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Domingo 29.nov.2020

Ano IX - Nº 421

Coluna

Tropykaos

O calor como metáfora de um mundo doente

Postado em 06 de Abril de 2018 - Danilo Custódio

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Guima é um poeta que está em crise. Em Salvador, ele sofre com as altas temperaturas do verão e acredita ter uma estranha doença: a "ultra violência solar", causada pelo calor. No submundo, bem distante dos cartões postais da cidade, Guima é usuário de crack e vive na marginalidade. Um dia, parte em uma jornada de autoconhecimento em busca de um ar-condicionado. Essa é a sinopse de Tropykaos, primeiro longa do baiano Daniel Lisboa, que estreia essa semana no circuito comercial brasileiro depois de circular pelos principais festivais de cinema do país.

Trata-se de um convite à imersão num realismo fantástico que, num contexto Sartreano onde o inferno são os outros, expõe o principal problema do mundo: as pessoas. E, considerando nosso atual momento político, onde opiniões inflamadas são esbravejadas por todos os lados, esse filme chega quase como um aviso, um farol amarelo na estrada da vida. Isso porque, nesse paradoxo da individualidade coletiva que vivemos, refletir sobre o impacto na nossa relação com o outro é uma quest nível hard que grande parte da população prefere nem se dar ao trabalho. Mesmo assim, fica aqui o convite: bora ver e refletir sobre nós mesmos?

Mulheres no cinema

A distribuidora Elo Company anunciou na última quinta (5), durante a feira de negócios Rio Creative Conference (Rio2C) que começou ontem e segue até domingo (8), o lançamento do selo Elas, voltado para produções dirigidas por elas. “Queremos ser uma confraria de mulheres” afirmou a diretora de conteúdo da Elo, Bárbara Sturm, à Folha de S. Paulo. A atriz Camila Pitanga foi anunciada como madrinha do selo e também como protagonista de uma adaptação do livro “A Chave de Casa”, de Tatiana Salem Levy, que terá direção de Simone Elias e foi apresentado nas rodadas de negócio como um dos projetos de lançamento da marca. Trata-se de uma iniciativa do setor privado muito interessante na luta por reverter o quadro da desigualdade de gênero nas direções dos filmes brasileiros.

Star Wars em Cannes

De acordo com fontes do Deadline, Han Solo: Uma História Star Wars terá uma première especial no mais importante festival de cinema do mundo. De acordo com a informação, a sessão acontecerá no dia 15 de maio, dez dias antes de seu lançamento oficial no circuito comercial internacional. Não é novidade que o festival de Cannes exiba um blockbooster americano, isso acontece sempre e chega a ser uma tradição do evento. Dessa vez, quem chega pra ocupar esse lugar na 71ª edição do festival – que acontecerá entre os dias 8 e 19 de maio – é o spin-off da franquia Star Wars, que foi assumido por Ron Howard depois que os diretores Phil Lord e Chris Miller foram desligados do projeto de forma polêmica. De acordo com a dupla e com a Lucasfilm, a saída dos diretores aconteceu por causa de "diferenças criativas". Essa é uma justificativa padrão em Hollywood quando os produtores querem demitir seus diretores por qualquer razão que seja. Reza a lenda que as desavenças começaram quando os diretores permitiram ao elenco uma liberdade para improvisações, além de conduzirem as atuações num tom mais “comédia”. A crítica mais pesada veio da presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, que considerou o resultado preliminar algo que não era “Star Wars o suficiente”.

Senhor dos Anéis no streaming

Em novembro do ano passado foi anunciado em vários portais de notícias sobre cinema que a Amazon Studios havia ganho a batalha travada contra a HBO e a Netflix pela aquisição da exploração da obra O senhor dos Anéis. O acordo girou em torno de 200 milhões de dólares só pela compra dos direitos de adaptação para uma série de TV/Streaming e ganhou o título de “acordo mais caro feito em Hollywood em 2017”. Somando os custos de produção e publicidade, estima-se que o custo total do projeto supere o valor de 1 bilhão de dólares. De acordo com o contrato, o projeto deve sair do papel e ter sua produção iniciada até 2019. Mas nenhum time criativo ou informações acerca da história foram anunciados oficialmente, mas a previsão é de que o projeto contemple múltiplas temporadas e possíveis séries spin-off. Tudo com produção original da Amazon em parceria com a Tolkien Estate and Trust, a editora HarperCollins e a New Line Cinema, divisão da Warner Bros. que é responsável pelas franquias O Senhor dos Anéis e O Hobbit. A trama irá explorar novas histórias que antecedem o livro A Sociedade do Anel e a Amazon está autorizada até mesmo a usar material dos longas.


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