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Quarta-Feira 19.dez.2018

Ano VII - Nº 332

Governo

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Maior corrente do PT insiste na candidatura de Lula

A ideia é manter o cronograma para registrar o nome do ex-presidente em 15 de agosto

Postado em 11 de Maio de 2018   - Redação Semana On

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Reunida em São Paulo, a Construindo um Novo Brasil (CNB) —maior corrente do PT— insistiu na última quinta-feira (10) na reafirmação da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto. Pelo menos por enquanto.

Segundo participantes, a avaliação é que este não é o momento para discussão de um nome alternativo ao de Lula —preso há mais de um mês em Curitiba, após ser condenado pelo caso do tríplex. 

A ideia é manter o cronograma pelo qual a candidatura de Lula seria registrada no dia 15 de agosto, deixando a cargo do ex-presidente a indicação de um substituto, o chamado plano B.

Defensores da candidatura de Lula tiveram o cuidado de usar a expressão neste momento ao afirmar que seu nome está mantido.

Integrantes da CNB também duvidaram da possibilidade de o PT abrir mão de uma candidatura própria em apoio a outro candidato —por exemplo, Ciro Gomes (PDT).

Apesar da aposta no lançamento de um petista para a corrida presidencial, os participantes da reunião têm pregado respeito aos demais candidatos de esquerda, sedimentando pontes para o segundo turno. 

Candidatíssimo

Lula reafirmou sua candidatura por meio de recado transmitido pelo teólogo Leonardo Boff. "Lula mandou recado dizendo que é candidatíssimo e que só vai renunciar à candidatura no dia em que o Moro trouxer uma única prova de que ele é dono do tríplex", disse o teólogo a jornalistas.

Boff encontrou o ex-presidente na tarde do último dia 7 sob a justificativa de que se trataria de uma visita religiosa. As visitas a Lula têm sido negociadas entre a defesa e a Polícia Federal. O advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin, também esteve na PF.

O teólogo afirmou que Lula está entusiasmado e que a situação de solitária faz com que o ex-presidente leia e reflita muito.

Segundo Boff, o petista disse que quer ser presidente para radicalizar o processo de dignificação e cidadania dos invisíveis, a grande maioria do país. "Ele quer voltar ao poder para dar centralidade às políticas brasileiras para os pobres."

Boff também disse que Lula, ao mesmo tempo, está indignado frente ao acúmulo de mentiras. "Não quero meu neto olhando para mim e dizendo 'meu avô é um ladrão'. Nunca fui", o ex-presidente teria afirmado a ele. 

O teólogo disse considerar o petista como alguém que está aprofundando sua trajetória e se colocando em um nível maior, acima de brigas jurídicas. Ele comparou o momento de Lula a situações já vivenciadas por líderes mundiais como Nelson Mandela e Gandhi.

"Se não morri de fome aos cinco anos, aprendi a resistir e estou aqui resistindo", Lula teria afirmado. O ex-presidente também teria dito que a vocação de sua vida é lutar, por si mesmo e pelos outros.

Oficialmente, o PT se recusa a falar em um plano B à candidatura de Lula, improvável devido à Lei da Ficha Limpa. Nos bastidores, no entanto, o partido trabalha com os nomes de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, e Jaques Wagner, ex-governador da Bahia.


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