Semana On

Domingo 15.dez.2019

Ano VIII - Nº 375

Poder

Mais de 500 candidatos usam títulos religiosos no nome de urna

Nenhuma religião combina com eleição, alerta Ministério Público

Postado em 24 de Agosto de 2018 - Por Lucas Gelape, Rafaela Putini (G1) e Thiago Chagas (UOL)

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Ao menos 521 candidatos nestas eleições utilizam títulos religiosos no nome de urna, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento leva em conta os pedidos de registro, atualizados até o último dia 17. Em 2014, foram 489 pedidos de candidatura, de acordo com o levantamento.

O nome de urna é uma das principais formas usadas pelos candidatos para chegar ao eleitor, sendo utilizado durante toda a campanha. Todos os candidatos devem indicar um nome de urna no pedido de registro.

Segundo o TSE, o nome de urna pode ser um “prenome, sobrenome, cognome, nome abreviado, apelido ou nome pelo qual o candidato é mais conhecido” e deve ter no máximo 30 caracteres. Além disso, ele não pode deixar dúvida sobre a identidade do candidato nem atentar contra o pudor, ser ridículo ou irreverente.

Gabriela Figueiredo Netto, doutoranda em ciência política na USP, explica que essa prática faz com que eleitores de uma determinada religião possam "identificar um candidato da mesma religião, produzindo um efeito de identidade de grupo". "Teoricamente ambos se aproximam das mesmas ideias e dos mesmos interesses."

O principal título religioso utilizado nos pedidos de registro de 2018 é o de “pastor” ou “pastora”, em 313 casos, seguido por “irmã” ou “irmão” (97) e “missionário” ou “missionária” (40).

A identificação se deu pelo uso de alguns termos no nome de urna dos candidatos. São eles:

  • pastor
  • pastora
  • padre
  • irmão
  • irmã
  • bispo
  • bispa
  • frei
  • apóstolo
  • ministro
  • missionário
  • missionária
  • presbítero
  • reverendo
  • pai
  • mãe

Além disso, foram consideradas eventuais abreviações (exceto “pr.” pela dificuldade de distinguir entre as categorias). Para evitar falsos positivos (como “pai de fulano” ou “irmão do beltrano” registrados como títulos religiosos), essas informações foram analisadas individualmente.

A pesquisadora da USP aponta três hipóteses para candidatos que possuem religião, mas não a incluem no nome de urna:

  1. candidatos deixariam a religião como fator pessoal, sem incluí-la na política
  2. alguns possuiriam reconhecimento político suficiente e não necessitariam mobilizar o eleitorado da religião
  3. outros evitariam incluir essa informação no nome de urna para evitar rejeição.

Os dados levam em conta pedidos de candidaturas para todos os cargos em disputa nesta eleição – presidente e vice, governador e vice, senador e suplente, deputado federal e deputado (distrital, estadual e federal), excluindo candidatos que tenham feito mais de um pedido. Este número ainda pode aumentar, pois o balanço é parcial.

Os pedidos de candidatura foram feitos pelos partidos até as 19h do último dia 15. O TSE, entretanto, não divulgou um balanço fechado e tem atualizado os números regularmente.

Para as informações de 2018, foram usados dados de pedidos de registro de candidaturas disponibilizados pelo TSE e, para 2014, dados do Repositório de Dados Eleitorais do TSE.

MPF alerta

O Ministério Público Federal está fazendo uma campanha para combater a prática de propaganda eleitoral nas igrejas. O slogan “Nenhuma religião combina com eleição” resume a legislação de forma prática e objetiva.

A campanha, obviamente, foca nas igrejas cristãs por conta da maioria cristã na população. Valendo-se de rima, o Ministério Público Federal do Amapá destaca que toda e qualquer propaganda eleitoral em templos é uma transgressão à legislação vigente.


Voltar


Comente sobre essa publicação...