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Terça-Feira 12.dez.2017

Ano V - Nº 283

Governo dengue

Poder

Pronto pra briga

À frente nas pesquisas para 2018 e condenado por Moro, Lula radicaliza discurso e pede para ser julgado pelo povo

Postado em 01 de Dezembro de 2017   - Lucas Feraz – Apública

Luiz Inácio Lula da Silva estava em São Luís, no Maranhão, encerrando sua primeira caravana pelo país como pré-candidato à Presidência, no dia 5 de setembro, quando sua equipe recebeu a confirmação de que Antonio Palocci optara, finalmente, pelo caminho da delação premiada. Como todos ao redor do ex-presidente temiam, estava traçado o rompimento com o ex-ministro da Fazenda, considerado por Lula um dos homens mais inteligentes do Brasil.

No dia seguinte, diante do juiz Sergio Moro, em Curitiba, 12 meses depois de ter sido preso, Palocci desferiu um inédito e estrondoso golpe contra Lula, referindo-se ao que chamou de “pacto de sangue” entre o petista e a construtora Odebrecht para financiamentos políticos e pessoais em troca de contratos com os governos.

Lula e o PT monitoravam Palocci por meio de advogados desde que ele sugerira a Moro, numa audiência em abril, que poderia apresentar “fatos com nomes, endereços e operações realizadas”, “um caminho que vai lhe dar mais um ano de trabalho e que faz bem ao Brasil”. Os correligionários acharam bravata, assim como Moro, que registrou a impressão na sentença proferida em junho, condenando Palocci a 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

A senha de que o ex-ministro decidira pela delação chegara entre junho e julho, quando ele dispensou o advogado José Roberto Batochio – que o defendia havia mais de dez anos e, por sua indicação, auxiliava também a defesa de Lula – para contratar o paranaense Adriano Bretas, especializado em delações.

Segundo pessoas de seu círculo, o ex-presidente ficou abalado com a carta assinada pelo ex-ministro da Fazenda, que seria conhecida naquele mesmo 6 de setembro (no mês seguinte, Lula sofreria novo abalo ao saber que a Polícia Civil de São Paulo invadira a casa de um de seus filhos, em Paulínia, após denúncia anônima de que havia consumo de drogas no local; nada foi encontrado). Sentimento motivado sobretudo pelos laços afetivos que tinha com ex-auxiliar.

Na missiva, Palocci rompia publicamente com o PT (classificando-o de seita), partido ao qual estava filiado desde os anos 1980, e questionava até quando todos fingiriam acreditar na “autoproclamação do homem mais honesto do país, enquanto os presentes, os sítios, os apartamentos e até o prédio do Instituto Lula são atribuídos a dona Marisa?”.

Era a primeira vez desde o início da Lava Jato, em 2014, que um petista tão graúdo – e com tamanha intimidade com Lula – falava em crimes que, assegura, cometeu ao seu lado ou com o seu beneplácito.

No texto, Palocci ainda relata o que classificou de “cena mais chocante que presenciei do desmonte moral” de Lula, ao participar de uma reunião no Palácio da Alvorada em que o então presidente teria tratado de propina sem nenhuma cerimônia.

As declarações vinham de um dos coautores da Carta ao Povo Brasileiro, documento essencial para a eleição do petista em 2002, e uma das principais pontes de seu governo com a elite econômica do país.

Lula afirma ser inocente. “O próprio Palocci disse que busca um acordo de delação para obter benefícios judiciais. Palocci tem, inclusive, o mesmo advogado de Delcídio do Amaral, que o Ministério Público de Brasília já reconheceu que fez acusações sem provas contra Lula para fechar um acordo e sair da cadeia”, respondeu o ex-presidente por meio de sua assessoria de imprensa. Ele não quis ser entrevistado para esta reportagem.

“Ficou claro que ele mudou o depoimento pela necessidade de apresentar uma narrativa incriminatória contra Lula, mas não apresentou nenhuma prova. Eu estava na audiência e vi que Palocci tinha nas suas anotações a expressão ‘pacto de sangue’, era uma narrativa decorada”, responde o advogado Cristiano Zanin Martins, que encabeça a defesa do ex-presidente.

Martins acredita que o ex-ministro da Fazenda será utilizado nos processos da Lava Jato ainda em curso do mesmo modo que Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, fora usado na ação do tríplex do Guarujá – a mudança de versão do executivo foi crucial para a condenação.

A delação de Palocci, no momento em negociação entre seus advogados e a Procuradoria-Geral da República, em Brasília, ainda não foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal – ainda é uma incógnita se o tribunal realmente o fará. A Moro, em audiência, Palocci garantiu ter provas.

Não se sabe, portanto, se a delação se limitará a narrar fatos relacionados a Lula ou se abordará outras irregularidades que supostamente tiveram a participação do ex-ministro. Uma delas, já especulada na imprensa, diz respeito à renegociação da dívida da TV Globo, em 2003, que teria contado com garantias dadas pelo então recém-iniciado governo petista.

Adriano Bretas “não confirma nem desmente” a inclusão desse e de outros temas. O mistério, disse o advogado, tem razão de ser: ele não pode tratar publicamente dos termos da negociação.

Para Lula, as acusações de Palocci coroaram o seu inferno político e pessoal iniciado em março de 2016, quando foi conduzido coercitivamente para depor à Lava Jato. Menos de um ano depois, em fevereiro, sua mulher, Marisa Letícia (também investigada), morreu após dias de internação provocada por um aneurisma. Quando acabava de voltar às ruas, ao concluir um giro por regiões do Nordeste, veio o golpe desferido logo por Palocci, que Lula imaginou – ainda que por pouco tempo – como um possível herdeiro político.

Publicamente, o PT desdenha das afirmações do ex-ministro e acredita que elas não terão consequência jurídica. Segundo o monitoramento feito pela sigla, desde o impeachment de Dilma Rousseff, no ano passado, Lula não enfrentava exposição na mídia e nas redes sociais tão negativa – maior até do que na sua condenação.

“Palocci tentou se salvar, melhorar sua situação. Mas o que ele falou não teve impacto algum”, disse a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do partido.

Apesar dos percalços, Lula continua, até aqui, à frente em todos os cenários avaliados para 2018 (tem cerca de um terço das preferências, média do partido nas eleições nacionais; sua rejeição, contudo, também se mantém alta, 42% segundo o último Datafolha). Atrás dele, nas pesquisas, está o deputado federal e ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro – a polarização é um jogo vantajoso para o lulismo, o que torna Bolsonaro, segundo o deputado federal José Guimarães, o adversário ideal nas urnas.

Pesquisas de diferentes institutos mostram (com pequenas variações) que o índice de avaliação do ex-presidente não se alterou nem após ter sido condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro nem depois de conhecido o “pacto de sangue” relatado por Palocci.

O Lula que se coloca pela sexta vez como candidato à Presidência – depois de governar o país por oito anos e fazer de Dilma sua sucessora – recorre a um radicalismo só visto na sua primeira encarnação, em 1989. E as contradições não abalam a estratégia do “nós contra eles”.

Metamorfose ambulante que é, conforme se definira nos anos de governo em Brasília, Lula se apresenta agora como a “jararaca”, outra definição de sua autoria criada em março de 2016 ao discursar após a condução coercitiva, considerada excessiva até por adversários. Ali ele expôs os inimigos que o acompanharão no ano que vem: a República de Curitiba, como se refere à força-tarefa da operação, a elite econômica e a “mídia golpista”, em especial a Rede Globo, que, segundo ele, busca criminalizar o PT.

Até agora, ele só perdoou os “golpistas”, conforme anunciou no encerramento de sua caravana por Minas Gerais no final de outubro. Em Alagoas, pouco antes, ele havia participado de evento ao lado de Renan Calheiros (PMDB), presidente do Senado durante a tramitação do processo de impeachment (flagrado no Congresso sussurrando para Michel Temer “tamo junto”).

No ato final da caravana mineira, na praça da Estação, em Belo Horizonte, estava “a jararaca” em estado bruto. Lula atribuiu aos agentes da Lava Jato a morte da mulher, que também era alvo da investigação, e disse que ele e Dilma (ao seu lado no palco) tinham sido “condescendentes com os meios de comunicação”. Comparou-se a Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek ao se colocar no papel de vítima. E prometeu, caso eleito, convocar um referendo para a população decidir se as mudanças realizadas pelo governo Temer (como a reforma trabalhista) devem ou não ser revogadas.

O público não se incomodou com as contradições. A mais eloquente foi quando criticou os governos (de forma genérica) que dão dinheiro para empresários como Joesley Batista criarem empresas no exterior, sendo que a JBS virou uma gigante mundial dos alimentos a partir de valioso apoio de seu governo. Criticou também o sistema bancário, que no seu período na Presidência lucrou três vezes mais do que no governo FHC.

“Estão destruindo o país”, disse. Sobre as acusações da Lava Jato e o ataque midiático que diz sofrer, afirmou que espera “que eles peçam desculpas”.

O script não é muito diferente ao da elite política ferida pela Lava Jato. Em abril, em entrevista à Pública, o senador Romero Jucá (presidente do PMDB e líder do governo Temer no Congresso, um dos recordistas de inquéritos) usara argumento semelhante ao dizer que a Globo tinha interesse em derrubar a classe política tradicional (PT, PMDB e PSDB e as siglas nanicas) desnudada pela investigação.

Desde que Palocci se transformou na reencarnação de Judas Iscariotes para o PT, o ex-presidente tem evitado o assunto. Publicamente e mesmo entre os auxiliares.

A contrariedade é grande porque fora exatamente Lula, um admirador irrestrito do ex-ministro, o seu principal defensor dentro do PT e nos governos, quem o reabilitou após ele ter caído em desgraça duas vezes.

A primeira, em março de 2006, lhe custaria o Ministério da Fazenda e a possibilidade de tornar-se o sucessor de Lula: envolvido na quebra de sigilo fiscal do caseiro Francenildo Costa, que denunciou farras hedonistas e malas de dinheiro numa mansão em Brasília frequentada pelo ministro.

Ali terminava o sonho de ser herdeiro político de Lula, o que lhe parecia uma possibilidade real após a queda (meses antes) do então ministro da Casa Civil José Dirceu, outro nome forte do primeiro mandato lulista, alvejado pelo mensalão.

O renascimento de Palocci coube exclusivamente a Lula: escalado para ser um dos coordenadores da campanha de Dilma em 2010, exatamente pela ótima relação que mantinha com o empresariado (era um excelente arrecadador), ele virou ministro da Casa Civil da petista. Dilma não queria, mas prevaleceu a força do padrinho.

Ele ficou no cargo apenas seis meses: após reportagem da Folha de S.Paulo ter mostrado que seu patrimônio cresceu mais de 20 vezes entre 2006 e 2011, Palocci optou em pedir demissão em vez de explicar o seu rápido crescimento patrimonial.

O episódio não o distanciou de Lula: Palocci sempre foi mais ligado ao ex-presidente do que ao partido. Eles continuaram a se frequentar, relação cessada somente com a prisão de Palocci em setembro de 2016. Aos mais próximos, Lula costumava dizer que havia dois Paloccis: o homem público (considerado brilhante) e o privado (com questões problemáticas que sempre afetavam a política).

Em audiência ao juiz Moro, na semana seguinte à divulgação da carta do ex-ministro, Lula o chamou de “cínico, calculista e simulador”. Disse ainda que pensava na sua mãe, dona Antonia, uma petista histórica de Ribeirão Preto. Após o episódio, Antonia fez chegar a Lula que estava “chateada” com toda a situação.

Embora se conheçam desde a década de 1980, Lula e Palocci se aproximaram apenas a partir da vitoriosa campanha de 2002, quando o então prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel – escolhido por Lula para comandar a transição – foi assassinado. Médico e ex-militante trotskista que havia sido duas vezes prefeito de Ribeirão Preto, Palocci herdou a coordenação do programa de governo e ganhou prestígio e o respeito do futuro presidente.

Nomeado para cuidar da economia, Palocci manteve em sua gestão a política econômica dos anos FHC. Seria visto como o mais à direita e neoliberal dos petistas, o que desde sempre lhe rendera críticas e um pesado fogo amigo – apagado quase sempre por Lula.

“Já não confiava no Palocci desde quando ele era prefeito de Ribeirão Preto. No governo, ele não tinha simpatia pelo Fome Zero nem pelos programas voltados para os mais pobres. Era um cara a serviço dele mesmo”, conta Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto. Ele disse que não se surpreendeu com a trairagem.

Para Tarso Genro, ao contrário, foi uma surpresa, “principalmente porque o próprio Lula achava Palocci um dos homens mais inteligentes do Brasil”.

Bem relacionado com o andar de cima, afável e pragmático, Antonio Palocci nunca fora considerado um petista de raiz, embora tenha sido um dos fundadores do partido em Ribeirão Preto, sua terra natal e onde ele iniciou a carreira política como vereador. Lá, muito antes de seu nome ser conhecido nacionalmente, brotaram as primeiras suspeitas de irregularidades cometidas por ele.

Ao deixar a Casa Civil no governo Dilma Rousseff, em junho de 2011, Palocci tinha um patrimônio invejável. Ao ser preso, a Lava Jato bloqueou pelo menos R$ 61 milhões encontrados nas contas em seu nome e da sua empresa de consultoria.

Era a encarnação do petista que, na crítica de Frei Betto (que nunca foi filiado ao partido, apesar da proximidade), abandonara um “projeto de Brasil” pelo “projeto de poder”.

A bonança da família Palocci saltou aos olhos – e fora fundamental na sua “virada” para tornar-se um colaborador da Lava Jato.

Entre 2014 e 2015, segundo o levantamento da operação, Palocci repassou à filha Carolina R$ 2,9 milhões e R$ 1,5 milhão para a enteada, Marina Watanabe. As duas usaram os valores para comprar cada uma um apartamento em São Paulo, o que, segundo os procuradores da Lava Jato, configura lavagem de dinheiro. Os imóveis tornaram-se alvo da força-tarefa da investigação, que em junho pediu o sequestro dos apartamentos. Até hoje, contudo, esse pedido não foi julgado pelo juiz Sergio Moro – a demora está relacionada à delação em curso, que suspendeu momentaneamente os procedimentos relacionados a ele na Justiça.

Um de seus irmãos, Adhemar Palocci, indicado pela então presidente Dilma Rousseff para uma diretoria da Eletronorte, também foi alvo de investigação, citado por um ex-presidente da Camargo Corrêa como um dos envolvidos no pagamento de propina na construção da usina de Belo Monte.

Ao ver os bens da família em risco, e sem perspectiva de sair da prisão após ser condenado, ele capitulou.

“Para mim, é um processo muito similar ao do Léo Pinheiro, pressão nos acusados para obter a narrativa compatível com a acusação. O MPF não produz prova e tenta superar esse vácuo com o depoimento de corréus que estão presos e buscam benefícios”, diz Cristiano Zanin Martins.

Adriano Bretas, advogado que negocia a delação, diz que a alegação de cerco à família é infundada. Sobre a carta assinada por Palocci, que a defesa de Lula atribuiu a uma armação do advogado, Bretas diz que não a escreveu, mas apenas “passou a limpo” o texto que lhe chegou da prisão do cliente.

No PT, há muitos que especulam que a dinheirama encontrada nas contas de Palocci pode ter sido juntada por ele à revelia do partido, num projeto pessoal de riqueza, utilizando para isso o nome e o prestígio de Lula.

“No caso do Lula, o ataque é a melhor defesa. Pelo que eu conheço dele, tenho certeza de que será candidato. Ele ficará de fora só se morrer ou ficar inviabilizado”, afirma Frei Betto. O problema, ressalta, será se o ex-presidente tiver que indicar alguém. “As indicações dele não são felizes, vide Dilma e os presidentes do PT, todos inexpressivos.”

“Não sei como ele iria se defender se não fosse assim. Oferecendo a outra face, tenho certeza que não seria possível”, afirma Tarso Genro, seu ex-ministro da Justiça e um dos quadros do PT que já defendeu inúmeras vezes a “refundação” do partido, a primeira delas no mensalão, em 2005.

Tarso segue crítico à postura do partido. É contrário, por exemplo, à coligação já anunciada em alguns estados com o PMDB, exatamente por causa do impeachment. Ele condena também a ideia surgida recentemente no PT de boicotar as eleições se Lula for impugnado – para Tarso, seria um suicídio político comparável ao que fez a oposição ao chavismo na Venezuela.

No PT não há outro nome competitivo. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, apontado como um possível candidato, tem sido alvo nos bastidores de pesado fogo amigo. Seu nome, até o momento, não atingiu dois dígitos nas pesquisas em que foi incluído. Procurado, Haddad não quis falar.

O clima no partido é difuso. Repetindo um linguajar típico da militância dos anos 1970, muitos dizem que é necessário “aguardar o levante popular” contra o estado de coisas no país, como afirmou Gilberto Carvalho numa reunião setorial do PT no sindicato dos bancários, em São Paulo, em meados de setembro – o furacão Palocci acabava de ser conhecido. A espera do levante popular lembra a postura de muitos militantes acossados pela ditadura, que passaram o tempo à espera do apoio do povo – que, inebriado pelo milagre econômico e pela forte repressão, nunca chegou.

Com Lula, é improvável que haja autocrítica sobre as práticas reveladas pela Lava Jato.

“Não fazer essa autocrítica e não reconhecer os erros significa dar ainda mais munição à direita”, afirma Frei Betto, refutando o argumento de muitos petistas de que não é hora de fazer essa reflexão para o partido não se fragilizar ainda mais.

Para Tarso Genro, um partido “acossado” tem enormes dificuldades em fazer autocrítica: “Seria mais apropriado, hoje, pedir uma autocrítica do PMDB e do PSDB, tanto por propinas provadas como por traições ao sistema democrático”.

Gleisi Hoffmann afirma que a autocrítica está sendo feita “de dentro para fora”. “A melhor autocrítica é aquela que fazemos na prática, para a nossa base social. Estamos nos reposicionamento em várias questões”, afirmou.

O PT não trabalha com um plano B, garante ela. O partido se municia de pareceres e análises jurídicas para que Lula dispute a eleição mesmo se for condenado em segunda instância – a Lei da Ficha Limpa proíbe a candidatura de políticos nessa situação, mas há quem defenda essa possibilidade a partir de recursos na Justiça Eleitoral e no Supremo. Nesse caso, Lula iria para as urnas sub judice, algo inédito no país.

“Não vou discutir se eu posso ou não ser candidato. É fazer o jogo deles. Eles não querem que eu seja candidato. Eu quero ser candidato, e quem vai decidir é o povo”, disse o ex-presidente em entrevista neste mês ao jornalista e amigo Fernando Morais.

Sua pré-campanha não deve acabar tão cedo. Ele pretende encerrar as caravanas só depois do Carnaval, após viagens pelas regiões Sul, Norte e Centro-Oeste. Para Lula, as viagens são uma tentativa de tirar o PT da lona e de recuperar a sua imagem, que, segundo ele, passou a ser vendida na mídia e pelos procuradores da Lava Jato como coisa de “bandido”.

“O que está em jogo é se Lula será condenado como chefe de uma organização criminosa ou não”, afirma Luiz Dulci, seu ministro nos oito anos de governo e um dos assessores mais próximos.

A “jararaca” diz estar pronta para a guerra. Desde que ficou viúvo, Lula passou a troçar da idade (72 anos), fazendo questão de ressaltar que está com “tesão de 20 anos” para brigar. Se efetivada sua candidatura, ele será, ao lado de Getúlio Vargas, o segundo ex-presidente a disputar novamente a Presidência da República.

Como no passado, há prenúncio de confusão, seja lá o que acontecer.


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