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Ano VII - Nº 328

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Mundo

Ação de latino-americanos na ONU quer promover o isolamento de Maduro

Maduro diz que 600 mil deixaram país nos últimos dois anos devido a violência

Postado em 04 de Setembro de 2018   - Redação Semana On

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Onze países que se reúnem no Grupo de Lima (Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru), encaminharam à Organização das Nações Unidas (ONU) uma resolução em que condenam violações na Venezuela e incentivam o isolamento do atual governo. O Brasil, entretanto, não copatrocionou o documento.

Caso a resolução seja votada, o Brasil votará a favor, uma vez que o governo brasileiro mantém seu “absoluto repúdio à violação sistemática” de direitos humanos por parte do governo do presidente Nicolás Maduro, como costumam repetir os negociadores brasileiros.

Os diplomatas que estão à frente das negociações, no entanto, afirmam haver a preocupação de que a Venezuela obtenha apoio junto aos países não alinhados, que englobam 115 nações entre africanos e asiáticos, além da Rússia e outros, o que poderia levar à rejeição da proposta.

Na visão brasileira, mesmo que aprovada, se a resolução obtiver número expressivo de votos contrários, não contribuirá para o reforço da pressão internacional contra o regime venezuelano.

Grupo de Lima

O Grupo de Lima solicitou ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para iniciar as consultas para discussão sobre o assunto na próxima semana.

O objetivo é que órgão promova avaliações de denúncias e crimes envolvendo o governo venezuelano. Com uma eventual aprovação no Conselho de Direitos Humanos, os países latino-americanos esperam que, pressionado, Maduro se fragilize e fique cada vez mais no isolamento.

A crise na Venezuela é tratada com frequência nas sessões da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Os representantes do Brasil costumam se manifestar, ressaltando casos de violações de direitos humanos, situações específicas de desrespeito aos dissidentes políticos, a ausência de liberdade de expressões, a falta de alimentos e o êxodo causado pelos imigrantes na região.

Nesta resolução, por exemplo, venceu a proposta sobre os problemas relativos à insegurança no país. Os brasileiros defenderam dar prioridade à abordagem sobre violações de direitos humanos.

O texto tem 18 propostas, todas já reiteradas em várias oportunidades com apoio do Brasil.  

Do lado venezuelano, os representantes de Maduro alegam que há um conluio organizado pelos Estados Unidos e Colômbia para desestabilizar o país. Com apoio dos não alinhados, o presidente da Venezuela promete reagir.

Êxodo

O homem forte da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou a ONU de justificar uma "intervenção internacional" ao exagerar o número de migrantes venezuelanos, que cifrou pela primeira vez em 600 mil pessoas nos últimos dois anos. 

"Claro que um grupo de venezuelanos, por causa dos distúrbios, da violência, da agressão, do bloqueio financeiro pelo governo dos EUA, quis tentar a sorte no exterior, e mais de 90% estão arrependidos, de um grupo que não passa de 600 mil venezuelanos que saíram nos últimos dois anos", afirmou Maduro. 

Segundo ele, essas cifras são "comprováveis, certificadas e justas". 

Segundo a ONU, cerca de 2,3 milhões de venezuelanos vivem no exterior, dos quais 1,6 milhão abandonou seu país desde 2015. A Venezuela nega que se trate de uma crise humanitária.

"Tomaram o tema de migração como uma campanha, uma campanha de mentiras, de falsidades, com números falsos. A Venezuela é o terceiro país receptor de migrantes em toda a América e o penúltimo país de onde saem migrantes", acrescentou Maduro. 

"Nos comunicamos com o secretário-geral [da ONU], António Guterres, para manifestar nossa preocupação de que funcionários de forma isolada estejam sejam usados para transformar um fluxo migratório normal em uma crise humanitária justificadora de uma intervenção", disse a vice-presidente, Delcy Rodríguez.

"Fizeram valer como próprios (...) dados informados pelos governos de países inimigos", acrescentou a funcionária em coletiva de imprensa, acompanhada por seu irmão Jorge Rodríguez, ministro da Comunicação.

A vice-presidente não identificou os funcionários da ONU apontados, tampouco os países inimigos, embora tenha criticado o Grupo de Lima, integrado por nações críticas ao governo Maduro.

Nesta segunda-feira em Quito, no Equador, 13 países da América Latina começaram a debater fórmulas para regularizar os migrantes que fogem da grave crise venezuelana e obter fundos estrangeiros.

"A pior crise humanitária que o mundo vive hoje é a causada pela Otan, por países da União Europeia, na África e no Oriente Médio", declarou Delcy Rodríguez, que pediu à chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, "rigor" e não fazer eco de notícias falsas.

A vice-presidente citou um informe da ONU segundo o qual cerca de 1.600 refugiados morreram em 2018 a "caminho da Europa".

Delcy Rodríguez desqualificou também os pedidos de fundos da comunidade internacional para o atendimento de migrantes venezuelanos na América Latina. 

Acusou particularmente a Colômbia de usar a Venezuela para "viver" de ajuda internacional.

"Dá asco que centros de poder de Equador, Peru, Colômbia tenham se dedicado a semear crimes de ódio contra venezuelanos", afirmou o ministro, que assegura que cerca de cinco milhões de colombianos vivem na Venezuela. 

Entretanto, a Chancelaria da Colômbia estima em cerca de 940.000 os colombianos residentes no país vizinho. O mais recente censo feito na Venezuela, em 2011, os cifrou em 721.000.


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