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Sábado 20.out.2018

Ano VII - Nº 325

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Brasil

Apenas 10% dos brasileiros concentram quase metade da renda do país, aponta IBGE

Cinco brasileiros ultrarricos têm riqueza igual à metade mais pobre da população

Postado em 12 de Abril de 2018   - Congresso em Foco

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Em 2017, apenas 10% da população com os maiores rendimentos no país detinham 43,3% da massa de rendimentos, enquanto a parcela dos 10% com os menores rendimentos detinha 0,7% desta massa. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicados no último dia 11

No Brasil, o rendimento médio efetivo de todos os trabalhos da metade da população com os menores rendimentos foi de R$ 754 em 2017, 2,5% a menos que em 2016 (R$ 773). Nesses dois anos, a região Sul foi a que apresentou os maiores valores desse indicador: R$ 978 (2016) e R$ 974 (2017). De acordo com a pesquisa, a média observada em 2017 nessa região foi o dobro da verificada na região Nordeste (R$ 487).

Do outro lado, as pessoas que faziam parte do 1% da população brasileira com os maiores rendimentos recebiam, em média, R$ 27,213. Esse valor é 36,1 vezes maior que o rendimento médio dos 50% da população com os menores rendimentos (R$ 754). Na região Nordeste essa razão foi de foi 44,9 vezes e na região sul, 25 vezes.

Veja os dados da pesquisa na íntegra

No ano passado, 73,8% do rendimento médio mensal real domiciliar per capita efetivamente recebido pela população era composto pelo rendimento de todos os trabalhos e os outros 26,2%, por outras fontes, como aposentadoria ou pensão; aluguel e arrendamento; pensão alimentícia, doação ou mesada de não morador; e outros rendimentos.

Outras rendas

Os dados do IBGE indicam que, em 2017, as pessoas que tinham rendimento de todos os trabalhos correspondiam a 41,9% da população residente, o equivalente a 86,8 milhões de pessoas, percentual afetado pela crise econômica que afetou o país.Em 2016, o percentual chegava a 42,4%. Em 2017, 24,1% dos residentes (50 milhões) possuíam algum rendimento proveniente de outras fontes. Em 2016 este percentual era menor: 49,3 milhões de pessoas tinham rendimento de outras fontes, o equivalente a 24% dos residentes.

O rendimento de outras fontes, mais frequente na população, vinha de aposentadoria ou pensão. Em 2017, 14,1% da população recebia por aposentadoria ou pensão; 2,4%, por pensão alimentícia, doação ou mesada de não morador; 1,9%, por aluguel e arrendamento; enquanto 7,5% recebiam outros rendimentos, como seguro-desemprego, programas de transferência de renda do governo, rendimentos de poupança, valores similares aos de 2016.

Com relação aos programas de transferência de renda do governo federal, a pesquisa constatou que o percentual das famílias brasileiras que recebiam o Bolsa Família caiu 0,6 ponto percentual entre 2016 e 2017, ao passar de 14,3%para 13,7%.

Segundo a pesquisa, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita dos domicílios que recebiam o Bolsa Família em 2017 foi de R$ 324, bem inferior ao rendimento médio mensal real domiciliar per capita dos que não recebiam, que era de R$ 1.489.

Os dados indicam que os maiores percentuais de famílias que recebiam algum tipo de benefício dos programas de transferência de renda do governo estavam localizados, no ano passado, nas regiões Norte e Nordeste, com respectivamente 25,8% e 28,4% dos domicílios.

Ultraricos

O país ganhou 12 novos bilionários em 2017, sendo que cinco deles têm riqueza igual à metade da população brasileira mais pobre. Os dados revelados fazem parte do relatório “Recompensem o trabalho, não a riqueza, da organização não governamental (ONG) britânica Oxfam, divulgado em janeiro.

Ao todo, o país acumula 43 ultrarricos. O Brasil foi apontado no estudo como um dos mais desiguais do mundo. Em 2017, em todo o mundo, o relatório aponta que 233 pessoas entraram para o time dos bilionários, onde já havia 1.810 ultrarricos. Com esses dados, o documento destaca que houve um aumento histórico no número de bilionários no ano passado: um a mais a cada dois dias.

Segundo a Oxfam, esse aumento seria suficiente para acabar sete vezes com a pobreza extrema no planeta. Atualmente há 2.043 bilionários no mundo. Desse número, a disparidade de gênero também é destacada no material, já que nove em cada dez são homens. Desse total de bilionários, 43 são brasileiros. O estudo revela que aproximadamente um terço das fortunas dos bilionários do mundo deriva de heranças ou relações entre empresários e governos.

De toda a riqueza gerada no mundo em 2017, 82% foram para a parcela de 1% dos mais ricos da população. Por outro lado, a metade mais pobre – o equivalente a 3,7 bilhões de pessoas – não ficou com nada.

Desde 2010, a riqueza dos bilionários subiu 13% ao ano em média – seis vezes mais do que os salários médios dos trabalhadores, que tiveram alta média de 2%. Mais da metade da população mundial vive com renda entre US$ 2 e US$ 10 por dia.

O patrimônio dos bilionários brasileiros alcançou R$ 549 bilhões no ano passado, um crescimento de 13% em relação a 2016. Por outro lado, os 50% mais pobres tiveram a sua fatia na renda nacional reduzida de 2,7% para 2%. Um brasileiro que ganha um salário mínimo precisaria trabalhar 19 anos para ganhar o mesmo que recebe em um mês uma pessoa enquadrada entre o 0,1% mais rico.

Uma peça-chave na promoção da desigualdade é o sistema tributário regressivo, que penaliza o consumo dos mais pobres. A legislação brasileira beneficia os mais ricos com uma série de isenções tributárias que reforçam a concentração da renda. Tais benefícios, conforme o jornal, incluem a isenção de Imposto de Renda para lucros e dividendos e a isenção de IPVA para jatos, iates e helicópteros, por exemplo. Por outro lado, o grosso da tributação é indireta, isto é, é incorporada a produtos e serviços cujos preços são os mesmos para todas as pessoas.

Com esses fatores, os 10% mais pobres no Brasil gastam 32% de sua renda em tributos, enquanto os 10% mais ricos gastam 21%. O relatório pede que os ricos paguem uma “cota justa” de impostos e tributos e que sejam aumentados os gastos públicos com educação e saúde. “A Oxfam estima que um imposto global de 1,5% sobre a riqueza dos bilionários poderia cobrir os custos de manter todas as crianças na escola.”


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