Semana On

Domingo 29.nov.2020

Ano IX - Nº 421

Coluna

Ex-Pajé

A catequização contemporânea da população indígenas brasileira

Postado em 27 de Abril de 2018 - Danilo Custódio

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Um poderoso pajé passa a questionar sua fé depois de seu primeiro contato com brancos, que alegam que sua religião é demoníaca. Todavia, a missão evangelizadora comandada por um pastor intolerante é posta em cheque quando a morte passa a rondar a aldeia e a sensibilidade do índio em relação aos espíritos da floresta se mostra indispensável.” Essa é a sinopse de Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi, que chega nessa semana no circuito comercial tupiniquim depois de estrear com louros na Berlinale e vencer o Prêmio da Crítica da última edição festival É Tudo Verdade.

O documentário retrata o cotidiano do povo Paiter Suruí, grupo indígena que teve oficialmente seu primeiro contato em 1969, durante a época dos projetos de desenvolvimento do Governo Federal para conectar os interiores do país com estradas e pontes. Desde então, eles têm enfrentado a invasão dos brancos com postura guerreira, lutando para proteger uma área florestal de 248 hectares, onde atualmente vivem sob a ameaça constante dos madeireiros e garimpeiros que agem ilegalmente na região da fronteira entre o Mato Grosso e Rondônia.

Luiz Bolognesi é conhecido principalmente pelo seu trabalho como roteirista, onde assina obras icônicas do cinema brasileiro, como O Bicho de Sete Cabeças e Como Nossos Pais, dirigidos por sua esposa Laís Bodanzky, além da animação Uma História de Amor e Fúria, da qual também é produtor e diretor. Trata-se, portanto, do mais recente filme de um dos protagonistas do cinema brasileiro contemporâneo. Bora prestigiar? Então fique ligado na fanpage para saber onde assisti-lo e programe-se!

O cinema e a violência

O cinema, ao longo de sua história, recorrentemente retratou a violência em suas mais diversas faces. E a violência acabou sendo encontrada também nas entranhas do próprio cinema, quando esse se revelou como “a casa de agressores sexuais” após as recentes denúncias de estupros e assédios que circularam na mídia internacional. Além disso, uma outra forma de violência recai sobre o cinema de maneira assustadora. Ano passado, o assistente de produção Carlos Muñoz foi assassinado a tiros no México, enquanto buscava por locações durante a pré-produção da segunda temporada de Narcos. Mais recentemente, em 19 de abril desse ano, Javier Solomon Aceves Gastelum (25 anos), Jesus Daniel Diaz (20 anos) e Marco Francisco Garcia Avalos (20 anos) desapareceram durante a gravação de um curta metragem, que estava sendo produzido como trabalho da faculdade de cinema que cursavam. O portal G1 informou que, de acordo com o procurador-geral de Jalisco, Raúl Sánchez Jiménez, os três estudantes foram sequestrados por membros do cartel Jalisco Nova Geração (CJNG, em espanhol) e seus corpos acabaram sendo dissolvidos em ácido. O motivo do crime estaria ligado ao local onde os jovens gravavam o filme, tido como um esconderijo usado por uma facção inimiga do CJNG, o cartel Nueva Plaza. Os membros da CJNG confundiram os alunos com membros da gangue rival e sequestraram os jovens, que foram interrogados, torturados e assassinados. No local onde o crime teria acontecido, foram encontrados vestígios biológicos dos jovens, 46 tambores de 56 litros de ácido sulfúrico e três tanques com restos do composto químico. Segundo a investigação da polícia, a tia de uma das alunas da faculdade seria a dona da casa e a teria emprestado para as gravações. O procurador-geral disse que as investigações ainda não foram concluídas e que se espera "que todas as verdades sobre esses fatos lamentáveis sejam reveladas". Sinistro né? Parece até roteiro de filme, mas é pura realidade.

O cinema e os quadrinhos

Heitor Dhalia, consagrado por Nina (2004) e O Cheiro do Ralo (2006) – seu primeiro e segundo longa, respectivamente – está prestes a debutar seu próximo filme, Tungstênio, que é adaptado da obra homônima de Marcello Quintanilha, lançada em HQ pela Editora Veneta em 2014 e que venceu o prêmio da categoria de HQ policial durante a 43ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França. O resultado do filme a gente confere nas telonas em breve, mas antes a Itiban Comic Shop promove em Curitiba um encontro super especial com Quintanilha, que promete compartilhar um pouco sobre o processo de adaptação de sua HQ para o Cinema. Esse bate papo acontecerá no dia 12 de maio, às 16h, na Itiban (Av. Silva Jardim, 845 – Rebouças), com mediação de Marden Machado e Liber Paz. Além da conversa sobre o filme, Marcello fará o lançamento do seu próximo livro, intitulado Todos os Santos. Bora lá?

O cinema e a música

Depois da adaptação de Faroeste Caboclo, chegou a vez de outra música clássica e muito popular do Legião Urbana virar filme. De acordo com a Gávea Filmes, finalmente a produção de Eduardo e Mônica sairá do papel e ganhará as telonas. Gabriel Leone e Alice Braga já foram escalados para interpretar o casal retratado na canção de Renato Russo e o filme será lançado em 2019, com previsão para início das filmagens a partir de junho deste ano, em Brasília. A direção será feita por René Sampaio, mesmo diretor de Faroeste Caboclo e o projeto será uma co-produção entre a Gávea Filmes e a Barry Company. Segundo os produtores, os testes de elenco seguem a pleno vapor e muito em breve outros atores e seus respectivos papéis serão anunciados.

Enquanto isso, em Minas

O audiovisual mineiro mobilizou uma AUDIÊNCIA PÚBLICA e convocou a ANCINE para questionar as novas regras de acesso ao FSA. Os realizadores de Minas entendem que, pelas novas regras, a produção audiovisual realizada fora do eixo Rio-São Paulo está ameaçada. E que a partir de agora somente empresas e profissionais multipremiados terão a chance de receber recursos federais do FSA. Ontem (26), a Audiência intitulada “Financiamento ao Audiovisual em MG e Recentes Mudanças nos Editais de Fomento da Agencia Nacional de Cinema – Ancine”, solicitada em caráter de urgência, aconteceu no auditório José Alencar Gomes da Silva, da Assembleia Legislativa de MG, sendo transmitida ao vivo pela TV Assembleia. Trata-se de uma iniciativa para discutir e oferecer alternativas para as novas resoluções do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, divulgadas como FSA 2.0 e publicadas no DOU de 19 de Março de 2018. Em resumo foram impostas pela ANCINE aos produtores audiovisuais brasileiros drásticas mudanças em seis linhas de fomentos. Elas abarcam tanto a produção cinematográfica, como a produção de conteúdos das TVs publicas e privadas, envolvendo recursos na ordem de R$ 471 milhões. As mudanças nessas regras são realmente questionáveis, uma vez que as políticas do setor ao longo dos últimos anos vÊm promovendo justamente o contrário, que é a descentralização dos investimentos públicos para o audiovisual. Detalhe é que estamos falando dos três estados que são donos dos maiores PIBs do país...

A prova de morte, por Miguel Haoni


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