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Ano VI - Nº 321

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Saúde

Cobertura vacinal cai e boicote às vacinas coloca em risco erradicação de doenças

Queda na cobertura vacinal pode causar problemas de saúde pública

Postado em 01 de Março de 2018   - Juliana Gonçalves

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A campanha vacinal contra a febre amarela nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro ainda não conseguiu atingir nem 20% do total de 20 milhões de pessoas que deveriam ser imunizados. A decisão consciente por não se imunizar também surge como fator importante.

O boicote não só a vacina contra a febre amarela, mas a todos os tipos de vacinas, aliado aos cortes de verbas em Saúde promovidos pelo governo de Michel Temer (MDB-SP) já estão provocando efeitos na cobertura vacinal do país. É o que explica Maria José Menezes, bióloga e mestre em Patologia Humana pela FioCruz.

Em 2016, o Brasil teve um declínio importante na sua cobertura vacinal. Isso é também um fator importante, temos que nos debruçar sobre esses dados e ver que tirar verba da saúde significa de forma direta e objetiva colocar a vida das pessoas em risco”, disse.

Menezes, que também é membro do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, a USP, cita estudo divulgado em julho do ano passado pela Organização Mundial de Saúde, a OMS e pelo Fundo das Nações Unidas para Infância que mostra como a cobertura vacinal do calendário obrigatório de vacinas do Brasil caiu.

Se um dos traços de vulnerabilidade de uma população é exatamente ter baixa cobertura vacinal, no Brasil desde 2012 um levantamento do Ministério da Saúde revelou que nas classes mais ricas das capitais a vacinação era deficitária.

Em São Paulo, por exemplo, 71% das crianças da classe A, com renda familiar acima de 20 salários mínimos por mês, haviam recebido a imunização completa – enquanto na classe E, cuja renda familiar mensal é inferior a dois salários mínimos, a cobertura era de 81%.

Para Thiago Henrique Silva, médico de família e comunidade e membro da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares a queda na cobertura vacinal pode causar problemas de saúde pública.

“Na Europa, vários grupos de classe médica europeias começaram com essa conversa de não dar vacina para seus filhos. O que aconteceu? Um surto de sarampo que já estava erradicado em vários desses países como França e Inglaterra”, afirmou Silva. Em 2017, os casos de sarampo aumentaram 400% na Europa e cerca de 30 pessoas morreram.

No Brasil, em 2011, quando foram diagnosticados 26 casos de sarampo na Vila Madalena, região de classe média alta. Tudo começou a partir de uma criança que não tinha recebido a vacina por opção familiar. A doença se espalhou pela região e sete bebês menores de um ano acabaram contagiados.

O médico classifica como irresponsável o boicote às vacinas do calendário obrigatório. “As doenças que as vacinas previnem por mais que tenha efeito colateral são doenças que podem matar.  Você pega a febre amarela por exemplo, a taxa de letalidade muito alta. Então teríamos um problema de saúde pública se grupos específicos boicotam as vacinas por que assim a gente não barra a transmissibilidade desses vírus e as pessoas podem se tornar portadoras”, explicou.

Segundo o Ministério da Saúde, os casos confirmados de febre amarela somam 464 e as mortes 154, até fevereiro deste ano.


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