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Ano VI - Nº 320

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Uma em cada nove pessoas no mundo passa fome, diz ONU

Fome cresce na América do Sul impulsionada por situação na Venezuela

Postado em 11 de Setembro de 2018   - DW e EFE

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O número de pessoas afetadas por desnutrição mundo afora aumentou pelo terceiro ano consecutivo em 2017, retrocedendo a níveis de uma década atrás, aponta um relatório publicado por agências da Organização das Nações Unidas (ONU) na terça-feira (11).

Um total de 821 milhões de pessoas, ou uma em cada nove no planeta, não tem o suficiente para comer. Em 2016, 804 milhões de pessoas estavam nessa situação.

Mundo afora, quase 151 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade sofreram de desnutrição no ano passado, ou 22% das crianças no mundo. Ao mesmo tempo, 672 milhões de adultos no mundo – um em cada oito – estão obesos, ante 600 milhões em 2014. 

No Brasil, a situação é considerada estável nos últimos anos, e o problema atinge hoje 2,5% da população. De 2004 a 2006, a taxa registrada foi de 4,6%. Ao mesmo tempo, aumentou a percentagem de adultos obesos no país, de 19,9% em 2012 para 22,3% em 2018.

De acordo com a ONU, mudanças climáticas e a ocorrência de conflitos impulsionam o retrocesso. A maior variabilidade nas temperaturas usuais, chuvas intensas e mudanças no padrão das estações impactam a quantidade e a qualidade de comida disponível e afetam principalmente os mais pobres. 

O Brasil, por exemplo, registrou nos últimos anos várias ocorrências de temperaturas extremas em áreas destinadas à agricultura e estiagens mais frequentes. O país está entre os 51 listados no relatório da ONU como mais expostos a extremos climáticos em 2017, e, portanto, mais suscetível ao aumento de casos de desnutrição.

A situação tem piorado principalmente na América do Sul e na maior parte da África, enquanto, na Ásia, a situação é estável na maioria das regiões. A Ásia tem o maior número de pessoas desnutridas no mundo – de 515 milhões – devido ao tamanho de sua população.

O relatório foi publicado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

América do Sul

A fome cresceu no ano passado na América Latina e Caribe, afetando cerca de 39 milhões de pessoas por conta da desaceleração econômica na América do Sul, marcada especialmente pelo caso da Venezuela.

As últimas estimativas do relatório sobre o estado de segurança alimentar e nutricional no mundo, publicado por várias agências das Nações Unidas a cada dois anos, revelam uma deterioração da situação em nível regional, onde o número de pessoas que sofrem com a fome passou de 38,9 milhões em 2016 para 39,3 milhões em 2017 (6,1% da população).

Embora o nível de fome seja relativamente baixo em comparação com outras regiões, esse aumento na América Latina é explicado, principalmente, pela desaceleração econômica na América do Sul, afirmou à Agência Efe, o diretor de Estatística da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Rosero.

Nesta região, a prevalência de desnutrição (ou falta crônica de nutrientes) subiu de 4,7% da população em 2014 para 5% projetada para 2017 ou, em termos absolutos, de 19,3 milhões de habitantes para 21,4 milhões.

Durante o mesmo período, essa taxa diminuiu no Caribe, afetando 16,5% da população no ano passado (7 milhões de pessoas com fome) e seis décimos na América Central, até 6,2% (11 milhões).

O relatório indica que a tendência de alta na América do Sul pode ser o resultado da persistência dos preços baixos para a maioria dos produtos básicos exportados, especialmente o petróleo.

Isso reduziu a capacidade de importar alimentos, investir na economia por parte dos governos e proteger as pessoas mais vulneráveis diante da redução das receitas fiscais.

"A desaceleração econômica é observada na América do sul, o que é explicado especialmente pela situação na Venezuela", disse Rosero, afirmando que no país sul-americano, a taxa média de desnutrição foi de 11,7% da população entre 2015 e 2017 (3,7 milhões de venezuelanos no total), quase quatro vezes mais que no triênio 2010-2012.

Ele explicou que em nível nacional fornecem estimativas com a média de três anos para suavizar a grande variabilidade na informação que manipulam.

Em toda a região, as maiores porcentagens de fome nos últimos três anos foram no Haiti (45,8% de sua população, equivalente a 5 milhões de pessoas), Bolívia (19,8% da população, 2,2 milhões) e Nicarágua (16,2% da população, 1 milhão).


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