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Ano VII - Nº 328

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Cartas na mesa

Lula ocupa centro da cena numa corrida com 3 chapas da esquerda e 5 da direita

Postado em 06 de Agosto de 2018   - Redação Semana On - Com Congresso em Foco, DW e IHU

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Com 13 candidatos a presidente, esta será a segunda eleição com o maior número de postulantes ao cargo máximo da República, atrás apenas da disputa de 1989, quando 22 concorreram. Na eleição passada, em 2014, participaram 11 nomes.

Pela primeira vez a campanha começará com um candidato na prisão. Líder em todas as pesquisas, o ex-presidente Lula ainda tenta reverter sua inelegibilidade na Justiça para poder disputar. O número de candidatos poderia ser ainda maior, já que o PCdoB abriu mão na última hora de lançar Manuela D’Ávila para apoiar o PT. Pelo acordo, ela será a vice de Lula em todos os casos. Se ele for barrado, ela assumirá o posto de vice de Fernando Haddad, que, então, passará ao comando da chapa. Se o ex-presidente conseguir levar sua candidatura adiante, ela substituirá Haddad.

Dos 35 partidos reconhecidos legalmente no país, apenas três – o PSB e os nanicos PMB e PMN – decidiram não lançar candidato nem apoiar qualquer candidatura oficialmente. Entre os presidenciáveis, a maior coligação será a encabeçada pelo tucano Geraldo Alckmin, composta por nove partidos (PSDB, DEM, PP, PRB, PR, SD, PSD, PTB e PPS). Isso dará a ele cerca de 40% do espaço no horário eleitoral gratuito.

Também de maneira inédita desde a redemocratização do país uma chapa será formada por dois militares da reserva, o deputado Jair Bolsonaro (PSL), capitão, e o general Mourão (PRTB), ambos do Exército. Bolsonaro lidera as pesquisas em que o ex-presidente Lula é excluído da relação de candidatos.

Há apenas duas mulheres na cabeça de chapa: Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PSTU). São quatro as candidatas a vice: Ana Amélia (PP), Kátia Abreu (PDT), Sônia Guajajara (Psol) e Suelene Balduino Nascimento (Patriota). A eleição também põe frente a frente cinco parlamentares. Além das senadoras Ana Amélia e Kátia Abreu, participam o senador Alvaro Dias (Podemos) e os deputados Jair Bolsonaro e Cabo Daciolo (Patriota).

Veja abaixo como ficaram as composições partidárias e quais serão os candidatos ao Palácio do Planalto e do Jabuti. Um desses nomes comandará o país a partir de 1º de janeiro de 2019. Clique nos links para saber mais sobre cada candidatura.

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Lula (PT)

Vice: Fernando Haddad

PT, PCdoB, PCO e Pros

A convenção nacional do PT escolheu, por aclamação, no dia 4 de agosto, o nome de Luiz Inácio Lula da Silva para ser o candidato à Presidência da República. O encontro também homologou o apoio do PCO e do PROS à candidatura do PT. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso em Curitiba, desde 7 de abril, após ter sido condenado em segunda instância no caso do triplex de Guarujá. O ator Sérgio Mamberti leu, na convenção, uma carta escrita por Lula, onde ele afirmou que "querem fazer uma eleição presidencial de cartas marcadas, excluindo o nome que está à frente na preferência popular em todas as pesquisas".

Jair Bolsonaro (PSL)

Vice: General Mourão (PRTB)

PSL e PRTB

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), 63 anos, foi confirmado, no dia 22 de julho, como o candidato à Presidência da República nas eleições deste ano pelo PSL. O vice é o general Hamilton Mourão, do PRTB. Na convenção, Bolsonaro adiantou que, se eleito, quer excluir o ministério das Cidades e fundir pastas como Fazenda e Planejamento, assim como Agricultura e Meio Ambiente. O candidato prometeu ainda privatizar estatais. 

Marina Silva (Rede)

Vice: Eduardo Jorge (PV)

Rede e PV

A primeira convenção nacional da Rede Sustentabilidade confirmou, por aclamação, no dia 4 de agosto, o nome Marina Silva como candidata da sigla à Presidência da República. O candidato à vice na chapa, o médico sanitarista, Eduardo Jorge, do Partido Verde (PV), também foi apresentado oficialmente no encontro. A presidenciável prometeu uma campanha limpa, sem notícias falsas e sem destruir biografias. Se comprometeu com as reformas da Previdência, tributária e política, que acabe com a reeleição e incentive candidaturas independentes. Se eleita, Marina também disse que pretende fazer uma revisão dos “pontos draconianos” da reforma trabalhista que, segundo ela, seriam feitas a partir de um diálogo com o Congresso.

Ciro Gomes (PDT)

Vice: Kátia Abreu (PDT)

PDT e Avante

O PDT confirmou no dia 20 de julho a candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, na convenção nacional que reuniu filiados do partido. Esta é a terceira vez que Ciro Gomes será candidato à Presidência da República: em 1998 e 2002, ele concorreu pelo PPS. Natural de Pindamonhangaba (SP), construiu sua carreira política no Ceará, onde foi prefeito de Fortaleza, eleito em 1988, e governador do estado, eleito em 1990. Renunciou ao cargo de governador, em 1994, para assumir o Ministério da Fazenda, no governo Itamar Franco (1992-1994), por indicação do PSDB, seu partido na época. Ciro Gomes foi ministro da Integração Nacional de 2003 a 2006, no governo do ex-presidente Lula. Tem 60 anos e quatro filhos.

Geraldo Alckmin (PSDB)

Vice: Ana Amélia (PP)

PSDB, DEM, PP, PRB, PR, SD, PSD, PTB e PPS

Em convenção nacional realizada na capital federal, o PSDB confirmou, nesse sábado (4), a candidatura do presidente do partido e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, à Presidência da República nas eleições de outubro. Dos 290 votantes, 288 aprovaram a candidatura de Alckmin. Houve um voto contra e uma abstenção. A senadora Ana Amélia (PP-RS) é a vice na chapa. No primeiro discurso como candidato, Alckmin disse que quer ser presidente para unir o país e recuperar a "dignidade roubada" dos brasileiros. Ele defendeu a reforma política, a diminuição do tamanho do Estado e a simplificação tributária para destravar a economia.

Alvaro Dias (Podemos)

Vice: Paulo Rabello de Castro (PSC)

Podemos, PSC, PTC e PRP

O senador Álvaro Dias foi escolhido pelos convencionais do Podemos para ser candidato à Presidência da República. A candidatura do parlamentar pelo Paraná foi oficializada em Curitiba, durante convenção nacional do partido. Na primeira fala como candidato, Álvaro Dias anunciou que, se eleito, vai convidar o juiz federal Sérgio Moro para ser ministro da Justiça, e repetiu a promessa de “refundar a República”. Ele vai compor a chapa com o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, cujo partido, o PSC, havia decidido lançar candidatura própria à Presidência, mas desistiu em favor de uma aliança com o Podemos. Além do PSC, fazem parte da coligação até agora os partidos PTC e PRP.

Henrique Meirelles (MDB)

Vice: Germano Rigotto (PMDB)

MDB e PHS

O MDB confirmou, no dia 2 de agosto, o nome de Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda, como candidato à Presidência da República. O partido informou que Germano Rigotto, ex-governador do Rio Grande do Sul, será o vice na chapa. Henrique Meirelles destacou como prioridades investimentos em infraestrutura, para diminuir as distâncias no país, além de saúde e segurança pública. O presidenciável também prometeu reforçar o Bolsa Família. Para gerar empregos, Meirelles disse que pretende resgatar a política econômica, atrair investimentos e fazer as reformas para que o país cresça 4% ao ano. 

Guilherme Boulos (Psol)

Vice: Sônia Guajajara (Psol)

Psol e PCB

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores SemTeto (MTST), Guilherme Boulos, foi lançado no dia 21 de julho como candidato à Presidência da República pelo PSOL, na convenção nacional em São Paulo. Também foi homologado o nome de Sônia Guajajara, representante do povo indígena, para vice-presidente. Boulos destacou que irá defender temas que pertencem aos princípios do partido, como o direito ao aborto e à desmilitarização da polícia. 

João Amoêdo (Novo)

Vice: Christian Lohbauer (Novo)

Novo

oão Dionisio Amoêdo foi oficializado candidato à Presidência da República pelo Partido Novo durante convenção na capital paulista, no dia 4 de agosto. O cientista político Christian Lohbauer foi escolhido como candidato à vice-presidente. Entre as principais propostas de Amoêdo estão equilibrar as contas públicas, acabar com privilégios de determinadas categorias profissionais, melhorar a educação básica e atuar fortemente na segurança. O presidenciável também é favorável à revisão do Estatuto do Desarmamento. João Amoêdo disse que quer levar renovação à política e mudar o Brasil. O presidenciável defendeu a privatização de empresas estatais.

João Goulart Filho (PPL)

Vice: Léo Alves (PPL)

PPL

O PPL lançou, no dia 5 de agosto, João Goulart Filho como candidato à Presidência da República. Ele é filho do ex-presidente João Goulart, o Jango, que teve mandato presidencial, de 1961 a 1964, interrompido pela ditadura militar. É a primeira vez que João Goulart Filho concorre ao cargo. O candidato a vice é Léo Alves, professor da Universidade Católica de Brasília. Algumas propostas do candidato são a redução drástica dos juros da dívida pública para dar condições ao Estado de investir no desenvolvimento social, o resgate da soberania, o controle das remessas de lucros das empresas estrangeiras e a revisão do conceito de segurança nacional.

Vera Lúcia (PSTU)

Vice: Herz Dias (PSTU)

PSTU

Em convenção nacional, o PSTU oficializou, no dia 20 de julho, a candidatura de Vera Lúcia à Presidência da República e de Hertz Dias como vice na chapa. A escolha foi feita por aclamação pelos filiados ao partido presentes na quadra do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, na zona leste da capital paulista. De acordo com Vera Lúcia, o plano de governo prevê reforma agrária, redução da jornada de trabalho sem redução de salário e um plano de obras públicas para atender as necessidades da classe trabalhadora. O PSTU decidiu que não fará nenhuma coligação para a disputa presidencial, nem alianças nas eleições estaduais.

Cabo Daciolo (Patriota)

Vice: Suelene Balduino Nascimento (Patriota)

Patriota

A convenção nacional do Patriota oficializou a candidatura do deputado federal Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, o Cabo Daciolo. O evento ocorreu no município de Barrinha, no interior de São Paulo. O candidato foi escolhido por unanimidade. A candidata a vice é Suelene Balduino Nascimento, do mesmo partido. Ela é pedagoga com 23 anos de experiência e atua na rede pública de ensino do Distrito Federal. Daciolo defende mais investimentos em educação e segurança por considerar áreas essenciais para o crescimento do país. Em discurso durante a convenção, Daciolo se posicionou contrário à legalização do aborto e à ideologia de gênero. 

José Maria Eymael (DC)

Vice: Pastor Hélvio Costa (DC)

DC

O partido Democracia Cristã (DC) confirmou, no dia 28 de julho, durante convenção na capital paulista, a candidatura de José Maria Eymael à Presidência da República, nas eleições de outubro, e do pastor da Assembleia de Deus Helvio Costa como vice-presidente. Na área econômica, as diretrizes gerais de governo do DC incluem política macroeconômica orientada para diminuição do custo do crédito ao setor produtivo, apoio e incentivo ao turismo e a valorização do agronegócio com ações de governo específicas, que ainda não foram divulgadas, e apoio aos pequenos e médios produtores rurais.

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Uma marca importante dessas eleições: há apenas duas chapas com coligações mais amplas, exatamente as lideradas pelos dois partidos que hegemonizam a disputa política nacional desde 1990. Á direita, a de Alckmin, com o "centrão"; à esquerda, a de Lula, com o PT mais PC do B, PROS, PCO e o apoio informal da maior parte do PSB e dos segmentos progressistas do MDB. Ciro, Boulos, Bolsonaro, Marina, Álvaro Dias e Meirelles vão com chapas "puro sangue" ou quase isso, sem alianças ou apoios de expressão.

As seis caraterísticas mais relevantes do cenário

1) Tudo gira em torno de Lula; sendo candidato ou impugnado pelas elites, as eleições acontecem ao redor dele, como maior líder político da história do país. Se for candidato, liquidará a fatura no primeiro turno. Se não for, deverá conduzir o "candidato do Lula" (Haddad) ao segundo turno, conforme indicam as pesquisas e a experiência histórica com Getúlio-Dutra (leia aqui).

2) O campo da direita tem sua dinâmica pautada pelas composições direita/extrema-direita, com Bolsonaro/Mourão, Alckmin/Ana Amélia e Álvaro Dias/Rabello de Castro; a única candidatura que poderia significar algo próximo da centro-direita, a de Marina, parece condenada à irrelevância. Neste campo há ainda a chapa-laranja de Meirelles/Rigotto, cuja missão é tentar engambelar o eleitorado ao ocupar o espaço da "candidatura do governo" para livrar Alckmin, o verdadeiro candidato do golpe, do beijo da morte de Temer. Não deixa de ser irônico um ex-banqueiro (Meirelles) fazer papel de laranja. Não existe centro ou centro-direita nesta eleição.

3) O campo da esquerda caminhará, ainda que entre tapas e beijos, sob a liderança inconteste de Lula, sendo ele o candidato ou apontando quem será "o candidato do Lula" se for ao fim e ao cabo interditado pelo golpe. O nome escolhido é Fernando Haddad. Ciro fez um cálculo que o condenou a um isolamento que parecia impossível meses atrás: apostou que Lula estava liquidado e que ele receberia a herança do eleitorado lulista. Errou feio e está restrito a uma aliança entre o PDT e o quase inexistente Avante. Boulos correrá em faixa própria, à margem da disputa eleitoral efetiva e buscando projetar-se como uma liderança para o futuro -num projeto mais pessoal que partidário.

O PT caminhará com o PC do B, PCO, PROS, a fatia mais relevante do PSB, com o segmento progressista do PMDB e com o apoio de cabos eleitorais de todos os partidos, especialmente no Nordeste, onde Lula é quase um consenso. Se for Lula o candidato, haverá uma avalanche de apoios. Se for seu candidato, será preciso esperar pelas pesquisas. Caso a tendência de um alto grau de transferência se confirme, uma avalanche semelhante acontecerá. Haverá uma disputa no campo da esquerda com Ciro Gomes; mesmo isolado ele tentará impor-se como o nome mais viável caso Lula não concorra.

4) À esquerda e à direita deverá haver uma convergência de votos no primeiro turno, caso estabeleçam-se favoritismos claros nas rodadas de pesquisas, como é usual nas disputas eleitorais. Se, por exemplo, Bolsonaro consolidar-se e crescer um pouco, Alckmin poderá derreter de vez antes de 7 de outubro -o contrário, menos provável, é também possível. Se Lula for candidato, os rios correrão todos para o mar. Se for "o candidato do Lula" (Haddad) e ele confirmar as taxas de transferência de votos que as pesquisas indicam, é possível que Ciro seja abandonado pelo PDT no percurso, com os candidatos a governador e ao Legislativo cuidando de sua sobrevivência política.

5) Especula-se aqui e ali sobre o desastres que significaria Alckmin e Bolsonaro no segundo turno. Parece, ao menos neste momento, uma especulação tão despropositada como imaginar um segundo turno entre Lula ou seu candidato e Ciro. A eleição está polarizada entre o governo e a oposição, direita e esquerda. O polo governo não tem chance na eleição; a polarização acontece então entre duas oposições, a de esquerda e a de direita. Há duas vagas no segundo turno, se ele acontecer. Os votos de cada campo devem garantir um candidato de esquerda e outro de direita.

As chances apontam, se Lula estiver fora da disputa, para Bolsonaro ou Alckmin pela direita e Hadadd ou Ciro pela esquerda. Bolsonaro larga com favoritismo, mas sua presença no pleito é tão inusitada que tudo pode acontecer. No campo da esquerda, com o apoio de Lula, Haddad é amplamente favorito.

6) Lula, percebendo o espaço aberto no centro político, com o ambiente polarizado entre direita/extrema-direita e esquerda, lançou o nome de Haddad como "candidato do Lula" caso seja de fato impugnado. Uma manobra inteligente. Visto como um petista "moderado", Haddad poderá aglutinar o centro órfão de alternativas à direita, uma fatia eleitoral que se sentiu representada em algum momento pelo PSDB mas não aprova a trajetória golpista do partido e menos ainda o movimento rumo à extrema direita com Ana Amélia, a Marine Le Pen brasileira, como vice de Alckmin. O nome de Lula atrai o eleitorado de esquerda; o de Haddad pode ajudar a compor uma saída de conciliação que supere o ódio e a violência política dos últimos anos.

Seis visões sobre a disputa

O recente acordo entre PT e PSB, e a aliança entre o PSDB e o Centrão, ambos isolando o candidato Ciro Gomes, do PDT, sinalizam as possíveis coligações que serão feitas daqui para frente entre os partidos na disputa eleitoral deste ano. Para analisar esses possíveis acordos e suas implicações políticas, ouvimos Roberto Romano, Giuseppe CoccoRudá RicciIvo Lesbaupin, Moysés Pinto Neto e Renato Janine Ribeiro.

Roberto Romano classifica como "cordão sanitário" a estratégia do PT de isolar Ciro Gomes e que uma das hipóteses do plano é construir "um arco de apoio para eleger deputados, senadores, governadores para garantir presença no Legislativo e Executivos dos Estados e no Congresso". De acordo com Moysés Pinto Neto, "desde que o impeachment se tornou uma possibilidade real, o PT vem cada vez mais se mantém numa atitude defensiva e reativa", o que, certa maneira, explica a estratégia petista. Para Giuseppe Cocco, "O desafio é trabalhar na construção de uma confiança potente, alimentada por um novo patamar democrático: para essa perspectiva urgente, o tema da nova proteção social é estratégico, a proposta política capaz de deslocar o debate.

Na avaliação de Ricci, a estratégia petista em relação ao candidato Ciro Gomes tenta “recriar a polarização PT-PSDB na campanha inicial. Para tanto, precisaria diminuir a possibilidade da candidatura Ciro Gomes e atrair o campo de aliados históricos do PT (PCdoB e PSB) e diminuir o índice de intenção de votos de Bolsonaro. Quanto ao Bolsonaro, a candidatura Alckmin tratará de sua desidratação. O PT fez sua lição de casa, neste sentido”. Ribeiro também considera a estratégia “hábil”, mas lembra que Ciro Gomes “sempre foi leal ao PT” e, nesse sentido, esse “foi um ponto muito delicado”. Sobre a relação entre o PSDB e o Centrão, Ivo Lesbaupin considera que "a aliança com o Centrão oferece uma série de vantagens, inclusive a de possibilitar mais tempo de propaganda na televisão".

Confira a entrevista

O que significa a estratégia do PT, de isolar Ciro Gomes, do ponto de vista político e da esquerda?

Roberto Romano - A estratégia do PT não pretende apenas isolar Ciro Gomes. Tal cordão sanitário é apenas um efeito da estratégia maior de alianças que a agremiação define, que eu apontaria como a de terra arrasada caso o plano A, a eleição de Luis Inácio da Silva não resulte vitoriosa. Creio que a maior liderança política do país, hoje, é o mesmo Luis Inácio da Silva. Seria uma eleição certa, caso setores da Justiça e do Ministério Público não o tivessem marcado como inimigo número 1. E tal atitude de procuradores, juízes inclinados politicamente no sentido conservador, e setores importantes do empresariado e da classe média manifestam tal hostilidade militante desde o episódio vergonhoso do power point, quando procuradores se manifestaram pela culpa antes mesmo do processo começar. A ausência de equilíbrio e imparcialidade já naquele episódio era patente. Ora, sabedores de tal fato, os dirigentes petistas nada fizeram, em termos de eficácia, no sentido de preparar um cenário adverso, como o veto da candidatura do presidente Luis Inácio da Silva. Sem conseguir a segurança do registro da candidatura, dois pontos conduziram as decisões do partido: primeiro, conseguir um arco de apoio para eleger deputados, senadores, governadores para garantir presença no Legislativo e Executivos dos Estados e no Congresso. O segundo era de impedir qualquer concorrência à esquerda, para que tais apoios fossem inelutáveis. Daí, a recusa radical de Gomes. Por outro lado, o próprio Gomes foi extremamente inábil. Todas as vezes em que o PT lhe pediu um gesto de apoio, ele respondeu sempre de modo ambíguo ou negativo. Seu discurso, como aliás em relação a todos os demais itens de campanha, foi imprudente, dando impressão ou certeza de arrogância de sua parte. No final, resta que a centro esquerda hoje, no Brasil, deixou de existir por um bom período. Como o PSDB assumiu, com Alckmin, a via franca da direita, e como Ciro perdeu força quase total, resta apenas a extrema direita e a esquerda que não tem poder de fogo eleitoral, falo naturalmente dos competentes Manuela e Boulos. Marina embarcou na falácia de isenção ideológica entre direita e esquerda.

Moysés Pinto Neto – Significa que o PT preferiu apostar na sua saída com vantagem de Lula a arriscar-se em uma aliança. Levando em consideração os seus índices altos de popularidade, presume-se que – diante de um contexto fragmentado – o PT ainda tem chance de ir para o segundo turno. Os problemas são como construir alianças a partir de um não-candidato e, se for para o segundo turno, se tem possibilidade de vencer.

A rigor, desde que o impeachment se tornou uma possibilidade real, o PT vem cada vez mais se mantém numa atitude defensiva e reativa, utilizando o mecanismo de duplo vínculo no qual negocia com realismo por trás dos panos enquanto afirma um discurso radical, às vezes até sectário em relação a adversários e mesmo organizações próximas, ainda que não alinhadas. (Poderia citar meia dúzia de episódios de 2016 para cá.) Enquanto seus eleitores “se decepcionam” com as atitudes do partido – alguns até já o tinham abandonado, mas recuaram diante do golpe – o partido constrói uma estratégia voltada para a sua sobrevivência. Aliás, toda leitura política do PT pós-2002 envolve pensar como essas duas faces – partido e movimento – construíram diferentes relações com o restante da sociedade, alternando entre ganha-ganha e perde-perde. Desde 2014, com o #naovaitergolpe, o partido retoma parte do eleitorado orgânico da esquerda que perdeu em 2013, retomou com voto útil (“voto crítico”) no segundo turno de 2014 e reconquistou, usando a retórica anti-Temer, até agora. Perde, em compensação, boa parte de votos centristas que consideram essa retórica pesada demais – sobretudo o eleitor pragmático e de baixo interesse na política – e a outra parte do apoio que já perdera em 2013, frustrado com a atitude estrategicamente bizarra adotada pelo partido e a extrema dificuldade de conversar com qualquer outra força política de esquerda.

Ciro Gomes, por outro lado, jogou na sua melhor forma, mas perdeu como sempre. Tentou três jogadas que, se funcionassem, o empurrariam para a cabeça das pesquisas: começar despertando a solidariedade petista e confrontando a política de austeridade de Temer, a fim de conquistar parte do lulismo; depois, montar uma aliança com PCdoB e PSB na qual aglutinaria a esquerda não-petista, produzindo o isolamento do PT; finalmente, ainda tentou levar consigo, como bônus para excelência das alianças, o Centrão a fim de ganhar tempo de televisão. Só que deu tudo errado. O PT atraiu a centro-esquerda de volta mediante um acordo para autopreservação, o Centrão resolveu apostar em Alckmin e o lulismo continua batendo pé pelo seu candidato, sem transferir parcela significativa dos votos. Com isso, Ciro isolou-se e passou a ser uma zebra na disputa – abaixo de Marina Silva.

Do ponto de vista da esquerda, estamos perigosamente muito perto de um cenário francês em que a extrema fragmentação levaria a um segundo turno entre Alckmin e Bolsonaro, dado que – mesmo que o primeiro tire votos do segundo – a parte residual pode ser suficiente para garantir a ida ao segundo turno e um esmagamento total do campo progressista.

Guiseppe Cocco – Creio que esse ponto de vista da "esquerda" não existe mais e, portanto, isso não significa absolutamente nada de novo, a não ser a confirmação do mesmo: a esquerda é o PT e o PT é Lula e Lula é puro cinismo, ação em causa própria, corrupção e irresponsabilidade política com relação ao país e sobretudo aos mais pobres. O grande legado do PT é mesmo ter destruído a esquerda no Brasil.

O que o PT quer mesmo é um segundo turno com Bolsonaro e o Bolsonaro quer o PT. Isso ficou claro já nas eleições de 2014. O PT e Lula são, o digo faz muito tempo, um problema sem tamanho para o Brasil e a maior ameaça a qualquer prática reformista e à própria noção de esquerda. A corrupção constitutiva do PT não é apenas uma questão de dinheiro e moral, é mesmo uma corrupção política: o Lulo-petismo dissolveu qualquer tipo de pauta reformista, só discute "direito de roubar que nem os outros" e se Triplex é ou não é de alguém.

O Ciro recebe a moeda que procurava. Antes desse episódio do PSB, ele foi participar do tradicional "leilão" do chamado "centrão" e ficou vencido pela oferta que o Alckmin conseguiu fazer. Que setores de esquerda "agora" se indignem, também não significa absolutamente nada. Não apenas porque tudo isso vem desde a década de 1990 (lembrem da negociata com Garotinho no Rio de Janeiro contra o Vladimir Palmeiras), mas porque eles contribuíram – depois de 2013 e sobretudo apoiando o estelionato eleitoral de 2014 – à resiliência do Lulo-petismo que agora os coloca nos seus devidos lugares e papeis de puxadinhos auxiliários do PT. A esquerda que se diz não-petista-mas-apoia-o-PT e como um bando de Walking Dead que anda à procura de fantasmáticas e impossíveis unidades ou refundações. Quem apostou na falsa polarização, no PT, na defesa do indefensável, na luta pelo espolio do PT e do voto-populista que o Lula carrega não apenas errou, mas quis ser refém desse aparelho mistificador que é o Lulo-petismo. Não há espetáculo mais esquálido da classe média carioca – limpinha e pura – se mobilizando para... ir da praça São Salvador até os arcos da Lapa escutar músicos que pararam de pensar, no coração do Rio de Janeiro falido pela coalizão mafiosa do PT e do PMDB, para gritar "Lula Livre".

A ruptura com essa inércia é uma questão mesmo de sobrevida e vai acabar acontecendo. A questão que conta é como essa ruptura vai acontecer: pela quebra do país como na Venezuela? Pela vitória da extrema direita? Ou pela vitória de um candidato moderado capaz de proporcionar uma fase de transição democrática? Ninguém sabe.

Aqui é preciso ter clareza: a esquerda e até a socialdemocracia não têm mais nada a oferecer ao que tem de positivo nessa demanda por ruptura, ou seja a procura por uma nova proteção social, por um novo pacto social, isso que nós vimos em junho de 2013, nas multidões de 2015 e 2016 e depois na greve selvagem dos caminhoneiros. Essa demanda tem uma outra cara, terrível, que é a guerra de facções que disputam os mercados gigantescos da economia criminal, muito além do narcotráfico.

Sem essa proposta de uma nova proteção, a ruptura que vai acontecer será mesmo pelo voto protesto como se anuncia o voto Bolsonaro (e a popularidade do Lula), como foi com Trump, Brexit e Salvini: a proteção vai ser por cima dos mais vulneráveis (os refugiados, os mais pobres) e do desmonte da globalização por meio da multiplicação de guerras comerciais que apenas confirmam e amplificam a uma guerra de outro tipo que já está acontecendo.

Precisamos de uma nova proteção social que saiba responder ao fato que o trabalho e o emprego no capitalismo contemporâneo não coincidem mais (como nesse fenômeno que é o UBER com São Paulo e Rio que já são a segunda e a terceira cidades mais importantes para esse capitalismo de plataforma, um capitalismo sem capital). E isso sem contar com a onda anunciada de destruição massiva de empregos de todos os tipos, inclusive nos serviços qualificados, anunciada pela automação baseada na Inteligência Artificial. Só uma uma renda de cidadania é capaz de fazer da flexibilidade, das plataformas, da informalidade momentos de mobilização produtiva para a paz. A necessária reforma da previdência tem que ser a oportunidade para um novo pacto: a necessária estabilidade macroeconômica deve ser uma das pernas do pacto e não a única. Implementar – mesmo que de maneira progressiva – a renda de cidadania é a outra perna necessária para romper mesmo a armadilha da "renda média", da violência generalizada das periferias e nas metrópoles como um todo: o que se gasta de segurança tem que ir para essa renda e reforma tributária tem que – eliminando todos os subsídios não essenciais – criar um fundo que redistribua parte da renda financeira e da renda da automação em Renda de Cidadania.

Rudá Ricci – Significa tentar recriar a polarização PT-PSDB na campanha inicial. Para tanto, precisaria diminuir a possibilidade da candidatura Ciro Gomes e atrair o campo de aliados históricos do PT (PCdoB e PSB) e diminuir o índice de intenção de votos de Bolsonaro. Quanto ao Bolsonaro, a candidatura Alckmin tratará de sua desidratação. O PT fez sua lição de casa, neste sentido.

Renato Janine Ribeiro - É uma estratégia hábil, partindo do ponto de vista de estabelecer uma candidatura de Lula, porque, nessa altura, ninguém mais tem dúvidas de que o Lula vai ser impedido de concorrer. Não tem o menor sentido o Supremo – que tem atuado sistematicamente contra Lula e contra o PT – autorizar na última hora a candidatura dele. A estratégia do PT é manter a intenção de voto alta em nome do Lula e transferir isso o mais tarde possível para o nome que o PT indicar; ainda não temos certeza de que nome será. Então, para o PT, essa é uma estratégia boa, mas ela inclui bombardear Ciro Gomes, que sempre foi leal ao PT e esse foi um ponto muito delicado. Porque, nesse sentido, agora na extrema direita teria somente o Bolsonaro, na direita sobrou somente o Alckmin, no centro – poderíamos chamar assim – tem a Marina Silva, mas com poucas chances, e o único grupo que está rachado é a centro-esquerda, entre o Ciro e o candidato do PT.

Com esses três principais focos, Bolsonaro à extrema direita, Alckmin à direita, e a centro-esquerda dividida entre dois nomes, há o risco de o segundo turno ser um enfrentamento entre Bolsonaro e Alckmin. Se for assim, será muito ruim para a esquerda e para o campo progressista ficar fora do segundo turno. A direita vai fazer de tudo para impedir uma vitória do campo progressista, mas isso seria ainda pior se a esquerda sequer conseguisse chegar lá [no segundo turno]. É um jogo arriscado.

De outro lado, qual o significado da aliança entre o PSDB e o Centrão?

Roberto Romano  É o final de uma dissolução de qualquer aceno do PSDB à vida democrática. Tal partido não é mais sequer uma sombra do que significava nos seus primeiros dias. É bom recordar que ao surgir os tucanos tinham rompido com o PMDB de Orestes Quércia, a quem eles acusavam de corrupção. Durante os dois governos FHC eles se aliaram às mais reacionárias e nada éticas correntes da vida pública nacional. Hoje, celebram núpcias com os herdeiros de Eduardo Cunha e quejandos. Em tal aliança, sumiram todos os compromissos com a democracia, a ética, em proveito de um suposto ganho eleitoral.

A tentativa de colocar Alckmin como uma escolha que afastaria a candidatura da extrema direita é patética, quando os nomes dos aliados de agora, o famigerado Centrão, surgem diante dos eleitores. Uma certeza: os partidos “aliados’ darão prioridade para suas candidaturas próprias, deixando Alckmin na posição de traído ou de “cristianizado”. Estou, é claro, recordando o candidato Cristiano Machado que em 1950 imaginava ter apoio e foi traído pelos que supostamente o seguiam. Tal fenômeno é mais comum na política nacional do que os tucanos suspeitam. Aliás, tanto Alckmin quanto Serra foram cristianizados pelos próprios correligionários, quando ocorreu a aliança informal de Lula com Aécio e de Dilma com Anastasia (os famosos lulécio e dilmasia). Alckmin não tem o que comemorar com sua aliança eleitoral com raposas bem nutridas da politicagem nacional.

Moysés Pinto Neto – Torna Alckmin favorito. Apesar da fama de quem não decola, Alckmin vai contar com uma estrutura gigantesca, despertar uma onda de confiança na sua capacidade de articulação e isso pode gerar a naturalização do seu nome. Nesse caminho, ele deve fazer alguns gestos mais conservadores a fim de reconquistar o eleitor de Bolsonaro, que pode voltar ao ninho tucano pelo voto útil. Na campanha do boca-a-boca, os cabos eleitorais de Alckmin deverão usar o argumento de que Bolsonaro certamente perde para qualquer um no segundo turno e, por consequência, é um voto perdedor. Mas não podemos continuar mais tempo subestimando o peso do populismo autoritário de Bolsonaro, que conseguiu uma base orgânica poderosa, similar à esquerda em eleitores que se identificam ideologicamente – e não apenas utilitariamente – com sua candidatura. Com isso, Bolsonaro conta com um piso fixo.

De resto, o apoio do Centrão a Alckmin – na ausência de Lula, a quem eu acho que apoiariam (fora o DEM) – mostra que o “medebismo” continua vivo e pulsando a plenos pulmões e que, se não priorizarmos as eleições legislativas, continuaremos com esse regime de coalizão comprada que 2013 buscou contestar na demanda pelo aprofundamento democrático.

Guiseppe Cocco – Um significado bastante simples: mostra que Alckmin, apesar de poder apresentar uma gestão do Estado de São Paulo mais digna do que o PT e PMDB fizeram alhures, não é nenhuma alternativa, mas a reprodução do mesmo que era a coalizão corrupta liderada por PT e PMDB. A campanha eleitoral do Alckmin é organizada em torno de um leilão: da reprodução do mecanismo básico da corrupção sistêmica contra a qual se levantou a multidão em junho de 2013 de onde nasceu a Lava Jato.

O Alckmin e o PSDB fazem o mesmo que Lula e o PT: é "mais do mesmo", uma tábua de salvação para o centrão corrupto. Mais uma vez, a única alternativa real, de ruptura para uma verdadeira transição democrática para fora da república nova está nas mãos de quem se recusa a essas alianças espúrias.

Rudá Ricci – Exatamente a tentativa de diminuir os espaços de Bolsonaro. A composição da chapa com a ultradireitista Ana Amélia é outro passo nesta direção.

Ivo Lesbaupin - O PSDB é o partido organizador do golpe de 2016. Depois do impeachment da presidente Dilma, as revelações que vieram à tona desmistificaram a áurea de honestidade de suas principais lideranças, jogando várias biografias na lama. O que este partido queria representar de novidade ou de diferença se esvaiu na mesma enxurrada. A luta contra a corrupção que lhes interessava era aquela que derrubaria Dilma da presidência e colocaria Lula na prisão. Os demais corruptos (entre os quais eles próprios), a corrupção no sistema político, a corrupção dos banqueiros, não os preocupa. E, contrariamente aos políticos do PT, eles têm defensores suficientes no Judiciário para impedir que sejam atingidos de alguma maneira: podem vir acusações, denúncias, provas, gravações, não interessa. Foi assim que trataram Aécio, foi assim que trataram Alckmin e é assim que eles podem se dar ao luxo de ser candidatos e posar de “santos”.

O que interessa a este partido, a seus dirigentes? O poder, a qualquer custo. Nesta altura dos acontecimentos, não há mais nenhum verniz de vergonha a impedir seus esforços para chegar à presidência, são capazes de qualquer coisa. Se Temer é capaz de comprar parlamentares e se aliar com quem quer que seja, o PSDB também o é. Para que querem o poder? Seu objetivo é levar à frente as políticas de ajuste fiscal, as reformas necessárias para destituir os direitos dos cidadãos – entre as quais a reforma da previdência - e colocar o Estado a serviço dos mais ricos. A aliança com o Centrão oferece uma série de vantagens, inclusive a de possibilitar mais tempo de propaganda na televisão. Ademais, permitirá ao candidato, se eleito, uma maioria no Congresso para aprovar seus projetos. Não importa se esta maioria não é constituída de gente honesta: “os fins justificam os meios”.

Lula está preso, mas os grandes corruptos estão soltos, inclusive o atual presidente, e não há nenhuma Lava Jato investigando suas ações.

Renato Janine Ribeiro – O PSDB é um partido que enfraqueceu muito, e que vai enfraquecendo mais por causa do impeachment, porque se desmoralizou demais. Com isso, fortaleceu a extrema direita que, durante 20 anos, ou não existia ou não votava no PSDB. Então, essa extrema direita ficou grande e, talvez, ficou até maior, segundo as intenções de voto, do que o próprio PSDB; agora o partido está procurando trazer de volta a extrema direita, mas dando voz a ela.

É um jogo triste para o Brasil, porque significa que um partido que foi decisivo na defesa dos Direitos Humanos, que teve um papel muito importante na conquista da democracia, mudou realmente de perfil no último período. Foi mudando gradualmente ao longo dos governos petistas, mas, no período pós-2014, primeiro se subordinou à extrema direita para conseguir o impeachment e, com isso, perdeu a voz própria. Hoje, está com uma chance de votos que depende muito mais de manobras políticas, de manipulações, do que de uma força própria, uma força leal dele. Esse é o problema dessa aliança do PSDB com o Centrão e com os setores ainda mais à direita do que eles.


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