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Mundo

Venezuela intervém em seu maior banco privado e prende 11 executivos

Chavismo alega que funcionários promoveram ataque contra moeda venezuelana

Postado em 04 de Maio de 2018   - Redação Semana On

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A Venezuela anunciou uma intervenção de 90 dias em seu maior banco privado, o Banesco, e a prisão de 11 altos executivos sob a acusação de promover ataques especulativos à moeda venezuelana, o bolívar.

Trata-se da última ação do regime do ditador Nicolás Maduro contra o setor privado, ao qual acusa de fomentar a crise econômica. No mês passado, dois executivos venezuelanos da petrolífera americana Chevron foram presos.

Em nota, a Vice-Presidência de Economia informou que o banco cometeu graves e notórias infrações em sua obrigação de impedir a lavagem de dinheiro e o que chama de distorção do câmbio paralelo.

"Espera-se reconduzir a administração do banco, eliminando dele toda a atividade ilícita", informou o regime, que designou para conduzir a instituição uma junta comandada pela vice-ministra das Finanças, Yomana Koteich.

A interferência aconteceu horas depois das prisões serem anunciadas por Tarek William Saab, procurador-geral. "Determinamos a responsabilidade presumida [dos executivos] por uma série de irregularidades, por ajudar e esconder ataques contra a moeda venezuelana com o objetivo de destruí-la", disse. 

O Banesco tem cerca tem 6 milhões de clientes, ou cerca de 21% do mercado venezuelano. Entre os detidos estão o CEO do banco, Oscar Doval, três vice-presidentes e um consultor jurídico. 

"Estamos tranquilos porque todas as nossas atuações sempre estiveram ajustadas ao direito e à legalidade. Não é correto que tenham sido detidos", afirmou o banco em comunicado oficial. 

O presidente do Banesco, Juan Carlos Escotet, que mora na Espanha, chamou as detenções de desproporcionais e afirmou que está indo para a Venezuela para obter a soltura dos executivos.

"Vamos bater em todas as portas para que esse problema seja esclarecido e eles sejam libertados, como merecem", afirmou em um vídeo

Com hiperinflação de 6.000% anuais, segundo a Assembleia Nacional de maioria opositora (o FMI fala em 1.088% em 2017), o país vive, além de uma grave escassez de alimentos e medicamentos, a falta de papel-moeda.

O bolívar é cotado no câmbio oficial, sob estrito controle do chavismo, a 69 mil o dólar. Mas no mercado paralelo, a cotação chega a 800 mil.

A oposição diz que os ataques de Maduro contra o setor privado têm o objetivo de aumentar seu apoio e controlar eventuais altas nos preços às vésperas das eleições de 20 de maio, que a maioria dos partidos opositores vai boicotar por causa das restrições a candidaturas de peso.

"O governo irresponsável continua a negar sua responsabilidade na destruição do nosso bolívar. Agora estão atacando o Banesco. Isso irá apenas criar mais crise e miséria", afirmou o deputado opositor Carlos Valero.

Contas Bloqueadas

Na quarta (2), o vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, já havia anunciado o bloqueio de 1.133 contas bancárias no país, 90% delas do Banesco, por supostas irregularidades investigadas no âmbito da “Operação Mãos de Papel”. Três casas de câmbio virtuais também foram fechadas.

A maioria dessas contas “facilitam o funcionamento de empresas de fachada dedicadas ao tráfico de moeda e à fixação criminosa do dólar”, afirmou o vice-presidente. 

El Aissami acusou ainda o Banesco de não pedir comprovação de residência dos clientes e de não ter informado à Superintendência das Instituições do Setor Bancário os clientes cujos movimentos bancários não correspondiam com seus perfis financeiros.

“Estão relacionados à compra e venda de divisas no mercado criminoso especulativo e muitos deles estão vinculados à extração de papel-moeda venezuelano”, disse.


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