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Ano IX - Nº 421

Mundo

Papa muda doutrina da Igreja e pena de morte passa a ser inadmissível

Nova York promoverá o fim da pena de morte, após declarações do papa

Postado em 02 de Agosto de 2018 - Redação Semana On

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Por ordem do papa Francisco, a Igreja Católica alterou sua doutrina sobre a pena de morte, que passa a ser considerada inadmissível em todos os casos, anunciou o Vaticano nesta quinta-feira (2). 

A mudança foi incluída no Catecismo da Igreja Católica, a compilação oficial da doutrina da religião. 

"A Igreja ensina, à luz do Evangelho, que a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa, e se compromete com determinação por sua abolição em todo o mundo", afirmou o pontífice em uma audiência com o cardeal Luis Ladaria, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o órgão responsável por pela defesa das tradições católicas. 

Antes disso, a Igreja já era crítica da pena de morte, mas autorizava seu uso em algumas circunstâncias,  quando "era o único jeito possível de defender efetivamente a vida humana conta agressões injustas", dizia a doutrina. 

Mas desde o papa João Paulo 2º, morto em 2005, a Igreja já vinha restringindo o apoio a prática e Francisco já tinha condenado seu uso publicamente.

Segundo o novo comunicado, a antiga regra já não funcionava mais porque há novas formas de proteger a sociedade. “Há um entendimento cada vez maior de que a dignidade da pessoa não está perdida mesmo após a prática de crimes muito sérios”, diz o texto. 

“Além disso, surgiu um novo entendimento sobre o significado das sanções penais impostas pelo Estado. Finalmente, foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que asseguram a devida proteção aos cidadãos, mas ao mesmo tempo, não privam definitivamente os culpados da possibilidade de resgate".

Nova Iorque

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, afirmou que promoverá a anulação da pena de morte em nível estatal nos Estados Unidos "em solidariedade com o papa Francisco".

"Ao declarar a pena de morte inadmissível em todos os casos e ao trabalhar para pôr fim a esta prática em nível global, o papa Francisco está abrindo caminho para um mundo mais justo para todos", afirmou Cuomo em comunicado enviado hoje à imprensa.

"A pena de morte é moralmente indefensável e não acontece no século XXI", acrescentou Cuomo.

Nova York não executa um réu desde 1963, um estado que aboliu e voltou a instaurar a pena de morte várias vezes ao longo da sua história.

A última vez que foi reinstaurada foi em 1995 quando o governador George Pataki cumpriu uma de suas promessas eleitorais, mas em 2004 o decreto foi declarado inconstitucional pelo Tribunal Estadual de Apelações, a mais alta corte nova-iorquina, e em 2007 a última pena capital foi reduzida à prisão perpétua.

Andrew é o filho do antigo governador de Nova York Mario Cuomo, que durante anos lutou pela anulação da pena capital nos EUA.

"A decisão do papa valida a posição ética do meu pai contra a pena de morte", ressaltou o atual governador, descrevendo a condenação como uma "feia mancha na história" dos EUA.

Um total de 31 estados dos 50 do país continuam utilizando a pena de morte, assim como o governo em nível federal e o Exército americano.


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