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Ano VI - Nº 320

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Rugas profundas na testa são indícios de doenças no coração, diz estudo

Pesquisa acompanhou 3,2 mil adultos por 20 anos e encontrou relação entre rugas profundas na testa e chances de morrer por doenças cardiovasculares

Postado em 28 de Agosto de 2018   - Galileu

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As rugas, tão combatidas por centros de estética, podem representar mais que um sinal de experiência, é o que indica uma pesquisa apresentada na conferência anual da Sociedade Européia de Cardiologia. Rugas horizontais muito profundas na testa podem trazer indícios de como está sua saúde, pois estão ligadas a uma maior incidência de doenças cardiovasculares.

No passado, pesquisas já tentaram relacionar diferentes sinais visíveis de envelhecimento a doenças. No entanto, não foi encontrada nenhuma relação com os famigerados pés-de-galinha com a saúde do coração. Por outro lado, foi detectada uma ligação entre a calvície de padrão masculino, os vincos do lóbulo da orelha, o xantelasma (bolsas de colesterol sob a pele) e um risco maior de doença cardíaca, mas não com um risco aumentado de realmente morrer.

Agora, os autores investigaram um diferente marcador visível da idade - rugas horizontais na testa - para ver se tinham algum valor na avaliação do risco cardiovascular em um grupo de 3.200 adultos saudáveis ​​com 32, 42, 52 e 62 anos de idade no início do estudo. 

Foram examinados por médicos que atribuíram pontuações dependendo do número e da profundidade das rugas em suas testas. Uma pontuação zero significava ausência de rugas, enquanto uma pontuação de três significava "numerosas rugas profundas".

Os participantes do estudo foram acompanhados por 20 anos, período em que 233 morreram de várias causas. Destes, 15,2% tiveram rugas de dois e três pontos, 6,6% apresentavam rugas de um ponto e 2,1% não apresentavam rugas.

Os autores descobriram que as pessoas com pontuação de rugas de um tinham um risco ligeiramente maior de morrer de doença cardiovascular do que pessoas sem rugas. Aqueles que tiveram escores de rugas de dois e três tiveram quase 10 vezes o risco de morrer em comparação com pessoas que tiveram escores de zero, após ajustes para idade, sexo, educação, tabagismo, pressão arterial, freqüência cardíaca, diabetes e níveis lipídicos.

"Quanto maior sua pontuação de rugas, mais aumenta o risco de mortalidade cardiovascular", diz o autor do estudo Yolande Esquirol, professor associado de saúde ocupacional no Centro Hospitalar Universitário de Toulouse, na França.

"Você não pode ver ou sentir fatores de risco como colesterol alto ou hipertensão", afirmou Esquirol. "Nós exploramos as rugas da testa como um marcador porque é tão simples e visual. Apenas olhar para o rosto de uma pessoa pode soar um alarme, então poderíamos dar conselhos para reduzir o risco."

Os pesquisadores ainda não sabem o motivo da relação, que persistiu mesmo quando fatores como estresse no trabalho foram levados em conta, mas teorizam que isso poderia ter a ver com a aterosclerose, ou o endurecimento das artérias devido ao acúmulo de placa. A aterosclerose é um dos principais contribuintes para ataques cardíacos e outros eventos cardiovasculares.

Alterações na proteína de colágeno e no estresse oxidativo parecem desempenhar um papel tanto na aterosclerose quanto nas rugas. Além disso, os vasos sangüíneos na testa são tão pequenos que podem ser mais sensíveis ao acúmulo de placa, o que significa que as rugas podem ser um dos primeiros sinais de envelhecimento do vaso.

Para os pesquisadores, no entanto, as rugas não substituem nenhum dos métodos diagnósticos já existentes. "As rugas da testa podem ser um marcador da aterosclerose", diz o Dr. Esquirol. "Esta é a primeira vez que um elo foi estabelecido entre risco cardiovascular e rugas na testa, então as descobertas precisam ser confirmadas em estudos futuros, mas a prática pode ser usada agora em consultórios médicos e clínicas. Não custa nada e não há risco ", concluiu.


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