Semana On

Terça-Feira 13.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Coluna

Depois da tempestade vem a bonança?

O que importa é que nossas instituições não se deteriorem e a democracia não perca a sua posição de destaque

Postado em 27 de Outubro de 2017 - Josceli Pereira

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A luta travada pelo presidente Temer com as denúncias da Procuradoria Geral da República em seu segundo round, e com placar apertado, adiou mais uma vez o acerto de contas do presidente com a justiça brasileira. Vale ressaltar que no momento em que deixar de ter o privilégio do foro, a referida denúncia será retomada.

Por força da Lei o presidente somente poderá ser investigado pelo STJ após a autorização da Câmara Federal. Na primeira denúncia feita pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot não foi autorizado ao prosseguimento da investigação. Este embate teve consequências desastrosas na continuidade das votações de importantes temas pelo Congresso, cujas medidas têm grandes impactos na economia e na vida de todos os cidadãos do Brasil.

Na formação da base de apoio para derrubar a possibilidade da continuidade do processo, o balcão de negócios tomou envergadura de comprometimento das finanças públicas. Fracionamento de cargos dentro do governo para acolher partidos políticos e seus aliados, liberação de emendas para melhorar a imagem do deputado nas suas bases políticas e até concessão de benefícios financeiros para garantir as futuras candidaturas pela reeleição dos atuais deputados.

Os blocos classistas e de diferentes origens se aliaram para negociar o atendimento de interesses, com a alteração de Leis e até mesmo perdões de infrações cometidas e beneficiadas pelas anistias sancionadas pelo poder executivo.

Com a mudança de comando na PGR, e pela relação mais amistosa que se verifica entre a nova procuradora e o palácio do planalto, presume-se que as denuncias contra o atual presidente possam cessar. Porém todo a alinhamento feito no momento anterior às denúncias para as votações das reformas da previdência, política, ajuste fiscal, código de mineração e da tributação do petróleo que constam da agenda de interesse do poder executivo para compor suas propostas de governo, além das privatizações de setores onde o governo pretende deixar de agir.

Com o cenário político se aproximando das prévias eleitorais e já de olho na reação dos eleitores, os deputados não estão mais propensos ao voto de medidas impopulares que resultem em desgaste eleitoral nas suas bases. Reorganizar a base de apoio para aprovar estas medidas no plenário da Câmara e do Senado não será tarefa fácil à equipe governamental.

Até mesmo a saúde do presidente sucumbiu ao desgaste e ao enfrentamento feito nos últimos dias e resultou na passagem pelo hospital para procedimentos médicos. Com idade avançada e com a possibilidade de ser afastado, não tem sido fácil a sua rotina.

No atual estágio da conversa, conseguir concluir o mandato e ainda interferir na futura eleição passa a ser uma tarefa difícil de imaginar. Com certeza o que realmente importa ao Brasil é que nossas instituições não se deteriorem e a democracia não perca a sua posição de destaque.

Em 2018 caberá ao eleitor o conserto do estrago provocado pela péssima escolha feita nas ultimas eleições, onde se destacou a corrupção e o assassinato da ética e moralidade. Que a luz da esperança não se perca nas trevas do desânimo e que nossas escolhas recaiam na melhor representatividade política. Cabe ao eleitor esta tarefa.


Voltar


Comente sobre essa publicação...