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Ano VII - Nº 325

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O que a ciência diz sobre dietas de jejum intermitente

Dieta da moda sugere jejum de dois dias para comer pelos cinco seguintes. Estudos científicos questionam o método

Postado em 06 de Junho de 2018   - Marília Marasciulo – Galileu

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Fazer jejum intermitente não é nenhuma novidade. O hábito é inclusive tradição de algumas religiões como o islamismo, que prega o Ramadã, mês durante o qual os fiéis não podem se alimentar durante o dia. De uns tempos para cá, porém, o jejum tem ganhado cada vez mais adeptos, por motivos que não incluem religião.

A atual dieta da moda é fazer jejum intermitente que, dizem, não só ajuda a emagrecer, mas também a se manter jovem por mais tempo. Embora existam diferentes modelos, o mais comum é o de 5:2, ou seja, passe cinco dias comendo o que tiver vontade e dois se submetendo a uma dieta hipocalórica. Veja o que a ciência tem a dizer sobre o assunto:

A teoria
Um argumento muito usado por quem defende o jejum intermitente como forma de controle de peso é de que ele faz sentido do ponto de vista evolutivo. Isso porque nossos ancestrais eram acostumados a uma dieta que alternava entre dias de comilança (quando a caça era bem sucedida) e dias de uma alimentação restrita (quando o oposto ocorria).

Na prática
O que a teoria não leva em conta, porém, é que fazer jejum na verdade diminui nossas taxas metabólicas, justamente porque o corpo entende que deve conservar energia. Portanto, se o objetivo é queimar calorias, fazer jejum não faz sentido.

As evidências
Existem diversos estudos com testes feitos em humanos que demonstraram que a perda de peso em pessoas que fizeram jejum intermitente não difere muito daquelas que se submeteram a uma dieta com restrição calórica diária. Um deles, inclusive, foi conduzido por uma das maiores defensoras do jejum intermitente, a pesquisadora Krista Varady da Universidade de Illinois, Chicago. Autora do livro The Every-Other-Day-Diet (A dieta do dia sim, dia não, em tradução livre), ela reconhece que a dieta funciona principalmente porque as pessoas parecem aderir à ela com mais facilidade do que às outras.

Há controvérsias
Mas não é só para emagrecer que o jejum intermitente serviria, defendem seus adeptos. A dieta também teria benefícios a longo prazo para a saúde, como manutenção da capacidade cognitiva e até prevenção de doenças como câncer. Em estudos feitos com ratos, pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) mostraram que 24 horas de jejum já são o suficiente para estimular a capacidade das células de se regenerar. Outro estudo feito por pesquisadores da Universidade de Manchester mostrou que o jejum, ou dietas com restrições energética, podem ajudar a prevenir câncer relacionados à obesidade, como o de mama.

Os riscos
Um consenso dos pesquisadores parece ser o de que não existe dieta milagrosa e que, quando o assunto é perda de peso, equilíbrio é fundamental. A preocupação principal é de que as pessoas acreditem que podem exagerar e devorar comidas muito gordurosas e calóricas, como hambúrgueres e bolos, desde que façam jejum por somente dois dias na semana. Na realidade, a lógica deve ser comer moderadamente na maior parte do tempo, não comer nada por um longo período de vez em quando e, vez ou outra, se permitir alguma guloseima.

Para completar, um estudo feito pela Universidade de São Paulo (USP) e recém apresentado no congresso da Sociedade Europeia de Endocrinologia mostrou que dietas de jejum intermitente, especialmente a do tipo 5:2, podem aumentar o risco de diabetes tipo 2. No estudo feito com ratos, eles tiveram as células do pâncreas responsáveis pela liberação de insulina danificadas, além de se tornarem mais resistência ao hormônio.

Conclusão
Ainda é cedo para afirmar com certeza se o jejum intermitente funciona ou não, mas as evidências quanto à eficácia e segurança das dietas tendem a apontar para a necessidade de cuidado. Ao que tudo indica, cada caso é um caso, e o ideal é considerar um especialista antes de adotar o método.


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