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Ano VI - Nº 312

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O que acontece quando as crianças são separadas de seus pais

Uma das políticas de Donald Trump para acabar com a imigração ilegal é afastar crianças de seus pais e aprisioná-las em instalações temporárias

Postado em 27 de Junho de 2018   - Redação Semana On

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Desde que assumiu o cargo máximo da Casa Branca no início de 2017, o polêmico presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está colocando em prática medidas de “tolerância zero” contra a imigração de indivíduos de outras nações ao país.

Muita gente deu crédito ao político e apoiou seu pacote de ações em prol da diminuição de imigrantes ilegais nos EUA, porém, era difícil imaginar que a situação não chegaria em um grau tão assustador como o revelado pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos: segundo o órgão do governo, mais de duas mil crianças foram detidas, aprisionadas e separadas de suas famílias ao tentar atravessar as fronteiras do país.

A medida de confinar indivíduos que tentam chegar ao país de forma ilegal é aplicada a todos os adultos, quer eles estejam acompanhados de crianças ou não. Porém, quando o caso é positivo, as crianças são separadas de seus responsáveis e são levadas a um centro temporário, enquanto seus pais aguardam pela acusação penal proferida pelo Departamento de Justiça.

“Separar crianças de suas mães faz mal para elas”, afirmou a professora de saúde e desenvolvimento infantil Jack Shonkoff, da Universidade de Harvard, ao canal PBS. “Não há nada complicado nisso, e evidências científicas e uma pitada de senso comum nos levam a essa conclusão."

Conforme argumenta Shonkoff, experiências negativas vivenciadas durante essa fase da vida são assimiladas como eventos traumáticos e estressantes que podem dar origem a problemas sérios de longo prazo. Neste caso em especial, ao ser separado fisicamente de seus pais, a criança pode passar por um estresse tóxico.

Durante episódios de estresse tóxico, o corpo humano responde com um aumento de batimentos cardíacos, pressão sanguínea e com a produção de hormônios do estresse, como o cortisol. Quando esses sintomas ocorrem em um ambiente saudável, os resultados podem ser toleráveis (sérios, porém temporários) ou até positivos (breves aumentos da frequência cardíaca com ligeiras elevações hormonais).

Porém, quando a criança não tem onde achar o suporte que ela precisa, o estresse se prolonga e pode desencadear em sintomas físicos, os quais estão relacionados a ramificações de longo prazo com experiências similares a episódios de abuso emocional e físico, vivências crônicas de negligência infantil e exposição à violência.

Como se pode imaginar, esses resultados impactam no desenvolvimento saudável do cérebro e possibilitam o surgimento de doenças relacionados ao estresse (tais como insuficiências cardíacas, diabetes, depressão e abuso de substâncias tóxicas), como também deterioração cognitiva que pode prolongar até a fase adulta.

Nos EUA, uma vez aprisionadas, as crianças são encaminhadas para instalações das patrulhas de fronteira e por lá ficam por aproximadamente três dias, até serem transferidas de fato para abrigos, lares com famílias ou com tutores.

Muitos estudiosos estão se posicionando contra essa medida da administração federal. Associações em prol do direito e da saúde das crianças estão publicando declarações e assinando petições para que isso chegue ao fim.

“Fingir que essa separação das crianças de seus pais não irá resultar em experiências traumáticas é desconsiderar tudo o que sabemos sobre desenvolvimento infantil e trauma”, lê-se em uma petição de profissionais de saúde.

A agência Associated Press visitou uma dessas instalações temporárias e reportou que elas se assemelham a armazéns antigos em que “centenas de crianças ficam esperando em uma série de gaiolas criadas por cercas de metal”.

Do lado político, republicanos e democratas estão discutindo a medida. Enquanto isso, Trump segue afirmando que a “a crise de imigração ilegal continuará acontecendo por muitas e muitas décadas”.


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