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Ano VI - Nº 308

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Comportamento

Tentar pensar menos em sexo só te faz pensar mais nisso

Pesquisa com adolescentes religiosos mostra que reprimir pensamentos sexuais faz com que o assunto se torne um grande problema, podendo conduzir a comportamentos compulsivos

Postado em 06 de Junho de 2018   - Galileu

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O pesquisador e fundador do Centro Israelense de Saúde Sexual, Yaniv Efrati, cresceu em uma comunidade religiosa e, ao longo do tempo começou a perceber que, entre os jovens de sua religião, judeus ortodoxos, o sexo era visto de uma forma mais complicada que para as demais pessoas.

“Notei que muitas pessoas religiosas estão preocupadas em saber se seu comportamento sexual é normal ou não ”, contou ao Psypost.

Em um grande estudo, o pesquisador quis descobrir até que ponto a questão era mais complexa entre aqueles que seguiam a doutrina do que entre os que chamou de laicos no artigo publicado no The Journal of Sex Research.

Foram três pesquisas com adolescentes. Na primeira, com 661 participantes, os religiosos reportaram grande preocupação com pensamentos sexuais indesejados e fantasias que os laicos.

Em uma segunda pesquisa, com 522 jovens, descobriu que adolescentes religiosos tendiam a relatar um bem-estar menor, que estava ligado à preocupação com pensamentos sexuais indesejados.

Na última, com 317, descobriu que os religiosos eram mais propensos a relatar a supressão de pensamentos e fantasias sexuais, o que, por sua vez, estava associado a mais comportamento sexual compulsivo de autorrelato e menor bem-estar. 

“O estudo reflete, na minha opinião, a realidade complexa entre adolescentes religiosos. Parece que o público religioso deve examinar seus caminhos em relação à importância do discurso e à capacidade de se envolver em sexualidade e educação sexual, mesmo nos primeiros estágios da adolescência ”, disse Efrati.

"É muito importante que a sociedade religiosa discuta a sexualidade e lide com ela da maneira correta no início da adolescência e até mesmo na idade elementar, a fim de evitar o desenvolvimento de comportamento sexual compulsivo", acrescentou.

Segundo ele, seus estudos sobre o comportamento sexual compulsivo em adultos, muitos estão ligados à resposta dos pais à repressão da sexualidade na infância, como masturbação ou ver vídeos pornográficos.

“Comentários a respeito da sexualidade como sendo uma 'coisa suja' ou 'proibido' apenas causam o desenvolvimento de comportamento sexual compulsivo”, conta.

Mas nada é tão simples assim. Ele não quer dizer que as pessoas religiosas apresentam mais compulsão sexual que as que não seguem nenhuma doutrina religiosa. Pesquisas anteriores descobriram, por exemplo, que pessoas religiosas eram mais propensas a se declarar como viciada em pornografia, independentemente de quanto pornô elas realmente consumissem.

“Vejo que as pessoas religiosas relatam que têm um comportamento sexual compulsivo quando, na prática, não têm. Eles se definem como tal por causa dos sentimentos negativos, a vergonha, a culpa, do conflito em que vivem - sexualidade versus religião”, finalizou.


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