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Quinta-Feira 14.dez.2017

Ano V - Nº 283

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Saúde

OMS recomenda uso periódico de medicamento para tratar parasitas intestinais

Um em cada quatro brasileiros convive com esgoto a céu aberto

Postado em 03 de Outubro de 2017   - Redação Semana On

Programas periódicos de desparasitação são recomendáveis para reduzir drasticamente problemas de saúde pública causados por vermes intestinais e parasitas, diz a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A recomendação da desparasitação foi aprovada pelo Comitê de Revisão das Diretivas da entidade. O tratamento, em que geralmente basta um único comprimido, pode proteger 1.5 bilhão de pessoas atualmente em risco, afirma a Organização.

Segundo a OMS, quatro espécies principais de vermes intestinais afetam quase um quarto das pessoas mais pobres no mundo. “Eles [os parasitas] são um grande problema de saúde pública porque os vermes interferem na capacidade das pessoas de absorver nutrientes, impedindo o crescimento e o desenvolvimento físico de milhões de crianças”, relata a entidade.

Programa mundial

Os programas de desparasitação em larga escala são facilitados pela OMS, que utiliza medicamentos doados da indústria farmacêutica. Eles são distribuídos gratuitamente em programas nacionais de controle de doenças. Também é realizado programas em parcerias com escolas.

"Há um consenso global baseado em evidências de que a desparasitação periódica em grande escala é a melhor maneira de reduzir o sofrimento causado por vermes intestinais", diz Dirk Engels, diretor do Departamento de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS, em nota da entidade.

A OMS pretende eliminar os danos causados pelas infecções de vermes em crianças até 2020, tratando regularmente pelo menos 75% dos 873 milhões de crianças estimadas em áreas onde a prevalência é alta.

Para a entidade, no entanto, o tratamento não é a única solução. Também a higiene básica, o saneamento, a educação para a saúde e o acesso à água potável são fundamentais para resolver problemas de saúde causados por vermes.

Em 2015, apenas 39% da população global tinha acesso a saneamento seguro, diz a OMS.

No Brasil

Um em cada 4 brasileiros (27%) mora em residências desprovidas de coleta e tratamento de esgoto - e que tampouco possuem fossa séptica - informa um novo relatório da Agência Nacional de Águas. (ANA). Dentre aqueles que têm o esgoto coletado, 18% não têm serviço de tratamento.

Além disso, apenas 14% das cidades brasileiras retiram pelo menos 60% de matéria orgânica da água, o mínimo exigido por resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

Os atlas de esgotos e despoluição de bacias hidrográficas, da ANA, analisaram 5570 municípios brasileiros quanto ao esgotamento sanitário e a disponibilidade de recursos hídricos. Não foram consideradas áreas rurais.

O relatório aponta que apenas 39% da carga orgânica gerada diariamente no país é removida com a infraestrutura de tratamento de esgotos. A carga orgânica é considerada poluidora e inclui, dentre outros poluentes, fezes e urina.

Resultado: cerca de 5,5 mil toneladas de carga orgânica por dia chegam aos recursos hídricos. O índice de carga orgânica é calculado por meio da ‘Demanda Bioquímica de Oxigênio’, a quantidade de oxigênio necessária para dissolver a matéria orgânica existente na água.

“Trata-se de um número alto e significativo ”, diz Sérgio Ayrimoraes, superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA.

Para a agência, há um déficit de atendimento de serviços de esgotamento sanitário no Brasil e a sucessão de eventos críticos nos últimos anos -- como, por exemplo, a falta de água em São Paulo -- evidencia a importância da necessidade de investimentos em infraestrutura no setor.

O acesso à água potável e saneamento básico também é um direito essencial do ser humano, de acordo com a Organização das Nações Unidas: “o direito a uma água potável, limpa e de qualidade e a instalações sanitárias é um direito humano, indispensável para gozar plenamente do direito à vida”, aponta a entidade.

Problemas em concentrações urbanas

A maioria das grandes cidades brasileiras tem problemas com a geração de esgotos. E, por isso, esses grandes conglomerados populacionais demandam mais infraestrutura para gerir a quantidade de esgoto gerada, considera a agência.

A ANA calculou que, nas cidades, são geradas uma média de 54 g de carga orgânica poluidora por dia nas grandes cidades.

As 100 cidades mais populosas do País são responsáveis por aproximadamente 2,2 mil toneladas de carga orgânica por dia (40% do total); ainda, metade dessa carga provem de 15 cidades com populações urbanas superiores a 1 milhão de habitantes.

É um número bem alto, considera a ANA. Se compararmos com os municípios menos populosos (5 mil com população inferior a 50 mil habitantes), eles são responsáveis por 1,9 mil toneladas.

Há também problemas com a administração do esgoto em algumas áreas urbanas. Cerca de 2589 municípios não contam com um prestador responsável pelo esgoto na região -- ou seja, não há uma instituição que esteja olhando para essa questão.

Com isso, uma consequência de não haver um responsável é o fato de que 95% desses municípios não contam com serviços de tratamento de esgoto.

Sudeste tem melhor cobertura; região Norte é a mais carente

A região Sudeste é a única onde o tratamento dos esgotos gerados alcança mais da metade de sua população urbana (54%). Já a região Norte é a mais carente, com apenas 12% da população tendo seu esgoto dirigido a estações de tratamento.

Em relação à região Sul, o índice de cobertura é de 40%; a Centro-Oeste, 49%; e Nordeste, 32%.

Embora os índices de cobertura de coleta sejam maiores, eles ainda refletem as mesmas desigualdades regionais: Sudeste (83%); Sul (54%); Centro-Oeste (51%); Nordeste (43%); e Norte (16%).

O que o esgoto faz com a água

O lançamento do esgoto na água sem qualquer tratamento compromete a qualidade dos recursos hídricos -- o que traz consequências negativas para a saúde da população e, no limite, inviabiliza o abastecimento, diz a Agência Nacional de Águas.

Isso é particularmente importante em grandes cidades em que os rios ou têm pouca capacidade de diluição desse esgoto, ou essa capacidade é insuficiente para a quantidade de pessoas que moram nessas regiões, explica Sérgio Ayrimoraes, da ANA.

Para analisar como o esgoto está impactando as águas brasileiras, a ANA também avaliou a parcela de carga orgânica removida em cada esgoto. A região Norte remove 21%; Nordeste, 27%; Sudeste, 45%; Sul 46%; e Centro-Oeste 48%.

Os recursos para superar o problema

Para universalizar os serviços de esgotamento sanitário no país, o Brasil precisaria investir R$ 149,5 bilhões até 2035, informa a ANA.

Segundo a agência, a coleta de esgotos representa o investimento inicial mais elevado (R$ 102,1 bi) – já que 3.301 municípios possuem menos de 50% da população com coleta de esgotos. Para o tratamento de esgotos seriam necessários R$ 47,6 bilhões, segundo o relatório.

A região Nordeste é a que mais demanda investimentos, com os estados de Pernambuco, Bahia e Ceará, juntos, representando 56% da demanda necessária para a região. São necessários R$ 49.746 milhões. Ainda, 70% dos investimentos foram previstos na coleta de esgoto.

Em segundo lugar em demanda por investimentos, está o Sudeste com R$ 43.482 milhões. Depois, em terceiro, está a região Sul com a necessidade de R$ 23.183 milhões. Em seguida, a região Norte (R$ 19.138 milhões); e, por último, a região Centro-Oeste (R$ 13.947 milhões).


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