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Domingo 31.mai.2020

Ano VIII - Nº 395

Legislativo

Audiência na UFMS coloca censura da arte em debate

Presentes pediram abertura de processo disciplinar contra o delegado Fabio Sampaio, que apreendeu o quadro da artista Alessandra Cunha

Postado em 06 de Outubro de 2017 - Redação Semana On

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Preocupado com as últimas censuras realizadas nos espaços culturais no Estado, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, o deputado Pedro Kemp (PT), em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), propôs a audiência pública “Arte! MS contra a Censura”. O debate foi realizado na quinta-feira (5) e contou com a participação de autoridades do assunto e acadêmicos.

“É importante fazermos uma reflexão de tudo que estamos vivendo. O momento é de intolerância, de ódio e de autoridade. Nosso objetivo é resgatar a possibilidade de um debate diferenciado, respeitando as diferenças de pensamento”, declarou o propositor, que também é presidente da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Casa de Leis.

A mesa de debate discordou da censurara às obras da artista mineira Alessandra Cunha, expostas, desde junho, e com exclusividade, no Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul (Marco).

O presidente do Instituto Cultural e conselheiro do Marco, Gilberto Luiz Alves, esclareceu qual a bandeira defendida. “A censura no Marco foi uma típica cena de ditadura. Nós defendemos o direito de expressão”, afirmou Alves.

“É um total desrespeito com o que é público", falou o vereador de Campo Grande Eduardo Romero (Rede Sustentabilidade). Já o advogado Marcelo Barbosa Martins complementou. “Houve uma violência desnecessária com a censura da obra da Alessandra Cunha, uma ilegalidade”.

Já o vice-presidente do Sindicato dos Arquitetos de Mato Grosso do Sul, Ângelo Arruda, apresentou uma reflexão da arte e dos acontecimentos. “É muito oportuno depois de tudo que estamos passando nos últimos anos pararmos e refletirmos o estado que a arte se encontra. Qual o significado para uma sociedade a prisão de uma tela? Foi um ato de arbitrariedade, a tela foi aprisionada em uma denúncia vazia e sem provas”, destacou.

“Está sendo generalizado e quem perde é a população que está é impedida de usufruir da arte com toda essa censura. Quando não podemos ter contato com a arte, há um empobrecimento da sociedade, porque a arte é capaz de mexer com a realidade”, ressaltou o professor doutor do curso de Artes Visuais da UFMS, Paulo Duarte Paes.

A presidente do Fórum Estadual de Cultura, Fernanda Teixeira, levantou dois elementos importantes para o debate. “Em primeiro lugar destaco o machismo, porque não é por acaso que o tema da exposição no Marco incomodou. E em segundo, a censura que já vem acontecendo há alguns anos. De que forma? Pela falta de investimentos na cultura desde 2014, nas três esferas, municipal, estadual e federal, o que dificulta para que a população tenha acesso a arte”, explicou Fernanda.

“Nós temos que ocupar o espaço público e reivindicar nossos direitos, porque a arte liberta. Eu não tenho dúvidas que tudo isso que vem acontecendo é um projeto de censura já planejado há muito tempo e que vem sendo executado com toda força”, alertou Fernando Cruz, que representa a Rede Nacional do Teatro.

De acordo com o deputado Pedro Kemp, será feito um documento que possa refletir tudo o que foi debatido na audiência pública e será encaminhado para o Governo do Estado, para o secretário de Estado Cultura e Cidadania, Athayde Nery e para o Ministério Público Estadual (MPE). “Eu estou muito satisfeito com o debate, foi uma tarde proveitosa onde falamos de forma qualificada sobre toda essa polêmica envolvendo a censura da arte. Na semana que vem irei usar a tribuna na Assembleia para relatar aos demais parlamentares tudo que foi levantado aqui”, considerou Kemp.

Também foi assinado pelos presentes no evento uma ação contra o delegado Fabio Sampaio, que apreendeu o quadro da artista Alessandra Cunha. Na ação é pedido a abertura de processo disciplinar contra o delegado. 


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