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Ano VII - Nº 324

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Comportamento

Serviços pós-Tinder tentam garantir mais amor e menos cilada

Nos próximos 20 anos, o percentual de casais que se conhecerão por meio de aplicativos de namoro chegará a 70%

Postado em 05 de Abril de 2018   - Isabela Moreira e Giuliana De Toledo – Revista Galileu

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Jornalista louca por séries e cultura pop”, digitei e parei por um momento, olhando a tela do celular. Já havia escolhido algumas fotos nas quais achava que tinha saído bem e preenchido minhas preferências: homens entre 23 e 30 anos que estivessem no meu bairro ou nos arredores, na região do ABC paulista. Não consegui pensar em nenhuma sacada engraçada, então apenas acrescentei um emoji de um ET e finalizei o processo. Estava oficialmente no Tinder.

Era o início de 2016, passados três anos da estreia do aplicativo de namoro no Brasil. Depois de meses ouvindo, no trabalho, as experiências dos meus amigos, decidi instalá-lo no celular. Com base na minha localização e nos filtros que escolhi, o app me indicou pretendentes em potencial. Cada um deles apresentava uma ou mais fotos de perfil, com nome, idade e, às vezes, descrições de quem eram. Se algum me interessasse, tinha que deslizar a imagem para a direita; se não, para a esquerda. E caso o interesse fosse mútuo, teríamos um match, ou seja, uma combinação — e, assim, a possibilidade de iniciar uma conversa.

Após o estranhamento inicial, o aplicativo começou a parecer uma espécie de jogo — ele sim, ele não — do qual eu não era uma das poucas jogadoras: o Brasil é o segundo país que mais usa o Tinder no mundo, só atrás dos EUA. A popularidade do serviço fez com que outros, internacionais e nacionais, surgissem por aqui.

Uma pesquisa realizada pela revista Galileu em parceria com o site Sexlog mostra que 47% dos 17 mil participantes usam mais de um aplicativo de relacionamento simultaneamente. Eu logo entrei para essa estatística, instalando e desinstalando diferentes programas, dando matches que não iriam para frente, conhecendo pessoas legais e outras nem tanto e tendo diversas conversas fora dos apps sobre as mudanças que esses serviços trouxeram para a forma de pensarmos em relacionamentos.

Dois anos depois, decidi investigar essas questões sob as lentes da ciência, da psicologia e da história da tecnologia. Spoiler: as respostas não eram tão simples quanto eu pensava que seriam.

Par perfeito

A maioria dos relacionamentos entre os meus conhecidos da minha faixa etária começou no Tinder. É o caso de Ana Luíza Bussular, jornalista de 25 anos que conheci por meio de uma amiga em comum. A Analu, como todos a chamam, é de Vitória, mora em Curitiba, mas foi em uma viagem ao Rio, em 2015, que encontrou o programador Gabriel Arrais. Estava passando as férias na casa de uma amiga e, após um dia de praia, decidiu baixar o Tinder para tentar conhecer algum carioca antes de voltar para o Sul. Era a quarta vez que Analu instalava o app. “Sou muita chata e não curtia ninguém”, conta, rindo. Até que chegou a Gabriel e… não foi amor à primeira vista. “Fiquei um tempão encarando o perfil dele. Passei o celular para as minhas amigas olharem e decidirmos se devia dar uma chance.”

Em uma das fotos, Analu percebeu que Gabriel usava uma camiseta que fazia referência a Dom Casmurro, de Machado de Assis. “Olhos de cigana oblíqua e dissimulada”, lia-se. O detalhe era o que faltava para convencer a apaixonada por livros a deslizar o dedo para a direita — e veio o match. No dia seguinte, uma segunda, conversaram sem parar. Marcaram um encontro para sexta, mas acabaram adiantando para quarta. Desde ali, engataram o namoro, que sobrevive a distância: ela em Curitiba, ele no Rio.

Há alguns anos, as opções de Analu estariam restritas aos círculos de convivência dela. “No começo, pensei que usar o aplicativo para conhecer alguém não era muito natural. Mas depois percebi que não saía muito, a maioria das minhas amizades conheci na internet, qual era o problema de tentar?”, confessa.

E não costumava ser muito natural mesmo. Uma pesquisa do psicólogo Ailton Amélio da Silva, especialista em comunicação não verbal e relacionamentos amorosos e professor aposentado do Instituto de Psicologia da USP, mostra que, há 15 anos, 2% dos casais se uniam por meio de sites de namoro. A imensa maioria já se conhecia antes de se relacionar ou era apresentada por amigos em comum.

Agora, histórias como a de Analu e Gabriel estão virando regra: um levantamento do site de relacionamentos eHarmony em 2014 estima que, até 2040, cerca de 70% dos casais terão se conhecido por meio de aplicativos ou sites de namoro. “É uma mudança gigantesca”, comenta Silva. “A internet pode ter tremendas vantagens, principalmente para pessoas que não possuem opções compatíveis e disponíveis em seu círculo de relações. Posso estar sentado no escritório e ter várias opções possíveis ao meu redor, mas jamais saberia se não fosse a internet.”

A saída dos círculos de convivência faz ainda com que a configuração da sociedade comece a mudar. Em estudo realizado em 2017, cientistas das universidades de Essex, na Inglaterra, e de Viena, na Áustria, sugeriram uma relação entre o aumento do número de casais interraciais nos EUA em 1995, 2000 e 2014 e a criação do site de namoro Match.com, a normalização dos relacionamentos virtuais e a popularização do Tinder, respectivamente. De acordo com simulações realizadas pelos pesquisadores, o fato de esses serviços conectarem desconhecidos faz com que a chance de eles serem de raças diferentes seja maior do que se precisassem ter relações em comum no mundo físico.

Onde tudo acontece

A lógica não se restringe à raça. Para membros da comunidade LGBTQ, os aplicativos representam a possibilidade de conhecer pessoas com as mesmas preferências e explorar sua sexualidade, ainda mais quando vivem em regiões assombradas pela homofobia.

“A tecnologia é uma das nossas melhores aliadas na luta contra o preconceito e a marginalização, porque facilita a distribuição rápida de informações e ideias e ajuda aqueles que estão isolados a formar comunidades”, afirma o norte-americano Peter Sloterdyk, porta-voz do aplicativo Grindr. Com foco em conectar homens gays e bissexuais, o app foi criado em 2009. Atualmente, tem mais de 3 milhões de usuários diários em todo o mundo. Desde seu lançamento, outros dois aplicativos concorrentes nasceram: o Scruff, em 2010, e o Hornet, em 2011.

Na experiência do advogado Luan Andrade, no entanto, quem busca um relacionamento sério, como ele, dificilmente o encontrará em um dos três apps. “Oitenta por cento dos usuários desses apps buscam sexo casual”, estima o paulistano de 24 anos. “Salvo raras exceções, os usuários não utilizam seus nomes, e sim apelidos ou símbolos que indiquem preferência sexual, ou seja, as intenções são bastante claras”, explica. “Utilizando esses três aplicativos, senti que não era algo para mim. Neles rola algo muito diferente daquilo que eu desejo, que é simplesmente conhecer um cara legal e tocar um relacionamento. A sensação é a de estar em um campo de caça.”

No início, essa caça até parecia promissora, já que a timidez de Luan dificulta o flerte. Ele usou o Tinder pela primeira vez há quatro anos, onde conheceu seu ex-namorado, com quem ficou por três anos. Com o término, voltou aos apps no início de 2017, mas se frustrou com os usuários. “No Tinder, há muitos perfis com imagens de homens aparentemente perfeitos, e que derrubam a autoestima de caras comuns. E dão a impressão de que, se não nos encaixamos naquele padrão de beleza ou estilo de vida, estamos fadados à solidão”, desabafa.

Essa escolha baseada na imagem é um tema que, há alguns anos, chamou a atenção da pesquisadora norte-americana Jessica Strübel, da Universidade de Rhode Island. “Tinha ouvido alguns dos meus alunos falando sobre o Tinder e como ele funciona. Comecei a pensar nessas pessoas escolhendo potenciais parceiros com base em uma ou duas imagens”, conta. Para entender melhor a prática, pediu que centenas de universitários respondessem um questionário com perguntas sobre autoestima. Os resultados foram desapontadores, porém não surpreendentes: aqueles que usavam o Tinder tinham autoestima mais baixa, além de maior tendência a se comparar aos outros.

“Penso que essa lógica está de acordo com a nossa sociedade de consumo, na qual você pode ter tudo rápido e fácil à disposição”, reflete Cleusa Kazue Sakamoto, psicóloga e professora da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação. “Você pode até pensar assim em relação a um produto, mas não é algo tangível quando diz respeito à companhia de uma pessoa, à possibilidade de desfrutar com alguém um momento íntimo, trocar afeto e prazer.”

Desviar da superficialidade exige um esforço de todas as partes. Victor Teixeira, representante do aplicativo Adote um Cara no Brasil, sugere que os usuários transformem seus perfis em quem eles são. “Escreva quem você é, coloque as coisas de que você gosta, porque, quando encontrar alguém, a pessoa já terá uma ideia de quem você é”, afirma. “Use as fotos com as quais você se sente à vontade, e não as que os seus amigos dizem que você saiu bem”, completa Karol Ciccarelli, do marketing do mesmo serviço.

Bom, e se a ideia for fugir totalmente da escolha baseada em imagens, também existem apps de relacionamentos às cegas, como Deeper e First.

A verdade nua e crua

A quantidade de opções nos apps traz esse conflito: por que se dedicar a uma só conversa quando se pode atirar um pouco para todos os lados? Essa foi uma ideia que demorei a entender. O mais frustrante durante a minha experiência no Tinder e no Happn foi ter várias combinações e ser deixada falando sozinha, prática conhecida como ghosting. Mas logo descobri que isso não é uma particularidade minha. É preciso ter paciência. Na pesquisa realizada pela GALILEU e a Sexlog, 37% afirmaram estar há dois anos ou mais em aplicativos e sites de relacionamentos.

Após dois anos usando apps como o Tinder e o Happn, a frustração também alcançou o gaúcho Augusto Mengarda, de 27 anos. Atualmente se preparando para o doutorado em Engenharia Elétrica, ele entrou nos aplicativos durante o mestrado, quando não tinha muito tempo disponível para conhecer pessoas novas em festas e bares. “Tive vários encontros, algumas pessoas com quem saí mais de uma vez, até por mais de alguns meses, mas nunca cheguei a ter nada sério por meio dos aplicativos.”

Em agosto de 2017, o perfil de Augusto foi selecionado pela equipe do Adote um Cara para participar da campanha de inverno do aplicativo. No serviço, que o engenheiro já tinha utilizado algumas vezes, as mulheres têm o controle para selecionar os candidatos que acham interessantes. “Tudo funciona como uma boutique, onde as meninas escolhem (adotam) os caras que elas mais curtirem.

Os homens criam seus perfis de acordo com suas características e estilo: barbudo, hipster, surfista, geek etc., e ficam disponíveis em nossa prateleira para nossas doces usuárias”, diz a descrição do app na loja do Google. “Se a mulher achar um cara interessante, pode ‘colocá-lo’ em um carrinho — e ele receberá uma notificação e poderá conversar com ela”, explica Karol Ciccarelli.

Nas semanas seguintes à campanha, Augusto foi contatado por mais de 1,2 mil pretendentes. A quantidade foi um pouco demais para ele: “Havia pessoas legais, mas não deu em nada. Tinha muita gente de fora do Rio Grande do Sul, não tinha muito o que acontecer. Foram tantas mensagens que algumas não consegui responder até hoje”.

A frustração fez com que ele ficasse mais criterioso, conversando por mais um tempo antes de chamar para tomar um café e até deixando os apps de lado por um período — quando nos falamos, ele estava com o Tinder desativado e ainda tinha o Happn, mas está dando uma chance para as possibilidades fora da tela, um ciclo pelo qual já passou algumas vezes.

“Apesar do inegável sucesso dos aplicativos, fica claro que a nova tecnologia voltada a encontros românticos criou seu próprio conjunto de problemas”, escreve  o comediante norte-americano Aziz Ansari no livro Romance Moderno —Uma Investigação sobre Relacionamentos na Era Digital (Editora Cia. das Letras, 288 páginas, R$ 47,90). Com a ajuda do sociólogo Eric Klinenberg, Aziz viajou para diversas cidades dos Estados Unidos, bem como Buenos Aires, na Argentina, Tóquio, no Japão, Paris, na França, e Doha, no Catar, para entender como a tecnologia está afetando a forma como nos relacionamos uns com os outros.

Ele usou um pouco da pesquisa para roteirizar sua série Master of None, disponível na Netflix. Em um dos episódios da segunda temporada, o protagonista, Dev, vivido pelo próprio Aziz, vai a vários encontros com diferentes pretendentes. Por vezes, o processo parece entediante, ainda mais quando ele leva as mulheres nos mesmos lugares e tenta conquistá--las com as mesmas cantadas, como se não fossem diferentes umas das outras.

“Encontrar uma pessoa é mais complicado e estressante hoje do que era para as gerações anteriores”, afirma em Romance Moderno. Para melhorar a busca, ele sugere que se deve sair mais de uma vez com a mesma pessoa, assim osdois podem ter uma chance de se conhecer melhor e, possivelmente, estabelecer uma conexão. “Ao mesmo tempo, é maior a probabilidade de que, uma vez com ela, essa pessoa seja alguém realmente empolgante”, completa.

Juntos pelo acaso

O argumento de Aziz Ansari me lembra das comédias românticas que adoro assistir: aqueles filmes em que os protagonistas demoram, mas encontram o que tanto desejam — e que geralmente estava o tempo todo ali. Em sua tese Os Formatos das Histórias, o escritor norte-americano Kurt Vonnegut definiu alguns padrões, que podem ser representados por gráficos e que tornam as histórias interessantes para o público.

Para os romances, ele apresenta a estrutura “garoto conhece garota”, na qual o personagem principal deve encontrar uma pessoa incrível, se apaixonar, se deparar com um desafio para poder viver esse amor, superá-lo e viver feliz para sempre. No livro How to Fall in Love with Anyone: A Memoir (Como se Apaixonar por Qualquer Pessoa, em tradução livre), a escritora Mandy Len Catron define as especificidades que podem ser encontradas em praticamente toda história de amor. Entre elas, a autora destaca o “encontro místico”: “Os melhores encontros contêm indícios de forças maiores” — como a moça que não usava mais o Tinder, mas decidiu instalá-lo em outra cidade, e quase não deu like em um rapaz, mas decidiu fazê-lo, e assim encontrou sua outra metade, por exemplo.

Por mais romântico que pareça, nem todo mundo quer depender desse acaso. Ao ver várias pessoas saindo frustradas de uma festa em 2015, o empreendedor Guilherme Ebisui, então com 23 anos, teve a ideia de criar um aplicativo que permitisse que as pessoas soubessem com quem podem se encontrar com antecedência, garantindo as chances de acontecer o flerte.

Com a ajuda do amigo Filipe Santos, de 24 anos, ele criou o Poppin, app lançado em junho de 2016 que, conectado aos eventos do Facebook, permite aos usuários ver quem irão encontrar e demonstrar interesse com antecedência. Assim como o Tinder, o serviço funciona com base em combinações: se houver interesse de ambas as partes, o aplicativo possibilita que conversem. “Os encontros demoram muito para serem marcados em apps de relacionamentos. No Poppin, o encontro já está garantido, já que ambos estarão lá”, pondera Filipe. “Nas festas, temos a sensação de que as pessoas querem se relacionar, mas não sabem como quebrar o gelo. O app acaba com essa frustração.”

Não se trata só de abordar alguém e ser rejeitado, mas de passar por essa experiência em público. Foi por isso que os universitários Rafael Hamoul, de 19 anos, Alan Kovari e André Kurbet, de 20 anos, criaram o aplicativo Secrush. “Era um problema que eu tinha desde a adolescência e via meus amigos com a mesma dificuldade: gostar de uma menina e ter que descobrir se ela tinha interesse também perguntando para os outros. Eu me questionei se esse intermediário não poderia ser um app”, conta Rafael. Hoje com 10 mil usuários, o serviço também funciona com base em matches. E, sincronizado com a conta do Facebook, permite que o usuário sinalize seu interesse por seus amigos, definindo se ficaria, sairia, conheceria melhor ou se não tem nenhum interesse neles.

Apesar de a proposta não ter o match — cuidado —, isso não significa machucar-se menos. “A rejeição é uma força poderosíssima”, explica o psicólogo Ailton Amélio da Silva. “Ao lidarmos com seres humanos, estamos pisando em ovos: o tempo todo estamos colhendo sinais indiretos — estou agradando, não estou agradando, será que ele está sendo só educado — e pensando se estamos agindo de uma forma que vai prevenir de sermos rejeitados.”

O especialista em relacionamentos explica que o fora tem um grande efeito na autoestima, não tanto pelo outro, mas pelo que essa decisão dele diz de nós. “O medo não é de ter qualidades que o outro não aprove, é não ser aprovado por ninguém. Quando somos rejeitados e temos baixa autoestima, não pensamos que fomos só negados por uma pessoa, e sim que não somos bons no geral”, afirma. “Mas essa é uma preocupação constante. O mundo seria completamente diferente se a rejeição não existisse.”

Vestida para casar

A rejeição, às vezes, é necessária para entender quem somos e o que queremos. Foi o que aconteceu com Kathlyn Pereira: em julho de 2017, seu namoro — que havia começado no Tinder havia quase três anos — terminou. “O objetivo da vida do meu ex é empreender, e eu descobri que meu objetivo sempre foi casar”, conta a universitária de 26 anos. “Não quero virar esposa troféu; quero ter uma família, ficar um tempo casada, antes de ter filhos. Desejo viver a vida a dois.”

Apesar de ser difícil, o término fez com que a paulistana colocasse vários aspectos da vida em perspectiva: atualmente está estudando Turismo e reavaliando suas opções no âmbito amoroso. Em um primeiro momento, baixou o Tinder, o Happn e o Adote um Cara. “Mas eram muitos contatinhos para administrar. Sou mais romântica”, revela. No fim do primeiro mês de solteirice, ela desinstalou os apps e agora, seis meses depois, está voltando com mais calma. “Estou selecionando melhor as pessoas com quem conversar. Tento criar uma amizade primeiro para depois ver o que pode rolar.”

Em How to Fall in Love with Anyone: A Memoir in Essays, Mandy Len Catron afirma que, das comédias românticas a que assistimos à forma de contarmos a história de como nossos pais se conheceram, propagamos a noção de que o amor é algo que simplesmente acontece conosco. A ideia de ter algum tipo de controle sobre isso, seja dando vários matches sem se dedicar muito a nenhum deles (afinal, se tem que acontecer, por que fazer um grande esforço?), seja se declarando para o crush sem precisar fazê-lo cara a cara, pode ser cativante.

Mas a tecnologia é apenas um atalho, não uma fórmula pronta para o amor. “O amor não é tão simples quanto as nossas histórias o fazem parecer”, escreve Mandy no livro. “Mas é sua complexidade que o torna interessante.”

A matéria que estou escrevendo para você, leitor, e a matéria que eu pensei que iria escrever são bastante diferentes. Na minha cabeça, imaginei que a apuração me daria algum insight que me faria descobrir como encontrar o que estou procurando. Neste momento do texto, contaria como tinha quase desistido quando, de repente, esbarrei com o perfil de Bernardo, um “passageiro com nota 4,83 no Uber”, com quem teria um encontro marcado, ou que tinha me apaixonado por um rapaz, um improvável cover do Noel Gallagher. Não foi o que aconteceu, e tudo bem.

Quando conversei com Mandy Len Catron, perguntei: “Que conselho você daria a alguém que, como eu, procura o amor?”. “Tenha ideias mais flexíveis em relação ao amor”, respondeu ela. “Encontre formas de criar laços com as pessoas e buscar a gentileza e a generosidade nos outros. E se o amor se desenvolver dessas conexões, maravilha.

Acredito que relacionamentos íntimos são o que dão significado para nossas vidas, mas eles podem aparecer em diferentes formas. Nossa cultura tende a validar somente o comprometimento monogâmico de longo prazo. Isso é bom, mas é só uma maneira de praticar o amor.” Muito obrigada, Mandy. Continuo nos apps. Mas, enquanto isso, vou cultivar os outros relacionamentos que já tornam minha vida especial.


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