Semana On

Sábado 21.out.2017

Ano V - Nº 276

Institucional

Comportamento

O maior problema da educação é a tradição , diz educador

Jonathan Bergmann, criador da Sala de Aula Invertida, acredita que o medo de mudar prejudica o aprendizado

Postado em 12 de Setembro de 2017   - Giuliana Viggiano

Existe uma grande inquietação da sociedade acadêmica quando o assunto é ensinar e aprender. Uma série de novas hipóteses têm sido lançadas e experimentadas para tentar fazer com que os alunos, jovens ou não, tenham mais facilidade de aprender, o que melhora o nível de sua educação.

A “Flipped Classroom” ou “Sala de Aula Invertida” é um desses métodos educacionais. Ele consiste em introduzir os conteúdos básicos antes das aulas, a partir de recursos como vídeos, textos, áudios e games.

Segundo Jonathan Bergmann, um dos desenvolvedores da ideia, a mágica está na troca dos momentos: “Nessa situação, no tempo em classe os alunos tiram dúvidas, criam, praticam, analisam, debatem, têm conversas mais profundas e experienciam”, disse em entrevista à GALILEU.

O especialista esteve no Brasil no fim de agosto de 2017, quando foi convidado pelo GEN Educação para participar do 1º FlipCon Brasil, congresso mundial sobre sala de aula invertida.

A ideia é flexibilizar e modernizar os métodos de aprendizado, tornando-a uma área em que as pessoas precisam ser ativas, não passivas. Para o especialista, essa é uma das chaves dessa tática de ensino, juntamente com o estreitamento dos laços entre alunos e professores: “Quando um professor está dando a aula como uma palestra uma distância é criada”, argumenta.

Entretanto, os docentes não podem começar a fazer vídeos da noite para o dia. Um treinamento é necessário, pois, segundo Bergmann, há uma forma correta de aprender a usar a tecnologia para ensinar os alunos a também se educarem a partir dela.

“Não consigo ver pontos negativos nesse método. Se os professores forem treinados da maneira correta, os alunos não ignorarão as atividades de casa e saberão que devem tomar notas e levar dúvidas para as aulas”, aponta.

Sobre o custo desse tipo de educação, Bergmann não hesita: “Se o educador tem um celular ou uma câmera e a escola tem wifi para os alunos poderem baixar os conteúdos já é o suficiente”. Ele lembra de quando implantou o sistema pela primeira vez na escola em que lecionava no Colorado, Estados Unidos: “Gastamos cinquenta dólares para baixar um programa de edição. Essa é muito mais uma questão de mudar a forma de pensamento do que de gastar dinheiro”.

Mudança de pensamento, aliás, que defende fortemente. Ao ser questionado sobre o maior problema da educação atual, foi incisivo em dizer que a resposta é a tradição. “Sempre fizemos de um jeito e temos medo de mudar, mas se olharmos para o resto do mundo, todos os outros sistemas estão se alterando, se adaptando”, afirma.

Para Bergmann, a situação se assemelha a um médico descobrir a cura do câncer e os outros não quererem usar por preferirem o método anterior. “Há questões como praticar exercícios ou se alimentar direito que tem a ver com o que cada um quer. Aplicar o que é melhor para um indivíduo em um grande sistema como a educação é egoísmo”.

Concordando ou não, fato é que a nova forma de educar dá resultados. Na Universidade de British Columbia, por exemplo, professores de física aplicaram a metodologia e conseguiram um aumento em 20% na presença e em 40% na participação dos estudantes, além das notas, que foram duas vezes maiores que as das classes que ainda utilizavam a metodologia tradicional.

Já em Harvard, professores de matemática conduziram um estudo de 10 anos em suas classes de cálculo e álgebra, através do qual descobriram que alunos inscritos em aulas invertidas obtiveram ganhos de 49 a 74% a mais na aprendizagem que alunos inscritos em aulas tradicionais.

O segredo, portanto, é usar a tecnologia como aliada na hora de ensinar (em todas as etapas da educação). “No passado aulas eram gravadas para aqueles alunos que faltavam poderem assisti-las depois. A proposta aqui não é essa, mas aumentar a participação em sala de aula, além de fazer crescer o tempo que o professor pode se dedicar aos alunos”.


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