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Sábado 04.abr.2020

Ano VIII - Nº 387

Poder

Alckmin tem pior desempenho do PSDB ao Planalto desde 1994

Candidato diz que citação de caixa dois por concessionária é absurda

Postado em 25 de Maio de 2018 - Redação Semana On

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Com dificuldades de alavancar sua candidatura presidencial, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, do PSDB, tem apresentado até o momento o pior desempenho de um candidato tucano ao Planalto em pesquisas eleitorais desde 1994.

A série histórica do Datafolha mostra que, no mês de abril, a performance do paulista é só comparável a de Mário Covas, seu padrinho político, na disputa eleitoral de 1989, a primeira após a redemocratização.

Em abril daquele ano, Covas, que terminou a eleição presidencial em quarto lugar, apresentou, no principal cenário, 6% das intenções de voto, mesmo percentual obtido por Alckmin no levantamento realizado no mês passado.

O resultado atribuído ao tucano é inferior inclusive ao alcançado por ele próprio na sucessão presidencial de 2006, quando ficou em segundo lugar, derrotado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputava a reeleição em meio aos escândalos do mensalão. 

Em abril daquele ano, ele tinha 20%, mais do que o triplo do que apresenta atualmente. Desde 1994, todos os candidatos tucanos apareciam em primeiro ou segundo lugares nas pesquisas eleitorais, com um desempenho de pelo menos 14%, no pior dos cenários do levantamento.

Em São Paulo, o seu reduto eleitoral e onde foi governador por quatro vezes, Alckmin apareceu empatado com Jair Bolsonaro (PSL) e com Marina Silva (Rede). O indicador é o que mais preocupa o tucanato. São Paulo é governado pela legenda há 20 anos e, no último pleito estadual, Alckmin se reelegeu governador no primeiro turno, mesmo em meio a uma crise hídrica.

Sob pressão da cúpula do partido, ele decidiu mudar de postura. O tucano reavaliou estratégia de aproximação com o MDB, de Michel Temer, e adotou discurso mais próximo do campo da direita, como a defesa da facilitação do porte de armas no ambiente rural.

A dificuldade dele em se viabilizar eleitoralmente, no entanto, tem afastado aliados tradicionais, como o DEM e o PSD, e estimulado um setor do partido a pensar em um “Plano B”, como o nome do ex-prefeito de São Paulo João Doria.

Na avaliação desse grupo tucano, majoritariamente de São Paulo, por não ter uma imagem diretamente identificada com a política tradicional, Doria estaria mais próximo do perfil “outsider” buscado por parcela relevante do eleitorado.

O ex-prefeito paulista é pré-candidato ao governo de São Paulo e tem negado a intenção de concorrer ao Palácio do Planalto, mas, em conversas reservadas, aliados do tucano dizem que ele não descarta a disputa presidencial caso seja convocado pelo partido.

A troca de candidato, no entanto, enfrenta resistência junto à maior parte dos dirigentes da legenda. Eles acreditam que, com o afunilamento das candidaturas presidenciais, possa haver uma reviravolta na fase final da campanha eleitoral, levando o PSDB para o segundo turno.

Para eles, no cargo de presidente nacional da legenda, Alckmin tem o controle sobre a máquina partidária e não permitiria que um processo de substituição fosse sequer discutido pela sigla.

A aposta é de que o ex-governador seja favorecido no decorrer da disputa presidencial por seu estilo pacificador, em contraposição a nomes como Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, do PDT, que têm temperamento mais explosivo. Nas palavras de um tucano, o desafio mais difícil do partido na eleição deste ano será o de manter o sangue frio até a reta final.

CCR diz que pagou R$ 5 milhões

Alckmin chamou de absurda a acusação feita pela CCR de recebimento de R$ 5 milhões no caixa dois por sua campanha em 2010.

“Isso é tão absurdo, tão absurdo. Não tenho nem conhecimento”, afirmou no último dia 21, após palestra no Ibmec, em São Paulo.

“Pode haver alguém tão íntegro quanto eu, mas mais não tem”, disse o tucano, em declaração que lembra a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2016, quando disse que “não há viva alma mais honesta” que ele, hoje preso.

“É só ver a minha vida. Pode ver de A a Z”, afirmou Alckmin.

Em relação à citação de seu cunhado Adhemar Cesar Ribeiro, acusado de ter intermediado supostos repasses ilícitos, o tucano disse desconhecer a delação.

“Precisa verificar o que é isso. Vamos aguardar”, afirmou Alckmin. Questionado sobre se via uma perseguição nas acusações, ele disse que espera que não haja.

Adhemar Cesar Ribeiro também é citado como operador de caixa dois pela Odebrecht. Segundo Alckmin, ele “nunca participou como tesoureiro de campanha, nunca participou em absolutamente nada disso”.

Ribeiro “não tem nenhum papel, a não ser o de ser amigo e procurar participar”, disse o presidenciável.

A equipe de Alckmin defende que ele adote posicionamento mais enfático em relação à Lava Jato e acusações que pesam contra ele por caixa dois. Mas o tucano manteve a postura de responder breve e sucintamente apenas aquilo que lhe é perguntado.

Doria

Quanto à volta da especulação em torno de sua substituição na corrida presidencial por João Doria, Alckmin a atribuiu à imprensa, embora a hipótese seja incensada inclusive dentro do PSDB.

“A imprensa gosta de novidades. Criaram o Luciano Huck, depois criaram o Joaquim Barbosa, agora criam o João Doria e vão desinformando a população. E nós vamos fazendo campanha”, disse.

Ele minimizou o desejo de tucanos de trocar o presidenciável do PSDB. “Eu fui eleito presidente do partido com 99,8% dos votos”, encerrou.

Ele tem viagens marcadas para Mato Grosso do Sul, Rio, Brasília, Bahia e Rondônia nas próximas duas semanas.


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