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Quarta-Feira 22.nov.2017

Ano V - Nº 280

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Coreia do Norte está à beira de um conflito de larga escala, diz Putin

Após míssil, EUA sobrevoam zona fronteiriça com o país

Postado em 01 de Setembro de 2017   - Redação Semana On

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (1º) que o tenso impasse entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos está à beira de um conflito de larga escala. Segundo ele, é um erro tentar pressionar Pyongyang com sanções sobre seu programa de míssil nuclear.

Putin – que comparecerá a uma cúpula na China de países do Brics (grupo composto por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul) na semana que vem – escreveu em um artigo publicado no site do Kremlin que prefere, em vez da pressão com sanções, negociações com a Coreia do Norte.

"É essencial resolver os problemas da região por meio do diálogo direto envolvendo todos os envolvidos, sem qualquer pré-requisito [para essas conversas]", escreveu Putin. "Provocações, pressão, retórica bélica e ofensiva são caminho para lugar nenhum", afirmou.

De acordo com o presidente russo, a situação na península coreana se deteriorou tanto que está agora "equilibrada à beira de um conflito de larga escala".

Míssil sobre o Japão

Após o lançamento de um míssil norte-coreano que sobrevoou o território japonês na última segunda-feira (28), as forças aéreas dos Estados Unidos, da Coreia do Sul e do Japão realizaram na quinta-feira (31) exercícios sobre a península coreana.

As manobras envolveram dois bombardeiros americanos supersônicos com capacidade nuclear e quatro caças furtivos dos EUA, além de caças sul-coreanos.

As atividades aconteceram como parte dos exercícios militares anuais entre EUA e Coreia do Sul, que estão em andamento desde a semana passada.

Realizadas em território sul-coreano, as manobras contam com milhares de soldados e se encerram nesta quinta. Durante as atividades, simulações de computador são projetadas para preparar EUA e Coreia do Sul para uma eventual guerra contra a Pyongyang.

"As ações da Coreia do Norte são uma ameaça a nossas aliados, parceiros e ao nosso território", disse o general Terrence J. O'Shaughnessy, comandante da Força Aérea americana no Pacífico.

"Essa complexa missão claramente demonstrou nossa solidariedade com nossas aliados e destacou o aumento da cooperação para se defender dessa ameaça regional em comum", disse o militar.

Yongyang se opõe às atividades militares conjuntas e disse que os exercícios são um ensaio geral de uma invasão a seu território. Um editorial do jornal "Rodong Sinmun", do regime norte-coreano, afirmou que tais atividades podem resultar em "verdadeiros combates".

Estados Unidos e Coreia do Sul, por sua vez, descrevem os exercícios como de "natureza defensiva".

Acusações

Também na quinta, a Coreia do Norte advertiu o Japão sobre o risco de "autodestruição iminente" do país por sua aliança com os EUA. O "vínculo militar" entre os dois aliados se tornou uma "séria ameaça" para a península coreana, disse a agência de notícias norte-coreana KCNA.

Antes, o premiê japonês, Shinzo Abe, denunciou o lançamento do míssil norte-coreano que sobrevoou a ilha de Hokkaido como "uma ameaça grave, séria e sem precedentes". Ele ainda disse concordar com o presidente americano, Donald Trump, sobre a necessidade de "incrementar a pressão exercida sobre a Coreia do Norte".

A tensão na península coreana aumentou após o regime norte-coreano testar mísseis balísticos intercontinentais em julho, o que gerou respostas de Seul e Washington.

Na quarta-feira (30), Trump afirmou que "conversar não é a resposta" para resolver a crise. Ele já havia declarado anteriormente que as armas americanas estão "engatilhadas e carregadas" e que o país iria responder com "fúria e fogo" caso Pyongyang não interrompesse as ameaças.

Sanções

A escalada nas tensões e o lançamento do míssil norte-coreano aumentou a pressão internacional por novas sanções contra o país.

Nesta quinta, a primeira-ministra inglesa, Theresa May, se encontrou com Abe para discutir o assunto.

"O primeiro-ministro Abe e eu concordamos em trabalhar juntos com a comunidade internacional para aumentar a pressão contra a Coreia do Norte, incluindo um aumento no ritmo das sanções implementadas", disse ela.

A posição americana sobre o assunto recebeu crítica da China, principal aliada do regime da Coreia do Norte.

Segundo Hua Chunying, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, a questão norte-coreana é séria e não deve ser tratada como um jogo de videogame.


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