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Terça-Feira 12.dez.2017

Ano V - Nº 283

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Poder

Temer e Alckmin discutirão saída do PSDB do governo no sábado

Presos a Temer, tucanos miravam as reformas

Postado em 01 de Dezembro de 2017   - Redação Semana On

O presidente Michel Temer (PMDB-SP) deve se reunir no final de semana com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), para discutir a melhor maneira de ocorrer o desembarque tucano da Esplanada dos Ministérios.

Na terça-feira (28), tanto o governador tucano, que deve assumir o posto de presidente nacional do PSDB, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG) disseram publicamente que o partido deve deixar o governo federal. "O momento do PSDB deixar o governo federal chegou, mas sai pela porta da frente, de cabeça erguida", disse Aécio.

Em conversas reservadas, o presidente tem afirmado que, caso a sigla decida sair, o desembarque será feito de maneira combinada e respeitosa.

O encontro deve ocorrer neste sábado (2) em São Paulo, para onde o peemedebista viajará para entregar moradias do programa "Minha Casa, Minha Vida" em Limeira e Americana.

O presidente quer evitar que o episódio crie fissuras na relação entre o partido e o governo, que espera o apoio dos parlamentares tucanos na votação da reforma previdenciária.

A expectativa é de que o PSDB deixe os cargos na Esplanada dos Ministérios na semana que vem, antes da convenção nacional do partido, marcada para o próximo dia 9.

A única indefinição é a saída do ministro Aloysio Nunes Ferreira, que pode ser mantido à frente das Relações Exteriores como nome da cota pessoal do presidente.

Jogo perigoso

A agenda principal do PSDB nunca foi Temer, a bem da verdade. Mas os líderes do partido queriam aproveitar a janela de oportunidade a fim de aprovar as impopulares reformas – essas sim pautas do partido. Já conseguiram fazer passar a PEC do Teto dos Gastos (congelando por duas décadas investimentos em áreas como educação e saúde públicas), a Lei da Terceirização Ampla e a Reforma Trabalhista, entre outras.

Dessa forma, o descontentamento da população foi para o atual ocupante do Palácio do Planalto, que agora conta com algo entre 3% a 5% de aprovação, dependendo da pesquisa. E o partido pode chegar com menos ônus às eleições do ano que vem. Pois qualquer candidato à Presidência da República será execrado em debates na TV ao assumir uma Reforma da Previdência como uma de suas propostas de governo. E nem horas de discurso antipetista e todos os memes do mundo juntos vão salvar uma debandada do eleitorado ao perceber que o tal candidato apoia o adiamento da aposentadoria do povo.

É isso ou assumir um estelionato eleitoral mais pesado até do que o cometido por Dilma Rousseff ao iniciar o seu segundo mandato em 2015, quando ela colocou em prática o oposto do que prometeu.

O PSDB vai tomando distância do governo Temer pressionado pelo grupo que deseja preparar as candidaturas do ano que vem.  Verdade seja dita, parte do partido nunca quis fazer parte do governo. Mas também não se deve nunca esquecer que a cúpula do tucanato foi a parteira da criatura ao não reconhecer a derrota eleitoral de 2014 e a capitanear a queda do governo anterior.

Se a autocrítica do tucanato tivesse existido, neste momento deveria incluir uma reflexão sobre a democracia. A quem o partido representa: a população em geral ou apenas algumas dezenas de milhares de ricos? Quem conferiu o mandato aos deputados e senadores: milhões de eleitores ou algumas centenas de doadores de campanha? O que Franco Montoro pensaria disso?

Invariavelmente, essa reflexão levaria não apenas à saída do governo, mas a um freio na discussão da Reforma da Previdência – que não conta com apoio da esmagadora maioria da sociedade pelo que pode ser visto por diferentes pesquisas de opinião. Há parlamentares no PSDB com esse entendimento, defendendo, por exemplo, uma Reforma Tributária com Justiça Social. Mas não fazem parte da cúpula e, portanto, não são ouvidos.

Um rascunho dessa Reforma Tributária, aliás, está no próprio Ministério da Fazenda, envolvendo o retorno da taxação dos dividendos e a criação de alíquotas de 35% a 40% no Impostos de Renda para grandes salários. Mas foi congelado pela chiadeira da elite brasileira.

Não se nega a importância de adotar novas regras para o INSS e para previdência pública de forma a garantir estabilidade futura ao sistema. O problema é que isso está sendo feito sem a devida discussão.

Enquanto isso, Temer não tem muitas opções. Com a corda no pescoço, depende do apoio do PSDB e do empresariado. E sabe que sua melhor chance segue sendo mostrar-se capaz de entregar as reformas encomendadas pelo poder econômico. Se tivesse apreço à dignidade, afirmaria publicamente que um desembarque do PSDB levaria ao congelamento dessas mudança. Aliás, ele deveria renunciar e articular eleições diretas para a sua vaga. Mas isso é outra história, porque a questão agora é a de garantir sua própria liberdade e a de seu grupo político (os que ainda não estão presos).

O PT, de certa forma, pagou o preço de ter colocado Michel Temer em nossas vidas com a conspiração a céu aberto realizada pelo então vice visando ao impeachment. Agora, seria justo o PSDB arcar com as consequências de seus atos, talvez do ponto de vista eleitoral.

O que talvez aconteça, mas não da forma como se pensa. Em junho passado, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) – que pode ser muita coisa, menos burro – foi bem claro: ''Se o PSDB deixar hoje a base vai ficar muito difícil de o PMDB apoiá-los nas eleições de 2018. Política é feita de reciprocidade''. Lembrando que o PMDB pode até não ter um candidato viável à Presidência, mas contará com tempo de TV e a maior quantidade de prefeitos – o que rende uma capilaridade como nenhum outro.

Enfim, quem pariu Michel não apenas o embale, mas seja responsável pela sujeira deixada pela casa.


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