Semana On

Sábado 21.jul.2018

Ano VI - Nº 312

Parceiros

Poder

Por alianças estaduais, ala do PT diz que Ciro não deve ser tratado como inimigo

Frente ampla de esquerda é de ideias e não eleitoral, diz Boulos

Postado em 11 de Maio de 2018   - Redação Semana On

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Dirigentes do PT começam a manifestar preocupação com o tom de integrantes do partido que, para interditar debate sobre um plano B na eleição presidencial, constrangem Ciro Gomes (PDT). A cúpula da sigla vetou projeção de cenário que não se restrinja a Lula, mas uma ala entende que o pedetista não deve ser tratado como desafeto nem exposto de maneira desnecessária, inclusive para não prejudicar alianças nos estados ou em um segundo turno da disputa pelo Planalto.

A posição do PT em relação a Ciro Gomes mobilizou debates na última semana. A diretriz da sigla é dar o assunto como encerrado. “Não se cogita outro candidato. Nossa prioridade é libertar o Lula e finalizar o plano de governo. Agora, Ciro não é inimigo e não deve ser tratado como tal”, diz Emidio de Souza, tesoureiro do PT.

Ciro Gomes rebateu declarações da presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), e disse ter “pena”  da congressista pela rejeição a uma aliança entre os partidos e por ter  afirmado de que  ele “não passa no PT nem com reza brava”.

“Vou ter paciência, respeito e compreendo o drama do PT. E tenho pena de uma pessoa da responsabilidade da presidente nacional do PT dizer uma coisa dessas. Para se ver como é questão de dar pena, meu partido, o PDT, portanto, eu, estou apoiando quatro dos cinco dos principais candidatos a governador do PT. Minha crença é que a população brasileira não é um eleitorado de cabresto, nem meu nem de ninguém. Eu vou tocar o meu bonde”, disse Ciro.

Ele também chamou de “burrice” a estratégia do PT de querer pedir aos candidatos de centro-esquerda que defendam um indulto para Lula na campanha eleitoral. “O presidente Lula está a meio caminho de recursos [na Justiça]. Se a burocracia do PT cria uma campanha pelo indulto, o que ela está dizendo? Que o Lula será condenado em última instância. Isso nega a estratégia dos advogados do Lula. A sentença contra o Lula é injusta e a prova é frágil. Eu não vou cair nessa burrice”, ressaltou.

Essa semana, Gleisi Hoffmann reagiu à declaração do ex-governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), sobre a possibilidade do partido indicar um vice para a chapa de Ciro. “Mas ele não sabe que o Ciro não passa no PT nem com reza brava?”, questionou a presidente do Partido dos Trabalhadores. No último dia 1º, Jacques Wagner afirmou que o PT poderia aceitar ser vice de Ciro e ressaltou que  estava na hora de o partido “ceder a precedência”.

“Temos que ter muita paciência e respeito com esse tempo do PT. Mas o que está em discussão não parece ser aquilo que interessa mesmo: a sorte do Brasil ou/e a possibilidade dessa agenda antipovo, antipobre e antinacional ser legitimada pelo voto. Isso é o que deveria nos comover e ser o grande cimento de nossa unidade ou de um mínimo de cuidado ao explicitarmos nossas diferenças. Mas como está dado de barato na cabeça de muitos da nossa turma de que essa gente da direita, o Temer, o PSDB, vai perder as eleições, desloca-se a preocupação do Brasil para quem vai mandar, quem vai ter a hegemonia do processo. E esse é o grande e velho vício da esquerda antiga do Brasil e do mundo”, ponderou Ciro.

Frente ampla

O coordenador do Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e pré-candidato do PSOL à Presidência, Guilherme Boulos, disse que uma frente ampla de esquerda no país se limita ao campo das ideias e não extrapola para a questão eleitoral. 

O recado que Boulos quis dar é que não haverá acordos no primeiro turno entre os diversos candidatos de esquerda, diferentemente do que havia sugerido Manuela D'Ávila, pré-candidata do PC do B. Atualmente, com a impossibilidade de o ex-presidente Lula concorrer, está em discussão uma possível aliança da esquerda já no primeiro turno.

O PSOL é hoje um dos poucos partidos na disputa que lançará chapa puro-sangue. A candidata à vice de Boulos é a liderança indígena Sônia Guajajara, que integra os quadros do partido.

"Estamos muito unidos, temos uma pluralidade de ideias, mas unidos. Não podemos misturar, porém, frente ampla democrática com frente eleitoral", disse Boulos, após discursar em fórum da Frente Nacional de Prefeitos, em Niterói (RJ). 

Segundo ele, seu partido tem candidato próprio e defende o direito de Lula disputar também. Boulos defendeu ainda um indulto para que Lula possa ser liberado de cumprir pena de prisão para disputar nas urnas. 

Na pesquisa de intenção de votos mais recente do Datafolha, publicada em 15 de abril, Boulos aparece sem pontuação nas intenções de voto em cenário com Lula candidato.  Sem Lula no páreo, com o PT lançando o ex-prefeito Fernando Haddad, e o presidente Michel Temer tentando reeleição, Boulos aparece com 1%. 

Questionado se ele poderá herdar votos de Lula e instado a avaliar a capacidade de transferência de votos do ex-presidente, Boulos evitou fazer prognóstico. Limitou-se a dizer que seu partido terá candidato próprio no pleito deste ano.

O coordenador do MTST não explicou como fará para decolar nas pesquisas. Aproveitou seu discurso para reforçar as bases de sua campanha.


Voltar


Comente sobre essa publicação...