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Mundo

Número de mortos de atentado duplo na Somália passa de 300

Pai que ia a formatura acaba em funeral de filha morta

Postado em 20 de Outubro de 2017   - Redação Semana On

O número de mortos do atentado duplo do último dia 14 em Mogadício, capital da Somália, passou de 300. Segundo o Dr. Abdulkadir Adam - diretor de um serviço de ambulâncias - mais vítimas morreram devido aos ferimentos sofridos. O governo espera que o número de mortos continue a subir. Os ataques, separados por um intervalo de algumas horas, deixaram também ao menos 300 feridos e destruíram dezenas de prédios e de veículos.

O primeiro, mais mortífero, aconteceu nos arredores de um conhecido hotel da cidade, em um perímetro com vários ministérios e embaixadas. O prédio da representação diplomática do Qatar foi severamente atingido.

Nenhum grupo reivindicou o ataque, mas o governo somali apontou como culpados os rebeldes do Al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda.

Em sua luta contra a administração central, a facção executa com frequência ataques suicidas contra militares e alvos civis. Seu raio de ação se estende até o Quênia.

No início do ano, o Al-Shabaab afirmou que iria intensificar os ataques depois que os governos americanos e somali anunciaram o lançamento de novas ofensivas militares contra os rebeldes.

Os hospitais de Mogadício, que continuam sobrecarregados de pacientes, começaram a receber ajuda internacional nesta segunda. Mais de 70 pessoas com ferimentos graves foram transportadas de avião para a Turquia para serem tratadas.

O ministro da informação, Abdirahman Osman, afirmou que o Quênia e a Etiópia também ofereceram enviar assistência médica para auxiliar no episódio que o governo chamou de "desastre nacional".

Trata-se de um dos piores ataques da África subsaariana, maior que aquele ocorrido na Universidade Garissa, no Quênia, em que 148 pessoas morreram em 2015.

O atentado também superou em número de mortes os bombardeios de 1998 na Tanzânia e no Quênia, que deixaram cerca de 219 mortos.

Os Estados Unidos condenaram o ataque, dizendo em um comunicado que "esses atos covardes revigoram o compromisso dos EUA em assistir nossos parceiros da Somália e da União Africana no combate ao flagelo do terrorismo".

O enviado especial das Nações Unidas à Somália, Michael Keating, afirmou que a ONU e a União Africana estavam apoiando o governo somali com "apoio logístico, suprimentos médicos e expertise" e chamou o atentado de "revoltante".

As explosões ocorreram dois dias depois de o chefe do comando norte-americano para a África se reunir com o presidente do país, Mohamed Abdullahi Farmaajo, e após os pedidos de demissão nebulosos do ministro da Defesa e do comandante do Exército somalis.

Uma história entre muitas

"Estava tudo preparado", diz Abdullahi Mohamed em alusão à festa de formatura de sua filha, Maryam Abdullahi, uma jovem estudante de Medicina da Somália.

A cerimônia estava marcada para o último domingo, 15 de outubro, e o pai, que mora no Reino Unido, viajava ao país especialmente para isso.

Prestes a embarcar, descobriu que sua filha era uma das mais de 300 vítimas do ataque extremista ocorrido no sábado na capital do país, Mogadíscio, um dia antes da formatura.  "Estava no aeroporto prestes a embarcar quando recebi a notícia de que ela havia morrido", disse à BBC.

Ele acabou comparecendo ao funeral da filha.

Maryam Abduallahi, 25, estava se preparando para sua formatura em Medicina na Universidade Benadir.

A irmã de Maryam, Anfa'a Abdullahi Mohamed, disse ao serviço da BBC na Somália que tentou falar com ela depois da explosão. "Liguei para o número dela e um jovem atendeu e disse 'sua irmã está morta e seu corpo está no Hotel Safari. Que Alá tenha piedade de você'", contou. "Nossa família está triste, meus pais estão muito abalados. Que Deus fortaleça nossos corações", disse.

Ela conta que via a irmã como seu exemplo. Abduallahi também gostava de ajudar as pessoas no hospital onde trabalhava e na universidade, assinalou. "Ela planejava trabalhar em uma clínica para mães e bebês após a formatura. Ela tinha ambição", lembrou.

Além de Maryam, há várias pessoas desaparecidas e as autoridades do país estão enfrentando dificuldades para identificar os mortos, devido à força da explosão.

Entre as vítimas, estão 15 crianças que viajavam em um ônibus escolar quando o caminhão-bomba explodiu.

Voluntários criaram um grupo para ajudar a identificar as vítimas chamado Gurmad252, com uma página no Facebook e um site.

Gurmad significa "venham ajudar uns aos outros" em somali e 252 é o código internacional da Somália.


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