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Quarta-Feira 19.set.2018

Ano VI - Nº 320

Governo

Brasil

Cientistas apresentam propostas aos candidatos à presidência

Para a Academia Brasileira de Ciências, desenvolvimento econômico e social só será sustentável se incorporar a CT&I como política de Estado

Postado em 10 de Maio de 2018   - Redação Semana On

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No último par de anos, o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) mingou. O valor aprovado para 2018 é cerca de 40% do orçamento de 2013 corrigido pela inflação — sem contar que na época o valor do setor de comunicações não era incluído na conta.

Parece que pouco adianta protestar, já que o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, presidido por Michel Temer, vive um momento de desmotivação, e não têm tido participação efetiva de outros ministérios, bem como de instituições com atividades de P&D não vinculadas ao MCTIC. Por isso, a academia Brasileira de Ciências já foca em 2019, com direito a criação de um documento que visa influenciar os candidatos à presidência.

Intitulado Ciência, Tecnologia, Economia e Qualidade de Vida para o Brasil, o documento defende o aumento de investimentos no setor, além de apresentar propostas que visam a instituição de uma efetiva política de Estado voltada à ciência, e incentivo à inovação. 

“Enquanto a Coreia do Sul e Israel aplicam mais de 4% de seus PIBs em pesquisa e desenvolvimento (P&D), a China e a União Europeia planejam alcançar, respectivamente, 2,5% e 3% do PIB em 2020, sendo que os Estados Unidos já investem 2,7%”, afirma o documento. “Enquanto isso, o percentual no Brasil encontra-se estagnado próximo a 1%.”

De acordo com a Academia Brasileira de Ciências, o nível da educação no País intensifica a crise. “A propalada universalização do ensino básico é uma quimera, pois a evasão no ensino médio é da ordem de 50%”, diz.

As universidades públicas, apesar da autonomia ainda não resolvida, dos problemas econômicos e de gestão que enfrentam, e de currículos que deixam pouco espaço para a criatividade e o empreendedorismo, constituem o principal alicerce institucional para a pesquisa e para a formação de pesquisadores.

Porém, o ensino superior no Brasil é “dominado por instituições privadas que têm como objetivo primordial o lucro e, em sua grande maioria, oferecem um precário nível educacional. Enquanto no Brasil aproximadamente 75% das matrículas no ensino superior se encontram em instituições privadas com objetivo de lucro, nos Estados Unidos apenas cerca de 2% das matrículas estão em instituições desse tipo”.

Por isso, a ABC defende que o Brasil precisa urgentemente de um plano que torne ciência, tecnologia e inovação as alavancas do desenvolvimento. A oportunidade para essa virada de rumos é 2019, que deve ainda ser acompanhada da implantação de modelos inovadores de gestão, com missão e responsabilidades dos atores clara, objetiva e eficaz. Somente assim a ciência poderá oferecer os benefícios que dela esperamos para a construção de uma nação próspera e soberana.

Em relação à inovação, a proposta é que o Plano de Estado deve incluir necessariamente a reindustrialização no Brasil, a partir de 2019, considerando a inserção de um novo universo empresarial, fortalecido e internacionalmente competitivo, fortemente baseado em novos modelos de negócios, intensivos em conhecimento e tecnologia, muitos dos quais frutos da ciência.

Tal cenário empresarial deve envolver as CNDs (Contribuições Nacionalmente Determinadas para o futuro do acordo climático), os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) e os cuidados ambientais demandados pela sociedade atual do mundo globalizado.


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