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Ano VII - Nº 325

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Polícia do RJ encontra digitais de assassino de Marielle e Anderson, afirma jornal

Investigada ação de milícia na morte de colaborador de vereador carioca

Postado em 12 de Abril de 2018   - Arthur Stabile - Ponte

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro encontrou possíveis digitais de assassino da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março. Segundo informações do jornal O Globo, as provas estavam nas cápsulas retiradas da cena do crime.

Os investigadores analisaram nove cápsulas, sendo oito delas do lite UZZ-18, comprado pela Polícia Federal em 2006 junto à empresa CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos). Nas apurações, partes de digitais puderam ser identificadas.

“Elas são microscópicas, fragmentadas. Estamos fazendo todo o esforço possível”, declarou um dos policiais, em conversa com o jornal. Por serem parciais, as digitais não podem ser usadas com o banco de dados da polícia do Estado. Contudo, é possível fazer a correspondência caso haja um eventual suspeito.

Uma reunião de representantes da segurança pública do RJ e agentes da DH (Delegacia de Homicídios) aconteceu na última segunda-feira (10/4), sem falas oficiais dos policiais. Nesta terça-feira (10/4), o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que “houve um afunilamento das hipóteses” nas investigações sobre o assassinato da vereadora e do motorista.

“Eu sinto das pessoas, quando converso lá, que elas estão animadas, de que vão conseguir colocar na cadeia não só os que executaram, mas também chegar aos mandantes desse crime que chocou a todos nós”, declarou Jungmann.

Mais um crime

A Polícia Civil do Rio de Janeiro trabalha com a hipótese de milícias terem atuado na morte de Carlos Alexandre Pereira, de 37 anos, na noite de domingo (8), em Jacarepaguá, zona oeste da capital fluminense. Pereira trabalhava com o vereador Marcello Siciliano (PHS), que depôs no dia 6 para as investigações sobre o assassinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes.

Uma fonte confirmou que as investigações partem do pressuposto de que milicianos atuaram no homicídio de Carlos Alexandre. Os agentes também investigam a possibilidade de a vítima ter ligação com um grupo deste tipo que age na região de Taquara, também na zona oeste do Rio.

Segundo policiais militares, testemunhas relataram que os criminosos disseram “chega para lá que a gente tem que calar a boca dele” antes de atirar na cabeça do colaborador de Siciliano. O crime aconteceu por volta das 20h45 e seu corpo foi encontrado dentro de um carro.

Na semana passada, o vereador prestou depoimento na DH (Delegacia de Homicídios da Capital) sobre os ataques que mataram Marielle e Anderson. Ele não detalhou quais informações levou aos investigadores.

“Fui convocado a vir aqui prestar esclarecimentos para poder ajudar na linha de investigação que eles tomaram. Todos os vereadores foram chamados a vir aqui. Estou à disposição. A Marielle era uma pessoa da qual eu gostava muito. Sinto muito a perda dele e torço para que esse caso seja esclarecido”, disse o vereador, segundo o jornal Extra.

Siciliano declarou por meio de nota que recebeu com “grande pesar” a notícia da morte de Carlos. “Durante o tempo em que esteve conosco, fez tudo pela sua localidade e estava sempre disponível para ajudar no que fosse necessário”, afirmou. O colaborador atuava com o parlamentar desde o dia 3 de abril.

Sigilo sobre caso Marielle

Em paralelo com a informação sobre o assassinato do colaborador, a cúpula da segurança pública do Estado se reuniram com membros do MP (Ministério Público) para tratar das apurações envolvendo Marielle e Anderson. Responsável pelos trabalhos, o delegado da Polícia Civil Giniton Lages não deu entrevistas antes ou após o encontro. O andamento da investigação segue tratado como sigiloso.

Estiveram presentes na reunião o procurador-geral de Justiça do estado, Eduardo Gussem; o secretário estadual de Segurança Pública, general Richard Nunes; o chefe de Polícia Civil, delegado Rivaldo Barbosa; e o superintendente regional da Polícia Federal, Ricardo Andrade Saadi. Apenas Gussem falou com a imprensa.

“Tem toda uma dinâmica a ser montada. As autoridades responsáveis estão conduzindo com todo cuidado necessário. Obviamente, o tempo da área jurídica e do próprio delegado é um tempo diferente da expectativa, às vezes, da própria imprensa. É um caso que requer muita atenção. Mas nós acreditamos na linha de investigação que está sendo encaminhada”, declarou o procurador, apontando como “coincidência” o debate acontecer um dia após a morte de Carlos Alexandre Pereira. ” Esta reunião já estava agendada há três dias, desde sexta-feira (6/4)”.


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