega:

Coronel João Baptista Lima – Alô?

Edimar – Seu João?

Coronel Lima – Ele mesmo.

Edimar – Meu pessoal tá ai … o senhor já tá no local da … aquela encomenda?

Coronel Lima – Não! Eu tô fora. Não… nós não falamos antes. Eu tô ai com uns compromissos agora. Eu só vou estar lá na minha base por volta das 14:30. Como é que o senhor vê ai? Dá pra passar às 14:30?

Edimar – Eu vou ver aqui e retorno. O senhor tá longe de lá, né?

Coronel Lima: – Estou longe. Eu tô aqui pro lado de Santo Amaro, viu? E … ai com um compromisso que eu não posso deixar de atender, viu? Então 14:30, 15 horas é que eu tô chegando lá na minha base.

Edimar – Então vou ver se consigo marcar para as 15 horas. Qualquer coisa…

Coronel Lima – O senhor faz o favor, me dá uma ligada, fá bom?

Edimar – Tá bom, tchau!

Coronel Lima – Obrigado!

– Áudio Dois: gravado em 19 de março de 2014, às 11h37. Nessa gravação, João Baptista Lima conversa com Márcio José Freira do Amaral, outro funcionário da Hoya:

Coronel Lima – Alô?

Márcio – Senhor João?

Coronel Lima – Ele mesmo!

Márcio – Ah, sim! Bom dia!

Coronel Lima – Tudo bem!

Márcio – Bem. Hoje então aquela reunião foi adiada, né? Vai ser entre 3 e 5 horas. Das 15 às 17.

Coronel Lima – Ok. Tô por lá nesse horário.

Márcio – Tá. Só que nós temos 3 etapas dessa reunião, que vai ser 5ª e 6ª feira. Agora, 5ª e 6ª eu gos … bem, eu queria ver com o senhor se pode ser entre 10 e 12 horas, na 5ª e na 6ª?

Coronel Lima – Veja se vocês podem me fazer isso daí às 12 horas. Eu faço de tudo para tá às 12 horas. É possível?

Márcio – De 12 … vamo marcar então de … é que tem sempre que dar um espaço de tempo, de 12 até que horas, mais ou menos?

Coronel Lima – 12 às 13, tudo bem?

Márcio -12 às 13. Nos dois dias?

Coronel Lima -12 às 13. Nos dois dias

Márcio – Então tá combinado

Coronel Lima – Combinado, um abraço!

Márcio – Grande abraço, até logo!

João – Outro! Tchau!

– Áudio três: gravado, novamente, em 19 de março de 2014, às 15h54. Os interlocutores são, de novo, João Baptista Lima e Márcio José Freira do Amaral, da Hoya. Segundo a PF, o entregador ligou porque o operador de Temer não fornecera a senha combinada para receber a propina.

Coronel Lima – Alô?

Márcio – João?

Coronel Lima – Ele

Márcio – É o Márcio aqui. Tudo bem?

Coronel Lima – Tudo bem!

Márcio – Meu pessoal tá aí com você?

Coronel Lima – Tá aqui. Ok e … conforme combinamos .

Márcio – Ah, tá. Porque eles disseram que você não sabia o nome, né?

Coronel Lima – Então, não houve um nome … só ficou nessa base do ok, … E nada mais, ok e… Só isso!

Márcio – Tá. Ok! Beleza!

Coronel Lima – Ok, reunião confirmada, só isso!

Márcio – Tá, muito obrigado!

Coronel Lima – Obrigado a você. Tchau!

Márcio – Um abraço! Tchau!

Áudio quatro: gravado em 24 de março de 2014, às 15h37. Dias depois das entregas, João Baptista Lima e Márcio José Freira do Amaral conversam sobre o valor de uma das remessas, mais baixo que o de entregas anteriores.

Coronel Lima – Alô?

Márcio – João?

Coronel Lima – Ele

Márcio – Opa! Aqui é o Márcio. Tudo bom?

Coronel Lima – Tudo bem, Márcio

Márcio – Eu recebi um recado aqui, sinceramente não tô entendendo, acho que a pessoa tá se expressando mal aqui, eu não tô entendendo. É … nós tivemos 3 reuniões: quarta, quinta e sexta. Fiz uma na quarta, fiz na quinta, e na sexta você ia demorar me pediu que entregasse ao Silva.

Coronel Lima -Isto, isto!

Márcioo – Então, as três reuniões foram concretizadas.

Coronel Lima – Tudo bem! Tem alguma previsão pra mais alguma coisa, ou não?

Márcio – Ah, não! É .. não! Ainda não tem informação nenhuma. Mas essas 3 foi tudo certinho, né?

Coronel Lima – Foi.

Márcio – É que o pessoal tá se expressando mal, tá fazendo uma confusão do cacete.

Coronel Lima – Tudo bem, tudo bem. A última, a da sexta feira, em que foi entregue ai ao Silva as atas, elas não foram iguais às atas anteriores, né? Ficou um pouco abaixo.

Márcio – É! Um pouquinho abaixo, o número era quebrado.

Coronel Lima – Tá certo, tá certo!

Márcio – Tá bom?

Coronel Lima – Tá entendido, então!

Márcio -Ok!

Coronel Lima – Eu agradeço a tua atenção!

Márcio – Um abração, Tchau, tchau!

Coronel Lima – Outro. Obrigado. Um abraço! Tchau!


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