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Ano VI - Nº 320

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Barroso prorroga investigação contra Temer

Para Temer, sua prisão após fim do mandato seria uma indignidade

Postado em 11 de Maio de 2018   - Redação Semana On

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O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prorrogação de prazo das investigações por mais 60 dias no inquérito que apura se houve ilegalidade no decreto dos portos, assinado em maio de 2017 pelo presidente Michel Temer.

Ele também negou pedido da defesa de Michel Temer para arquivar a investigação. 

"Já quanto aos pedidos de arquivamento do Inquérito, formulados pela Defesa do Excelentíssimo Senhor Presidente da República, razão assiste ao Ministério Público Federal ao salientar ser necessário aguardar-se a conclusão das diligências em curso para que se possa formar opinião sobre a existência material dos delitos investigados", escreveu o ministro.

Sangrar o governo

Porta-voz informal do Palácio do Planalto, o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) disse desconfiar que a prorrogação do prazo das investigações no inquérito tem por objetivo desgastar por mais tempo o governo do presidente Michel Temer.

Questionado se o prolongamento do prazo visava fazer o governo sangrar por mais tempo, Marun disse entender que sim.

“Espero que não tenha sido este o objetivo, apesar de desconfiar disso. Entendo que qualquer pedido de prorrogação deveria vir acompanhando do artigo onde a tal empresa foi beneficiada”, disse Marun, referindo-se à Rodrimar, que teria sido contemplada com o decreto.

Marun está em pé de guerra com Luís Roberto Barroso desde março, quando o ministro do STF determinou a quebra dos sigilos bancários do presidente e também alterou o indulto natalino assinado por Temer no final do ano passado.

O titular da Secretaria de Governo anunciou, inclusive, que retomaria seu assento como deputado federal para apresentar um pedido de impeachment de Barroso. No entanto, recuou e não voltou à Câmara até agora.

“Entendo que isso é mais um capítulo desta perseguição disfarçado em inquérito”, afirmou Marun.

Indignidade

O presidente Michel Temer afirmou que seria uma indignidade se ele fosse preso em 2019, logo depois de deixar o cargo. Em entrevista à rádio CBN, Temer disse não ter medo de ir para a cadeia após o fim do mandato.

"Não temo, não temo, não temo. Eu acho que seria uma indignidade. Eu lamento estarmos falando [sobre isso]", disse.

A pergunta foi feita ao presidente com base em informações que apontam que setores do Ministério Público já falam na aplicação de medidas cautelares a Temer após o exercício da Presidência. 

"Eu prezo muito a instituição [Ministério Público], mas critico membros que agem politicamente", afirmou.

Além dos Portos, Temer também é alvo de duas denúncias pelos crimes de obstrução da Justiça, organização criminosa e corrupção. Esses dois casos estão suspensos por decisão da Câmara até que se encerre seu mandato como presidente.


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