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Ano VI - Nº 303

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Brasil

Testemunha afirma que policial e ex-PM participaram da morte de Marielle

Vereador Marcello Siciliano (PHS) é apontado como mandante do crime

Postado em 10 de Maio de 2018   - Redação Semana On

Uma testemunha-chave do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes afirmou em depoimento à Polícia Civil que no carro dos assassinos havia um policial militar do 16º batalhão (Olaria), um ex-PM da Maré e outros dois homens.

A testemunha é a mesma que afirmou que o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, conhecido com Orlando Curicica, foram os mandantes do crime.

Siciliano nega todas as acusações. Orlando Curicica, apontado com um miliciano que atua na zona oeste, está preso desde o ano passado.

Procurada, a assessoria de imprensa da Polícia Civil do Rio reiterou que o caso continua em sigilo. A Polícia Civil não comentou se o vereador e o ex-PM são considerados suspeitos pelo crime. A Secretaria de Segurança do Rio também não confirmou a denúncia da testemunha.

O policial militar mencionado pela testemunha-chave ainda está lotado no batalhão de Olaria, unidade vizinha ao Complexo do Alemão. Ele já foi submetido a uma sindicância disciplinar, mas o processo acabou arquivado.

Já o ex-PM atualmente seria integrante de uma milícia que age na região de Ramos. Os nomes dos dois suspeitos não foram revelados para não atrapalhar as investigações, segundo o jornal.

Os assassinos estariam no Chevrolet Cobalt prata, que seguiu o carro da vereadora, da Lapa até o bairro Estácio, no centro do Rio, no dia 14 de março deste ano, data do crime. Segundo as investigações, ao todo, dois carros foram usados pelos criminosos.

Os quatro identificados pela testemunha-chave estão sendo investigados pela Polícia Civil, através da Delegacia de Homicídios. Além dos dois PMs, os outros dois homens que estariam no carro seriam ligados a Orlando de Curicica.

Em 2015, segundo a denúncia do Ministério Público, o mesmo grupo matou, com tiros na cabeça —característica semelhante aos homicídios de Marielle e Anderson--, um homem que alugou um terreno na área de influência de Orlando Curicica, para instalação de um circo, sem autorização prévia do miliciano.

O delator que ligou a morte de Marielle a Siciliano e a Orlando Curicica também disse que o miliciano estava usando o celular de um outro preso, Charle Dickson Ferreira da Silva, para continuar no comando de seus negócios de dentro da prisão.

Por esse telefone, segundo ele, Orlando Curicica teria dado ordem para executar a vereadora de dentro do Complexo de Gericinó

Marielle

Marielle era conhecida por denunciar abusos de policiais e milicianos no estado. A testemunha contou que o crime começou a ser planejado em junho. Pelo menos dois homens teriam sido mortos depois do assassinato de Marielle, como queima de arquivo.

Carlos Alexandre Pereira Maria, 37, o Alexandre Cabeça, e Anderson Claudio da Silva, 48, foram assassinados pelos milicianos, segundo a acusação divulgada pelo jornal. O corpo de Alexandre Cabeça foi encontrado em 8 de abril, mais de três semanas depois da morte de Marielle, dentro de um carro, por PMs do batalhão de Jacarepaguá, na zona oeste.

Já o policial reformado Anderson Claudio da Silva foi morto com vários tiros, inclusive de fuzil, ao entrar em seu carro, na Praça Miguel Osório, no Recreio dos Bandeirantes. Anderson dirigia uma BMW blindada. Ele se aposentou como subtenente em 2015, após ser baleado em operação no Complexo do Chapadão.

Um dos carros envolvidos na ação foi visto circulando antes do crime próximo ao campo de futebol na comunidade da Merk, controlada pelo ex-policial militar. 

A morte de Marielle ocorreu em meio à intervenção federal na segurança pública do Rio. Na prática, com isso, a investigação está sob a responsabilidade do governo Michel Temer (MDB), que decretou em fevereiro a intervenção e escalou um general do Exército para o comando da inédita medida. Polícia Militar e Polícia Civil respondem diretamente aos interventores.

Desde o início, a principal linha de investigação é a de motivação política. Diferentes vereadores prestaram depoimento como testemunha —entre eles, um indiciado na CPI das Milícias, concluída em 2008, na qual Marielle atuou.


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