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Mundo

Macri diz que sumiço de submarino exigirá investigação séria e profunda

Submarino americano vai ajudar na busca por embarcação argentina

Postado em 24 de Novembro de 2017   - Redação Semana On

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, afirmou nesta sexta-feira (24) que o desaparecimento do submarino ARA San Juan vai exigir uma investigação séria e profunda antes que se encontrem os responsáveis.

"Não temos de nos aventurar em apontar os culpados. Isso vai exigir uma investigação séria, profunda, que encontre certezas de por quê aconteceu o que estamos presenciando", afirmou Macri na sede da Marinha, em Buenos Aires.

Segundo Macri, é preciso entender "como um submarino que estava em perfeitas condições aparentemente sofreu essa explosão" —principal hipótese sobre o desaparecimento do San Juan há nove dias.

Macri fez um breve pronunciamento após se reunir com o ministro da Defesa e o Estado-Maior Conjunto.

O deslocamento do presidente até a Marinha foi interpretado como um sinal de respaldo do mandatário diante das críticas que a força tem sofrido pela maneira como tem lidado com a crise do submarino. O jornal "Clarín" chegou a dizer na edição desta sexta que o comando da Marinha seria substituído.

Macri reafirmou que as buscas pelo submarino continuam, "com o apoio da comunidade internacional". "Contamos com todos os avanços tecnológicos possíveis. Isso vai fazer com que encontremos o submarino nos próximos dias, certamente."

Aos familiares dos tripulantes, deixou uma mensagem: "A dor é muito grande, mas vamos até o fim juntos".

Ajuda americana

O porta-voz da Marinha da Argentina, Enrique Balbi, lamentou nesta sexta-feira (24) a falta de notícias sobre o ARA San Juan. "Gostaríamos de dar melhores notícias. Mas é preciso ser prudentes por respeito aos familiares e à verdade", disse. "Até o momento, não se pôde detectar o submarino."

Balbi também falou sobre a desastrosa reunião da Marinha com familiares dos tripulantes, na quinta-feira (23), em Mar del Plata.

Um porta-voz não conseguiu terminar de ler um comunicado para os parentes que, ao serem informados sobre uma explosão ligada ao desaparecimento do San Juan, se revoltaram e iniciaram um quebra-quebra na Base Naval.

Os familiares se queixaram de que as autoridades disseram tudo, menos que os tripulantes haviam morrido.

"[O comunicado] Parecia ser muito técnico e pouco humano. Mas era o mais profissional que podemos ser", afirmou Balbi. "Até que encontremos o submarino não podemos dizer aos familiares qualquer outra coisa além de fatos concretos."

O porta-voz afirmou que, se tiver cometido erros, "a Marinha não vai hesitar em pedir desculpas".

Um minissubmarino de resgate da Marinha americana está sendo enviado à área de buscas do submarino ARA San Juan com o objetivo de recuperar a embarcação ou o que tenha sobrado dela.

"A melhor tecnologia hoje quem tem para resgate de tripulantes de submarino acidentados são os EUA", afirmou Balbi, que não apresentou alternativas de resgate ou operações.

O equipamento, porém, só tem alcance de 610 metros de profundidade. Se o San Juan estiver em profundidade maior do que esta, um eventual resgate não será possível.

A preparação do minissubmarino, que será transportado em uma embarcação da petroleira francesa Total, ocorre na cidade de Comodoro Rivadavia (sul).

Além disso, a Rússia se soma às operações a partir deste sábado com um avião Antonov AN-124, o quarto maior avião do mundo, e um submarino teledirigido Pantera Plus.

Desaparecimento

O submarino argentino ARA San Juan, com 44 tripulantes, está desaparecido desde o último dia 15. A embarcação estava em um exercício de vigilância na zona econômica exclusiva marítima argentina a cerca de 400 km a leste de Puerto Madryn, na Patagônia (sul do país). Ele se dirigia de volta à sua base em Mar del Plata, ao norte, quando as comunicações foram interrompidas.

O San Juan, de propulsão que combina motores a diesel (para uso na superfície) e elétrico (quando submerso), é uma arma de patrulha e ataque com torpedos.

Ele é um dos três submarinos à disposição de Buenos Aires. Ele faz parte da classe TR-1700, construída pela Alemanha a pedido da Argentina. Dois dos seis barcos desse modelo foram entregues, mas o programa não foi adiante. A embarcação irmã do San Juan, o Santa Cruz, está em atividade.

O San Juan foi completado em 1985, e passou por uma longa revisão para lhe dar mais 30 anos de vida útil que acabou em 2013. A Marinha argentina, como suas Forças Armadas de forma geral, passam por um processo de degradação acelerada há muitos anos. Possui 11 navios principais de superfície, 3 submarinos, 16 embarcações de patrulha costeira, entre outros.

A circunstância evoca uma tragédia ocorrida no ano 2000, quando o submarino nuclear russo Kursk sofreu uma explosão no seu compartimento de armas e afundou no mar de Barents —os 118 tripulantes morreram, muitos por asfixia.


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