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Quarta-Feira 22.jan.2020

Ano VIII - Nº 376

Poder

Mais de 700 candidatos usarão patente ou cargo policial como nome na urna

Candidatura de militares ao Executivo cresce 92% em quatro anos

Postado em 17 de Agosto de 2018 - Redação Semana On

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Sargento, soldado, coronel, tenente, delegado... Pelo menos 746 postulantes às eleições deste ano carregarão consigo para as urnas as instituições às quais estão ou foram vinculados. Mais de um quarto deles (199) vai concorrer pelo PSL, do deputado e presidenciável Jair Bolsonaro. Levantamento do Congresso em Foco mostra que pelo menos 19 patentes e cargos relacionados a forças policiais, militares e armadas serão utilizados por candidatos nas eleições de outubro.

O levantamento aponta que a maioria desses candidatos com patente no nome vai concorrer a vagas nos legislativos estaduais e federal em 23 estados e no Distrito Federal. São 430 postulantes a deputado estadual, 19 a distrital e 262 a federal. Na lista, porém, aparecem oito candidatos a governador, oito a vice, um a presidente, o Cabo Daciolo (Patriota), e um a vice-presidente, o General Mourão (PRTB), que faz chapa com Bolsonaro.

Candidato à reeleição e correligionário de Bolsonaro, o deputado Delegado Waldir (GO) afirma que o presidenciável “puxa” o movimento das patentes para seu partido. Como este site mostrou mais cedo, o número de candidatos pela sigla disparou com a candidatura do capitão do Exército. “Mas não basta ter patente, tem de ter serviço para mostrar”, disse o goiano. Com 1.260 nomes, o PSL é a legenda com maior número de candidaturas no geral.

Para o deputado Major Olimpio (SP), também do PSL, a patente tem, sim, peso nas urnas. "A questão da segurança pública tem prioridade pela tragédia que é para todo o povo brasileiro", disse à reportagem. Para ele, a população tem buscado nas forças policiais referências para levar para a política. O parlamentar foi o responsável por articular as candidaturas de militares no PSL, e afirmou estar feliz com o resultado no número de candidatos.

Nem todos levam a patente ou a instituição à qual pertence no nome, como o próprio Bolsonaro, um capitão da reserva do Exército. O TSE indica em seu site que 889 pessoas declararam à Corte eleitoral serem membros das instituições militares (bombeiros, policiais e militares reformados) neste ano. Entre eles, o próprio presidenciável. O número é quase idêntico ao de 2014, quando 888 pessoas se autodeclararam militares.

Candidatura de militares

O número de militares que disputarão um cargo ao Poder Executivo nas eleições de outubro quase dobrou em relação à última disputa, em 2014. Pelo menos 25 candidatos originários das Forças Armadas, Polícia Militar e Corpo de Bombeiro vão disputar à presidente, vice-presidente, governador ou vice-governador. Em 2014, esse número foi de 13 militares e em 2010, 7, o que representa um aumento de 92% e 257%, respectivamente.

A participação de militares na política aumentou por causa do desgaste e insatisfação do público com políticos tradicionais e com o agravamento do quadro de segurança pública.

Somente para o Palácio do Planalto, três militares participam da corrida em duas chapas: Jair Bolsonaro (PSL) e Hamilton Mourão (PRTB), candidatos à presidência e vice, e Cabo Daciolo (Patriota), ex-bombeiro que almeja a presidência da República.

Nos estados, pelo menos 22 nomes concorrem aos cargos de governador ou vice. No Rio, o PRTB lançou uma chapa formada por dois policiares militares e em São Paulo, três mulheres da Polícia Militar foram covidadas para compor chapas como vice-governadoras.

O PSL, de Bolsonaro, é o partido com maior número de candidatos militares (6) que disputam um cargo no Executivo. Em seguida vem o PRTB, com quatro candidatos e o DEM, com três. O PSDB tem dois candidatos militares para um cargo no governo e o MDB e o Psol levam um candidato cada um.

Regras diferentes

As normas para filiação de candidatos militares são diferentes dos civis. Militares da ativa com mais de 10 anos de serviço e que não tenham cargo no alto comando da corporação só podem se filiar após serem escolhidos em convenção partidária. Depois da filiação, o militar deve comunicar à autoridade da qual pertence que passará a condição de agregado ou momentaneamente inativo. Caso seja eleito, ele passa para a inatividade. Caso o candidato tenha menos de 10 anos de serviço, ele passa para a inatividade em definitivo após ser escolhido em convenção. Em ambos os casos, o militar não precisa respeitar a regra geral de seis meses de filiação antes do pleito.


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