Semana On

Domingo 25.ago.2019

Ano VII - Nº 360

Comportamento

Liberação da maconha divide opiniões

Estudo da Anvisa propõe regulamentar composto medicinal da erva.

Postado em 28 de Maio de 2014 - Redação Semana On

A polêmica sobre a liberação da maconha foi reforçada nos últimos dias após a divulgação feita pela Anvisa sobre o canabidiol. A polêmica sobre a liberação da maconha foi reforçada nos últimos dias após a divulgação feita pela Anvisa sobre o canabidiol.

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O psiquiatra Luís Fernando Tófoli, da Unicamp, divulgou um documento em defesa da legalização da maconha com quase cem assinaturas, entre elas a do ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão. O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, criticou o documento. "Temos uma posição consolidada contra a legalização e 6.500 assinaturas (referindo-se ao número de associados) de apoio", diz.

A polêmica foi reforçada nos últimos dias após a divulgação feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de um estudo para a liberação do canabidiol (CBD), um dos 80 compostos presentes na maconha. "Já que é possível usar, por exemplo, o veneno de jararaca para fabricar remédios, o que não quer dizer que você deva liberar o veneno de jararaca para ser tomado como se fosse refrigerante", afirma Silva

Para Tófoli, no entanto, apenas liberar a substância CBD não resolverá o problema. "O que as pessoas estão fazendo é importar pastas ou óleos de maconha ricos em CBD. A substância em si é produzida por poucos laboratórios e usada apenas em pesquisa". Sobre a legalização, ele diz que não se trata de negar malefícios, mas de controlá-los da melhor forma por meio da legalização, da regulamentação e da educação.

Antônio Geraldo da Silva teme que a liberação do CBD contamine a discussão sobre a legalização da maconha. "São necessários estudos que mostrem que o uso do canabidiol justifica-se e, a partir daí, estudar uma maneira de liberá-lo".

Composto Nobre

A Anvisa deve decidir no fim do mês se vai mudar a classificação do CBD. A agência poderia retirá-lo da lista F1, de substâncias proibidas no país, e colocá-lo na lista C1, de medicamentos permitidos, mas sujeitos a controle.

Segundo o diretor-presidente da agência, Dirceu Barbano, a consequência prática dessa mudança, caso ela ocorra, seria uma mensagem mais clara para quem prescreve ou para quem vai usar de que se trata de uma substância que, quando usada em doses, fórmula e indicação terapêutica definidas, pode ser usada de forma segura.

Barbano disse ainda que a prescrição só será autorizada para o produto acabado, "um medicamento embalado, que tem nome", e não para a matéria-prima. "O que está sendo demonstrado é que, essa planta, como poderia ser qualquer outra, pode fornecer substâncias que podem ser úteis na medicina. Não se pode demonizar nem achar que porque essa planta é a maconha que ela não possa produzir um princípio ativo digno, nobre e medicinal. É importante desmistificar, essa substância poderia estar presente em qualquer outra planta."

Segundo Barbano, nas últimas semanas a Anvisa autorizou pelo menos seis pacientes a importarem o CDB. Ele falou que outros princípios ativos da maconha permanecerão proibidos até que eventualmente sua efetividade seja comprovada cientificamente.


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