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Segunda-Feira 20.nov.2017

Ano V - Nº 280

Gov Refis

Poder

Aécio Neves destitui Tasso Jereissati da presidência do PSDB

Partido se divide ainda mais e ameaça chegar rachado em 2018

Postado em 10 de Novembro de 2017   - Redação Semana On

O senador Aécio Neves (MG) destituiu, na quinta-feira (9), o senador Tasso Jereissati (CE) da presidência interina do PSDB. Afastado do comando da sigla desde maio, quando foi atingido pela delação premiada do empresário Joesley Batista, Aécio alega que, com a decisão, garante a “isonomia” do processo que escolherá o novo comandante do partido. Tasso lançou oficialmente sua candidatura na quarta-feira (8) e terá como adversário na disputa o governador de Goiás, Marconi Perillo, apoiado por Aécio Neves.

O senador mineiro, que conversou com o cearense sobre a destituição, no entanto, não voltará à presidência do partido. Aécio indicou o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman, vice-presidente mais velho da legenda, para comandá-la interinamente até o dia 9 de dezembro, quando a convenção nacional do PSDB escolherá o novo presidente.

“Conforme conversa que tivemos hoje, em razão de sua candidatura à presidência do PSDB, formalizada ontem, e com o objetivo de garantir a desejável isonomia entre os postulantes, estou reassumindo a presidência do partido e, ato contínuo, indicando nosso mais antigo vice-presidente, o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman, para conduzir com imparcializada a eleição que se dará na convenção nacional marcada para o próximo dia 9 de dezembro”, afirmou Aécio Neves em carta a Tasso Jereissati.

Intelectuais tucanos defendem eleição de Tasso no PSDB

A destituição de Taso ocorreu poucos dias após um grupo de intelectuais do PSDB ter divulgado um manifesto em apoio à sua candidatura. O texto, assinado pelo cientista político Bolívar Lamounier e pelos economistas Edmar Bacha, Elena Landau, Luiz Roberto Cunha e Pérsio Arida defende, assim como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pede que o PSDB desembarque do governo Michel Temer (PMDB-SP).

Tasso é mais próximo à parcela da bancada tucana que pressiona pela saída desde a eclosão do escândalo da JBS. Os intelectuais argumentam que o partido deve votar a favor de propostas como a reforma da Previdência, mas que “não deve participar de um governo que não parece ter se comportado de acordo com os preceitos éticos na condução dos assuntos de interesse público”.

Perillo, por sua vez, seria mais próximo do grupo que defende a permanência na base. “Caberá ao presidente do partido conduzir as discussões que levarão a um novo programa do PSDB e ninguém melhor do que Tasso Jereissati para liderar esse processo de renovação das ideias de que o país tanto precisa”, afirma a nota.

Um dos postulantes pela candidatura do PSDB à presidência em 2018, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, reagiu à destituição do senador Tasso Jereissati. “Eu não fui consultado. E se fosse, teria sido contra, porque não contribui para a união do partido”, afirma Alckmin, por meio de nota. O nome do governador paulista é cogitado no partido como possível alternativa de consenso ou terceira via na disputa pelo comando tucano.

Histeria

Também irritado com o racha do PSDB, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, disse que seu partido vive um momento de “histeria” e erra ao defender a saída do governo comandado por Temer, correndo o risco de perder a eleição de 2018. Em tom de ironia, o tucano afirmou que “tem gente tingindo o cabelo de preto” para votar contra a reforma da Previdência ao se referir aos chamados “cabeças pretas”, que defendem o desembarque dos tucanos.

“Desse jeito, vamos entregar a Presidência para o Lula, em 2018”, disse Aloysio, em uma alusão à tentativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de voltar ao poder. “Engana-se quem pensa que será carregado nos braços do povo por ter desembarcado do governo. O PSDB será julgado por suas ações concretas em benefício do país. Mas como fazer o discurso da razão com o partido em pé de guerra?”

Dedo de Temer

O senador tucano Cássio Cunha Lima (PB), vice-presidente do Senado, disse que a destituição de Tasso Jereissati do posto de presidente interino do PSDB tem as digitais de Michel Temer. “O governo interveio no partido”, disse Cássio. “Isso é muito grave. Terá uma consequência interna, que é o fortalecimento da candidatura de Tasso ao comando do partido. E repercutirá além das fronteiras do PSDB. Vai sacudir o cenário político.”

Cássio declarou-se “surpreso” com o gesto de Aécio Neves. “Ficaremos muito atentos aos métodos que o governo vai utilizar”, declarou Cássio, preocupado com os rumos da convenção partidária. “Na política, pode-se ganhar ou perder. Mas essa intervenção do governo no PSDB não é prenúncio de boa coisa. Esse governo já demonstrou que é capaz de usar todos os métodos —os ortodoxos e os hererodoxos.”

Cássio acrescentou: “Não admitiremos passivamente a compra de convencionais, a pressão sobre governadores por meio de convênios, a tentativa de influenciar o voto com a oferta de empregos e vantagens. A essa altura, não é possível estimular essa pedagogia do atraso.”

O que acontecerá se os quatro ministros do PSDB desrespeitarem uma eventual decisão do partido a favor de desembarcar do governo?, quis saber o repórter. E Cássio: “A partir de decisão partidária, tomada pela instância máxima do PSDB, os ministros que quiserem participar do governo terão, evidentemente, que sair do partido. Do contrário, o partido deixaria de existir. Não faz sentido aceitar o desresopeito a uma decisão da convenção.”


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