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Ano VII - Nº 328

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Mundo

Presidente eleito do México promete revolução com conciliação

Socialista López Obrador diz que não haverá confiscos, mas fala em intervenção na economia

Postado em 04 de Julho de 2018   - Redação Semana On

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O presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador (conhecido como AMLO), 64, disse em seus primeiros pronunciamentos que buscará a conciliação do país.

Se por um lado sinalizou que não haverá medidas radicais na economia, "nem confiscos, nem expropriações e respeito à liberdade empresarial", por outro, abriu e fechou seu discurso à multidão que o ouvia na noite de domingo (1º) dizendo que respeitará a todos, mas dará "preferência aos mais humildes e aos esquecidos, em especial, aos povos indígenas".

Afirmou que não se intrometerá na iniciativa privada. Porém, adiantou que, em seu governo, o Estado atuará na economia. AMLO também reforçou seu discurso de campanha, afirmando que seu governo será revolucionário.

"Minha gestão será a quarta revolução mexicana, depois da Independência [processo que durou de 1810 a 1821], das Reformas Liberais [também no século 19] e da Revolução Mexicana [1910]."

Segundo a contagem de votos, que seguia lenta na segunda (2), com 92,5% dos votos contabilizados, AMLO mantinha-se na dianteira com 53%, contra 22,5% de Ricardo Anaya (Mexico à Frente) e 16,4% de José Antonio Meade, do governista PRI (Partido Revolucionário Institucional).

Os números também apontavam para uma liderança do Morena (Movimento Regeneração Nacional), partido de AMLO, em todas as frentes: governadores, Congresso, câmaras regionais e prefeituras.

Segundo o informe do INE (órgão eleitoral) por volta da 0h de terça, a coalizão Juntos Faremos História, liderada pelo Morena, teria conquistado 312 das 500 vagas da Câmara dos Deputados, enquanto o PAN (Partido Ação Nacional) teria 79 e o PRI, 42. As outras vagas se dividiriam entre partidos menores.

No Senado, a coalizão também vinha liderando, com 69 vagas, contra 23 do PAN e 12 do PRI. Na Casa, há 128 assentos.

Durante a tarde, AMLO conversou por cerca de meia hora com o presidente dos EUA, Donald Trump. "Acho que a relação vai ser muito boa. Tivemos uma ótima conversa. Acho que [o mexicano] vai tentar nos ajudar com a fronteira", afirmou o republicano.

Trump disse que, durante o diálogo, mencionou a possibilidade de um acordo comercial com os Estados Unidos.

A seguir, AMLO deu sua versão da conversa nas redes sociais, afirmando que sugeriu um acordo abrangente para criar empregos, diminuir a imigração e melhorar a segurança.

"Propus a análise de um acordo global; projetos de desenvolvimento que gerem empregos no México e, paralelamente, reduzam a migração e melhorem a segurança."

AMLO disse que o tom do diálogo foi respeitoso e que representantes dos dois governos irão se encontrar.

Além da questão da imigração —e do muro que Trump quer construir na fronteira—, os dois países têm pela frente duras discussões comerciais.

O governo americano busca renegociar o Nafta (acordo de livre comércio da América do Norte, que inclui ainda o Canadá), que diz desfavorecer os americanos. AMLO diz querer manter seu país no acordo, desde que o México continue sendo beneficiado.

Na versão que está sendo debatida, o México perderia alguns privilégios —o que já tem causado a saída de algumas multinacionais.

AMLO também disse ter recebido congratulações dos líderes Emmanuel Macron (França), Justin Trudeau (Canadá), Mauricio Macri (Argentina), Sebastián Piñera (Chile) e Nicolás Maduro (Venezuela).

Em uma rede social, o presidente Michel Temer disse estar disposto a trabalhar por uma aproximação entre os dois países. "A amizade entre Brasil e México é muito forte e antiga", afirmou.

Com relação à sua equipe, AMLO não fez anúncios além do que já estava confirmado. Um deles é que o ministro da Fazenda será Carlos Urzúa, que buscou acalmar os agentes do mercado: "Queremos que todos os fundos de investimento saibam que tudo vai ficar bem, que somos prudentes e que seremos cuidadosos".

Além dele, o empresário Alfonso Romo, que funciona como um elo entre o presidente eleito e a classe patronal, também terá um cargo no gabinete, ainda a ser definido.

A contagem dos votos para os governos dos nove estados em disputa era mais lenta. Segundo os dados oficiais, o Morena teria assegurado 5 estados, o PAN, 3, e o PRI, nenhum. O México tem 32 estados.

O mandato de López Obrador começará em 1º de dezembro. O México tem um dos processos de transferência de cargo mais longos, de cinco meses. Em cadeia nacional, o presidente Enrique Peña Nieto disse que "todas as condições para uma transição ordenada serão oferecidas pelo meu governo".

Ao que AMLO agradeceu. "Nunca havia recebido de um líder do Executivo tamanha demonstração de respeito", afirmou o presidente eleito.

Nesta terça-feira (3), os líderes irão se encontrar. Segundo AMLO, suas prioridades são, além do processo de transição, a situação da negociação dos tratados internacionais e a polêmica construção de um novo aeroporto para a Cidade do México. AMLO sempre se mostrou contrário ao projeto com a participação do megaempresário Carlos Slim, enquanto Peña Nieto o defende.


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