26/04/2024 - Edição 540

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Países pedem à Venezuela que facilite para quem quer deixar o país

Publicado em 30/08/2018 12:00 -

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Depois de uma longa reunião em Lima, representantes do Comitê de Autoridades de Migração (CAAM), que engloba a Bolívia, o Equador, a Colômbia e o Peru, apelaram à Venezuela para que facilite a emissão de documentos para os cidadãos que queiram deixar o país. Também definiram uma série de prioridades para o tratamento dos imigrantes.

Ressaltando que serão respeitados os direitos humanos, de acordo com as convenções internacionais, o diretor-geral da Comunidade Andina (CAN), José Arróspide, leu o documento final em que estão descritas as ações.

Inicialmente, todos os governos dos países presentes à reunião se dispuseram a trocar informações sobre o fluxo migratório a partir de dados transmitidos à Secretaria-Geral da Comunidade Andina.

O objetivo é buscar “mecanismos de controle migratório”. Porém, não foi detalhado como será feito esse controle.

Os representantes do CAAM também definiram que haverá uma cooperação regional para colaborar com o financiamento de traslados e a fixação dos venezuelanos nas áreas específicas em cada país.

Paralelamente, as autoridades andinas apelaram para que o governo do presidente Nicolás Maduro facilite a entrega dos documentos aos venezuelanos que querem deixar o país, como identidade, certidões de nascimento e passaportes.

Na Venezuela, Maduro afirmou que há uma “campanha de ódio” e xenofobia contra os venezuelanos, liderada pelo Peru.

Retorno

O ministro de Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez, disse que o governo do presidente Nicolás Maduro recebeu "milhares" de solicitações de ajuda de cidadãos que desejam retornar ao país, ao mesmo tempo em que denunciou supostas campanhas de xenofobia contra venezuelanos na região.

"Estamos recebendo solicitações (de ajuda) de milhares em milhares nas nossas embaixadas (…), mas não podemos expressá-las até que isso esteja ocorrendo em tempo real para evitar qualquer tipo de retaliações contra venezuelanos que desejem ser repatriados", disse o ministro em entrevista coletiva em Caracas.

O governo de Maduro assegurou que 89 venezuelanos, que residiam no Peru e atravessavam uma "dura realidade", solicitaram apoio para voltar ao seu país, e que esta ajuda foi prestada no marco de um plano idealizado pelo próprio presidente no último mês de abril.

Neste sentido, Rodríguez declarou que os venezuelanos que emigraram para a Colômbia e o Peru são vítimas de atos de xenofobia, que estariam sendo impulsionados pelos governos destes países "através dos meios de comunicação".

"Falam barbaridades da mulher venezuelana, será por inveja? Falam horrores dos meninos e meninas venezuelanas", acrescentou.

Embora o governo de Maduro não tenha divulgado números oficiais sobre o deslocamento de seus cidadãos, estimativas independentes coincidem com o parlamento em cifrar em pelo menos quatro milhões o total de venezuelanos que fugiu do seu país nos últimos anos devido à severa crise.

Este êxodo fez soar os alarmes nos países da região, que já abordam de maneira conjunta a forma de oferecer respostas eficazes ao cada vez maior fluxo migratório de venezuelanos.


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